Tripulação entorpecida

"O recorde de aquecimento não é somente do mês de maio, pois todos os 12 meses anteriores já bateram, um a um, recordes de medição."

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Felipe José dos Santos, advogado.

Neste ano, de 2024, tivemos o mês de maio mais quente da história das medições. Do ano de 2023 até maio de 2024 houve um acréscimo nas médias de aquecimento. Enquanto o ano de 2023 acabou com um aumento de 1,48 grau, na soma da variação da temperatura de maio de 2023 até maio de 2024 o acréscimo já foi de 1,60 grau.

O recorde de aquecimento não é somente do mês de maio, pois todos os 12 meses anteriores já bateram, um a um, recordes de medição. Essas medições são feitas em comparação com os anos de 1850 a 1900.

Os meteorologistas afirmam que esse aumento pontual tem relação com o El Niño, um dos quatro mais fortes da história e com a influência  humana na degradação ambiental.

Além da cheia, que devastou boa parte da região metropolitana de Porto alegre, ocorreu no sul da Alemanha outro evento climático catastrófico há aproximadamente duas semanas.

Agora, em meados de junho, estamos com uma temperatura alta e previsão de novas chuvas, enquanto a temperatura das águas do mar atingiu 21,06 graus, também a maior já registrada para as águas dos oceanos.

Depois de doze meses consecutivos de recordes de temperatura ainda existem pessoas que não conseguem perceber que alguma coisa está acontecendo com nosso clima e com as estruturas dos ventos e o movimento das águas oceânicas, bem como as quedas de icebergs nos polos.

Assim como aconteceu com a dengue, que era previsível, quando não ocorreu frio suficiente para reduzir o mosquito vetor da doença, essa mudança climática pode estar criando outras situações perigosas e constrangedoras para a humanidade.

Já passou da hora da conscientização. Já estamos em uma situação de urgência climática. Os habitantes do Rio Grande do Sul e do sul da Alemanha já estão sentindo os efeitos danosos de um período de instabilidades climáticas e  desorganização social.

As autoridades estão atordoadas e incrédulas, enquanto a população ainda não começou a compreender a gravidade da situação. Organizar a logística, planejar as novas catástrofes, fazer uma corrente de organização para antever e elaborar um plano que minimize os danos já é uma necessidade para ontem.

Se a terra fosse o Titanic, poderíamos falar que existe um grande perigo na sua rota, mas tem muita gente, anestesiada, que ainda não conseguiu ver a ponta do iceberg

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