
Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen
Quando estudava em Roma, conheci alguns alunos da Academia que forma diplomatas que trabalham para a Santa Sé e o Vaticano. Os diplomatas atuam dentro do Vaticano, especialmente na Secretaria de Estado, nas Nunciaturas Apostólicas — que representam o Estado do Vaticano junto aos países com os quais se relaciona —, nas ações oficiais do Papa com as conferências episcopais e em organismos internacionais como a ONU, Unicef e outros. O Vaticano tem relações diplomáticas com 184 países, além de algumas organizações. O representante oficial é um bispo que exerce o cargo de Núncio Apostólico.
A Igreja considera o caminho diplomático a melhor forma de resolver conflitos entre países e grupos. Atualmente, estamos assistindo a uma crescente quantidade de conflitos internacionais bélicos. São tantas guerras que apenas algumas se tornam notícia, a ponto de o Papa Francisco afirmar que já se vivia uma terceira guerra mundial de forma fragmentada. Nas últimas duas semanas, por exemplo, duas igrejas católicas foram atacadas: uma com armas de fogo e outra com homens-bomba. Em ambas, todos morreram. Isso não foi notícia.
A diplomacia da Igreja Católica já mediou muitos conflitos internacionais que tiveram resultados positivos. É bom recordar que nenhuma outra religião possui um serviço diplomático, e que a diplomacia da Igreja Católica é muito respeitada no mundo diplomático e político. Quero apresentar a posição da Doutrina Social da Igreja Católica em relação à guerra.
Os números 2307 a 2317 do Catecismo da Igreja Católica tratam da guerra, cujo subtítulo é Evitar a Guerra. Nele se lê: “O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e injustiças que toda guerra traz consigo, a Igreja exorta instantemente a todos para que orem e atuem para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra... cada cidadão e cada governante deve trabalhar no sentido de evitar as guerras. No entanto, enquanto subsistir o perigo de guerra e não houver uma autoridade internacional competente, dotada dos convenientes meios, não se pode negar aos governos, uma vez esgotados todos os recursos de negociações pacíficas, o direito de legítima defesa”.
A guerra armada é a conclusão de que não há mais conversa, diálogo e diplomacia. É o sinal do fracasso do que nos torna humanos. As guerras nos rebaixam a uma categoria sub-humana.
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