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Hospital Santo Antonio
Tenente Portela

HSA amplia atendimento em endoscopia digestiva e oferece procedimentos especializados

Em entrevista ao Folha Popular, médica Ana Clara Cavalcante explica os procedimentos realizados, a estrutura disponível e os benefícios para pacientes de Tenente Portela e da região

27/09/2026 10h55Atualizado há 1 dia
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Dando continuidade à série de entrevistas com os profissionais do Hospital Santo Antônio (HSA), o Folha Popular conversa nesta edição com a médica Ana Clara Cavalcante, uma das responsáveis pela área de endoscopia digestiva da instituição, juntamente com Dr Reimar Bock. Formada em Medicina desde 2018, a profissional possui formação em cirurgia e especialização em endoscopia digestiva, com experiência nas redes pública e privada no Rio de Janeiro. Há cerca de um ano, atua em Tenente Portela, onde realiza procedimentos diagnósticos e terapêuticos.

Entre os procedimentos realizados estão endoscopia digestiva, colonoscopia e os procedimentos relacionados, como gastrostomia, tratamento de hemorragias digestivas, ligadura de varizes; e a CPRE, exame utilizado principalmente para tratar obstruções das vias biliares. Na entrevista, Ana Clara explica como funciona o serviço, quais procedimentos são realizados, a estrutura disponível no HSA e os benefícios para pacientes de Tenente Portela e dos municípios da região.

Folha Popular – Para começarmos, fale um pouco sobre sua formação, de onde a senhora veio e há quanto tempo está no Hospital Santo Antônio.

Ana Clara Cavalcante – Sou médica desde 2018. Logo depois de terminar a faculdade de Medicina, servi ao Exército Brasileiro, onde fui médica voluntária; sendo atualmente segundo-tenente da reserva nesta instituição. Depois, fiz residência em cirurgia, na época cirurgia básica, durante dois anos no Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro. Logo após a conclusão, iniciei a residência de endoscopia digestiva no Hospital Federal de Ipanema, também no Rio de Janeiro.

Desde então, atuei como endoscopista, tanto na rede privada quanto na pública do Rio de Janeiro. Há cerca de um ano vim para Tenente Portela e comecei a trabalhar no hospital, atendendo também na área de gastroenterologia e, principalmente, realizando procedimentos de endoscopia digestiva, com enfoque na endoscopia terapêutica e diagnóstica. Faço endoscopia, colonoscopia e CPRE, que é um exame das vias biliares e que ainda era muito escasso na região. Também realizo procedimentos de urgência como controle de hemorragia digestiva, remoçao de corpo estranho no trato gastrointestinal e afins, juntamente com o doutor Reimar, que é meu colega de profissão.

FP – Quais exames e procedimentos de endoscopia intervencionista o HSA oferece atualmente?

Ana – Na endoscopia fazemos procedimentos de gastrostomia, polipectomias, mucosectomia, dilatações, ligadura de varizes de esôfago, hemostasia de úlceras quando há sangramento ativo e remoção de corpos estranhos impactados.

Na colonoscopia, realizamos o rastreio do câncer colorretal, bem como a ressecçao de pólipos e demais lesões do intestino grosso, que muitas vezes são pré-malignas, evitando que virem câncer; além do diagnóstico de neoplasias colorretais, onde é possível realizar a biópsia e guiar o tratamento mais adequado para o paciente. 

Na CPRE, atuamos na desobstrução da via biliar quando há cálculo ou tumor.

FP – O que é a CPRE e em quais situações ela é indicada?

Ana – CPRE significa colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. É um exame em que acessamos as vias biliares através de endoscopia, sendo indicada normalmente quando existe obstrução, gerando icterícia (pele amarela do paciente). Geralmente isso ocorre pela migração de um cálculo da vesícula para o colédoco ou pela presença de tumores na região do pâncreas ou das vias biliares.

FP – Que tipos de doenças e problemas podem ser tratados por meio da CPRE?

Ana – Principalmente as obstruções das vias biliares provocadas por cálculos ou tumores. O procedimento permite atuar diretamente nesses casos, realizando a desobstrução da via biliar, removendo os cálculos ou passando stents, quando necessário.

FP – Além da endoscopia e da colonoscopia convencionais, quais procedimentos terapêuticos podem ser realizados no HSA?

Ana – Fazemos biópsias, dilatações, ligadura de varizes de esôfago, controle de sangramentos, ressecções de lesões  e demais procedimentos terapêuticos relacionados à endoscopia.

FP – Que estrutura, equipamentos e tecnologias são necessários para realizar esses procedimentos com segurança? O HSA já dispõe dessa estrutura?

Ana – O hospital, desde que cheguei, já possuía uma excelente estrutura, com aparelhos de última geração. Trabalhamos com equipamentos da Olympus, que contam com NBI e magnificação. Então, o HSA já tinha uma estrutura muito boa e, conforme as necessidades dos pacientes, vamos evoluindo e ampliando os recursos.

FP – Quais são os principais benefícios de oferecer a endoscopia intervencionista no próprio hospital para os pacientes de Tenente Portela e dos municípios da região?

Ana – Principalmente viabilizar a ressecção de lesões pré-malignas. Além da prevenção, conseguimos tratar situações que já estão acontecendo, como hemorragias digestivas, que são relativamente frequentes, e casos de impactação de alimentos no esôfago. Ter esse atendimento aqui permite agir de forma mais rápida e eficaz, considerando a abrangência da instituição.

FP – Antes da realização desses procedimentos no HSA, para onde os pacientes que precisavam de exames como a CPRE eram encaminhados?

Ana – Eram encaminhados normalmente para Ijuí e Passo Fundo.

FP – A realização desses procedimentos no HSA pode reduzir o tempo de espera e a necessidade de deslocamento dos pacientes para outros centros?

Ana – Sem dúvidas. Os pacientes, às vezes, demoravam até 60 dias para conseguir realizar o procedimento. Então, é algo que tem ajudado bastante, tanto pela redução do tempo de espera quanto pela possibilidade de fazer o atendimento resolutivo mais próximo de casa.

FP – Quais profissionais precisam estar envolvidos em um procedimento de endoscopia intervencionista e como está formada a equipe do HSA para esse atendimento?

Ana – Normalmente, contamos com um anestesista e o endoscopista, além da equipe técnica de enfermagem, que auxilia durante os procedimentos.

FP – Quais são os procedimentos mais complexos que o hospital está preparado para realizar e existe previsão de ampliar gradualmente esse serviço?

Ana – A CPRE é um dos principais procedimentos, assim como a mucosectomia, que permite a remoção de lesões mais profundas que os pólipos convencionais. O serviço pode evoluir gradualmente conforme as necessidades dos pacientes e a estrutura disponível.

FP – Qual é a importância da endoscopia intervencionista dentro do processo de modernização e ampliação dos serviços oferecidos pelo HSA e qual impacto isso pode ter para toda a região?

Ana – Principalmente favorecer o rastreio de lesões e evitar que elas evoluam para lesões malignas, que é uma das maiores preocupações. A possibilidade de diagnosticar e tratar essas alterações de forma mais precoce é muito importante para a prevenção e para o cuidado com os pacientes da região.

FP – A senhora poderia falar um pouco sobre o volume de atendimentos realizados mensalmente?

Ana – Normalmente, realizo cerca de 200 colonoscopias, 100 endoscopias e aproximadamente 10 CPREs por mês. O doutor Reimar também realiza atendimentos e procedimentos.

FP – Quais cuidados o paciente precisa ter antes de realizar esses exames?

Ana – Cada exame tem um preparo específico. Para a endoscopia e a CPRE, é necessário jejum. Já na colonoscopia, é preciso fazer uma dieta na véspera e utilizar medicamentos para realizar a limpeza adequada do intestino. Em caso de uso contínuo de demais medicamentos, orientamos também se deverão ser mantidos ou suspensos.

FP – Quais sintomas podem indicar a necessidade de procurar avaliação nessa área?

Ana – Na endoscopia, os pacientes normalmente apresentam dor epigástrica ou abdominal, náuseas, vômitos, refluxo, perda de peso e outras queixas gastrointestinais. Também pode haver anemia ou hemorragia digestiva, como fezes escurecidas ou vômitos com sangue. Investigamos ainda casos de diarreia crônica e deficiências vitamínicas.

Na colonoscopia, a recomendação de rastreamento a partir dos 45 anos já é preconizada, tanto para homens quanto para mulheres. Também recebemos pacientes encaminhados após resultado positivo de sangue oculto nas fezes, sangramento intestinal, perda de peso ou suspeita de tumor.

FP – Para evitar problemas relacionados a esses exames, quais precauções o paciente deve ter?

Ana – É importante que o procedimento seja realizado por um profissional de confiança, com formação e experiência na área. Seguir corretamente o preparo indicado, informar as doenças de base, os medicamentos de uso continuo e as cirurgias prévias também são essenciais. Além de contar com uma equipe e estrutura adequadas para oferecer suporte caso ocorra alguma intercorrência.

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