
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Os brasileiros não tem ideia do que está acontecendo na geopolítica e na política nacional. Isso fica bastante óbvio quando ouvimos os comentários gerais sobre a economia, as guerras, as bolsas de valores e, principalmente, sobre assuntos como democracia, estado de direito e soberania.
A grande maioria da população está submersa em uma avalanche de informações que brotam por todos os lados, sejam do Youtube, do Watts, do Face ou da grande mídia. Essa avalanche é a causa da desinformação, pois não existindo fontes confiáveis, cada uma passa a confiar naquela informação que fundamenta suas vontades em suas próprias percepções superficiais.
As pessoas que não possuem condições intelectuais para formatar sua própria convicção sobre os fatos políticos ou econômicos, necessitam de porta vozes, precisam de “comentaristas políticos ou econômicos” para fazer a triagem das ideias.
Ocorre que esses comentaristas são contratados por empresas de informação que possuem interesse na construção das narrativas políticas e econômicas e, por isso, fazem seus comentários direcionando as conclusões em favor do interesse da imprensa e de seus anunciantes, ou seja, do poder econômico e da cúpula do poder político.
A população, desavisada, que quer participar do debate, pega os argumentos prontos e sai reproduzindo entre si. Como os argumentos prontos são muito parecidos, os cidadãos começam a pensar que aquilo que os “especialistas” estão falando é a verdade e passam a se sentir “informados”, mas na verdade foram “adestrados” pelos comentaristas.
Quando pessoas com avaliações críticas e autônomas apresentas suas avaliações alternativas, mostrando uma outra lógica e uma narrativa mais coerente, a população não aceita, pois seu pensamento já está domesticado pela interpretação dos “especialistas” que na verdade são comentaristas do próprio interesse.
Agora, na crise do STF, vemos tantos especialistas em ciência política quantos treinadores de futebol o país pode ter na época da copa do mundo. Milhões de pessoas, que não sabem como funciona a estrutura da manutenção das instituições e da soberania nacional, se manifestando e, sem qualquer noção da importância do tema, fazendo seus julgamentos superficiais e misturando uma crise institucional com a eleição presidencial.
Os grupos políticos e econômicos que estão infiltrados dentro da república, continuam rasgando a soberania em favor de seus interesses. Já escrevi anteriormente que o STF está sendo desautorizado enquanto Guardião da Constituição e isso não é bom para o povo brasileiro.
Saber distinguir o Executivo Federal de seus ocupantes, assim como saber distinguir o Parlamento do país de seus parlamentares serve, também, para a distinção do STF de seus Ministros. Uma coisa é termos presidente ruim, parlamentares ruins ou Ministros corruptos, outra coisa é matarmos as instituições brasileiras, estraçalhar a democracia e deixar o país vulnerável em sua soberania, por estimularmos as brigas políticas irresponsáveis de grupos de poder, sejam eles quais forem.
Em momentos críticos como esse surgem as oportunidades para pesquisar, descobrir a verdade através de senso crítico e não se deixar levar por “comentaristas contaminados”, indo à fundo na descoberta dos fatos e ajudando a salvar ou a restaurar as instituições que ainda servem de garantia para a maioria da população.
Sensação
Vento
Umidade