Especialização pública

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Por: Felipe José dos Santos – Advogado

A qualificação das instituições deve se tornar um objetivo da sociedade. Quando uma empresa grande contrata um vendedor esta empresa oferece cursos, seminários e outras formas de formação desse vendedor, para que ele venda mais, ganhe mais comissões e, consequentemente, traga mais lucros para essa empresa. É assim também quando um time de futebol contrata um jogador e coloca para fazer uma dieta especial, treinamentos de fisioterapia e musculação e, inclusive, psicológico para que aquele jogador, contratado pelo clube, dê retorno e favoreça a agremiação futebolística que representa.

Um médico se aperfeiçoa, um dentista se aperfeiçoa, um advogado se aperfeiçoa, um pintor, um mecânico, um pedreiro, um açougueiro ou alguém que trabalha com ótica, também deve fazer cursos e aprender coisas novas. Os músicos devem se aperfeiçoar e melhorar seus repertórios de acordo com seu público.

Mas então porque a classe política não se aperfeiçoa? Qual é a explicação para que a cada dia vejamos mais representantes políticos desqualificados, sem noção de suas obrigações e sem capacidade de atender as demandas coletivas que a sociedade tanto necessita?

Temos um problema crônico no setor público em geral, pois junto com a democracia sobem ao poder muitas pessoas que não fazem ideia da importância e, inclusive, da função imprescindível que os órgão públicos possuem na gestão e na solução dos maiores dilemas da coletividade. E aqui não podemos nos restringir a legisladores, servidores do executivo ou do judiciário, temos que tentar entender o que está ocorrendo com nossas instituições como um todo e porque “as coisas estão sempre tão empacadas”, quando se trata dos serviços e objetivos da coletividade.

Pode-se dizer que no tocante às estruturas administrativas ainda existe uma certa qualificação do corpo dos servidores, pois geralmente são contratados por concurso público, o que aumenta o nível técnico e ajuda a aperfeiçoar os serviços públicos. O grande problema que percebemos está nos “representantes políticos”, aqueles que sobem ao poder através do voto popular, sejam vereadores, prefeitos, deputados estaduais ou federais, senadores e até mesmo presidentes.

Esses “eleitos”, na grande maioria das vezes, são representantes de uma população que foi convencida de suas qualidades e de que suas propostas tinham coerência, mas logo ali na frente é verificado que aquelas propostas eram irrealizáveis e que o discurso mentiroso era, somente, uma forma de conquistar a simpatia do eleitor (isso quando não acontece algo pior como a compra de votos).

Existe outra situação mais difícil ainda que acontece quando os eleitores não sabem o que querem e elegem representantes tão perdidos quanto eles e sem perspectivas públicas e capacidade de entender suas funções e as prioridades de interesse da sociedade. Quando são somente alguns vereadores ou deputados que não possuem noção de suas obrigações públicas ainda existe um “remendo”, com a maioria absorvendo a ignorância e a incapacidade dos inúteis. Quando  as situação se inverte e a maioria dos agentes públicos são ignorantes, incapazes ou sem caráter, a sociedade fica à deriva e as demandas e prioridades que deveriam ser centradas no interesse coletivo passam a ser superficialidades, devaneios e perda de tempo com o dinheiro público.

É urgente que os eleitores comecem a entender como funcionam as instituições para começarmos a colocar nos cargos eletivos pessoas que saibam o que deve ser feito e que priorizem o funcionamento das coisas em favor do bem estar coletivo. E os políticos para que, além de não fazerem “desvios de finalidade” e imoralidades, não façam “teatro ineficaz e rasteiro”, nem reproduzam esse show de horrores que temos visto acontecer, onde a atenção está na mediocridade e não nas prioridades e interesses da coletividade. Pois, afinal, estão sendo pagos, e bem pagos, para serem, minimamente responsáveis e diligentes com o interesse de seus eleitores e apresentarem uma atitude proativa, que agregue e ajude a construir a sociedade.

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