A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI nº 01/2026) da Câmara de Vereadores de Tenente Portela ouviu, na quarta-feira (14), o diretor executivo da Regional Oeste da Corsan/Aegea, Maximiliano Alves de Moraes. A sessão, realizada no plenário João Cheller Filho, abordou interrupções no abastecimento de água, qualidade do serviço, cobranças nas faturas e dificuldades enfrentadas pelos consumidores.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da CPI, vereador Luciano Berta Filipin, conduziu o início da oitiva e os questionamentos ao representante da concessionária. A audiência integrou a investigação sobre possíveis irregularidades na prestação dos serviços de saneamento básico no município.
Ao longo da sessão, os vereadores buscaram esclarecimentos sobre as reclamações recebidas da comunidade e as providências adotadas pela empresa para solucionar os problemas.
Durante o depoimento, Moraes informou que Tenente Portela registrou 18 interrupções no abastecimento de água nos últimos 12 meses, com duração média de seis horas. Segundo ele, os episódios estão relacionados principalmente a rompimentos de redes, falhas no fornecimento de energia elétrica e alterações na qualidade da água captada após chuvas intensas.
O diretor explicou que o aumento da turbidez, provocado pela presença de partículas de argila nas fontes de captação, pode comprometer temporariamente o tratamento e exigir a suspensão da operação até que as condições sejam restabelecidas.
Os vereadores também apresentaram relatos de moradores que permaneceram por períodos prolongados sem água em bairros como Rubino Marroni, Fríes, Isabel, Ipiranga e Nascer do Sol.
Moraes afirmou que, em situações emergenciais, a companhia utiliza caminhões-pipa para atender locais considerados prioritários, entre eles hospitais, escolas e instituições de acolhimento.
Entre as medidas anunciadas para reduzir os problemas de abastecimento, o representante da Corsan/Aegea destacou a instalação de um sistema de filtragem, com previsão de funcionamento até janeiro de 2027.
Conforme Moraes, o equipamento deverá contribuir para o tratamento da água em períodos de maior turbidez, diminuindo a necessidade de interrupções provocadas pelas condições das fontes de captação.
A concessionária também estuda alternativas para ampliar a capacidade de produção, incluindo a utilização de poços com maior vazão. O diretor explicou que a operação dos poços existentes deve respeitar períodos de recuperação, sendo considerada ideal uma utilização de até 18 horas diárias.
Outras ações mencionadas foram a instalação de equipamentos para reforçar a pressão em determinados pontos da rede e a adoção de mecanismos para reduzir a pressão excessiva, com o objetivo de diminuir vazamentos e rompimentos.
A qualidade da água distribuída à população também foi discutida durante a oitiva. Moraes declarou que a companhia realiza análises diárias nos pontos de produção e mantém procedimentos de monitoramento para verificar as condições do abastecimento.
Um dos questionamentos envolveu um resultado de análise que apontou concentração de flúor de 0,989, acima da faixa estadual de 0,6 a 0,9 apresentada durante a sessão.
Segundo o representante da empresa, uma análise posterior indicou resultado dentro dos parâmetros. Ele sustentou que o episódio não comprometeu a potabilidade da água e que a alteração não estava relacionada à contaminação bacteriológica.
A CPI solicitou à concessionária documentos e resultados das análises para aprofundar a avaliação das informações apresentadas. Foi estabelecido prazo de 48 horas para o encaminhamento dos registros requisitados.
As reclamações sobre valores elevados nas contas de água e possíveis falhas na leitura dos hidrômetros ocuparam parte dos questionamentos.
Moraes reconheceu que houve problemas relacionados a cobranças calculadas por média de consumo e informou que um funcionário foi desligado após a identificação de procedimentos inadequados.
De acordo com o diretor, a cobrança por média pode ocorrer quando não é possível acessar o hidrômetro. Nesses casos, a diferença entre o consumo estimado e o efetivamente registrado é ajustada em leitura posterior.
O representante também explicou que equipamentos antigos podem apresentar falhas de medição. Quando o consumidor solicita uma avaliação do hidrômetro, pode haver cobrança de aproximadamente R$ 80 pelo teste. Uma verificação metrológica pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) pode envolver custo maior.
Os vereadores questionaram os procedimentos utilizados pela companhia e a forma como os consumidores são orientados quando identificam possíveis divergências nas faturas.
Outro assunto abordado foi a dificuldade relatada por moradores para obter respostas às solicitações encaminhadas à Corsan/Aegea.
Moraes apresentou informações sobre os registros existentes nos canais oficiais da concessionária e afirmou que não havia reclamações pendentes entre os casos formalizados mencionados durante a sessão.
O diretor também explicou que a empresa ampliou a utilização de canais digitais, telefone, WhatsApp e videochamadas, em um modelo que reduziu a disponibilidade de atendimento presencial.
Os integrantes da CPI questionaram se essa estrutura atende adequadamente os consumidores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para utilizar ferramentas digitais.
Sobre eventuais compensações financeiras por interrupções prolongadas no fornecimento, Moraes afirmou que os procedimentos seguem as regras da agência reguladora e que não existe abatimento automático em todas as situações de desabastecimento.
O presidente da comissão comentou os próximos encaminhamentos da investigação.
Segundo o vereador, foram realizadas mais de 30 perguntas ao representante da Corsan/Aegea, abrangendo demandas apresentadas pela população de Tenente Portela.
Filipin informou que o prazo da CPI havia sido prorrogado por mais 120 dias e que restavam aproximadamente 20 dias para a conclusão dos trabalhos. A expectativa é finalizar o relatório nesse período e encaminhar o documento para avaliação dos órgãos competentes.
O presidente destacou que a comissão precisa cumprir os procedimentos legais antes de apresentar suas conclusões. O objetivo, conforme explicou, é reunir os esclarecimentos necessários e dar encaminhamento às reclamações dos consumidores.
Durante a sessão, a comissão também solicitou documentos complementares à concessionária. Moraes manifestou disposição para manter o diálogo com os vereadores e apresentar relatórios periódicos sobre as medidas adotadas.
O relatório final deverá reunir as informações e os depoimentos obtidos ao longo da investigação, além de apontar os encaminhamentos considerados necessários pela CPI.
Folha Popular
Sensação
Vento
Umidade