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Uma das principais virtudes que buscamos nos outros é a autenticidade. Tentamos conviver com pessoas autênticas e, inclusive, tentamos nos tornar o mais autêntico possível. Mas de que se trata ser autêntico? O que é essa tal autenticidade que buscamos entender e aprender?

Uma pessoa autêntica é aquela que não tem medo de ser quem é, que se expõe e demonstra com clareza e nitidez seus sentimentos e suas emoções, que não usa de artifícios e ilusões para ludibriar aqueles que estão em seu entorno, ou falseia a verdade para agradar um grupo de pessoas ou alguém especial.

Então, ser autêntico é, de certa forma, ser único, individual, singular e bancar o custo de ser quem somos, onde estivermos. Então para sermos autêntico devemos ser cristalinos e verdadeiros com relação aos nossos próprios sentimentos e não podemos mentir que somos o  que não somos; devemos expor nossa alma e nossa essência e, até, nossos princípios de vida.

Mas e se nossa essência não for tão boa? E se nossos princípios não forem tão aceitos no contexto social em que estamos inseridos? E se não temos convicção de que será uma atitude acertada expormos nossas virtudes e vícios?

Existe um antigo ditado que afirma: “O bom a gente mostra, o ruim a gente esconde”. Uma pessoa que pensa assim pode ser considerada autêntica? E, por outro lado, é coerente que as pessoas se exponham em público, mostrando sua face mais obscura e seus vícios mais deletérios

Há um limite para a autenticidade, que serve para proteger o indivíduo de suas próprias deficiências. Uma pessoa que é genuinamente agressiva não pode dar autenticidade para a característica e sair, mundo afora, agredindo as pessoas sob o argumento de que isso é autêntico de sua personalidade. Alguém que agir dessa forma será rechaçado pelo grupo social em que se encontra e sofrerá o castigo decorrente da revelação de sua própria autenticidade.

Muitas vezes as pessoas que abdicam da autenticidade conseguem ter maior inserção social e conviver com mais harmonia em grupos ou sociedades, pois a autenticidade é, de certa forma, a afirmação da singularidade e da individualidade, enquanto a capacidade de convivência exige uma certa concessão e, até mesmo, uma certa dose de tolerância que pode ser vista como omissão e, em casos mais extremos, como uma simpatia falsa.

Pode-se perceber que sermos “autênticos” não é uma tarefa fácil, já que podemos potencializar nossos erros e dar publicidade a eles no intuito de sermos verdadeiros. Para conseguirmos ser autênticos devemos trabalhar nosso íntimo e limpá-lo, reduzindo tudo o que não pode ser exposto, ao ponto de termos confiança de que nossa autenticidade irá nos beneficiar e beneficiar o contexto em que estamos inseridos. Essa reciclagem da alma é muito difícil e complexa. Por isso é tão comum convivermos e agirmos, entre nós, com alguma dose de ilusão.

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