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De Olho na Ideia

De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos

11/07/2025 17h21
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Søren Kierkegaard é um pensador dinamarquês, conhecido como o pai do existencialismo. Ele viveu de 1813 até 1855 e disse muitas coisas interessantes, mas, entre elas, refletindo sobre o autoengano, disse: “Há duas maneiras de ser enganado. Uma é acreditar no que não é verdade; a outra é recusar a acreditar no que é verdade”.

Vivemos em um período em que “recusar a acreditar no que é verdade” virou moda e, até mesmo, motivo de orgulho. Com a onda de desinformação cada vez mais intensa, a população já não acredita em mais nada e, incrédula, acaba sendo vítima de manipulações.

O último tarifaço de Trump está demonstrando que a população prefere não acreditar na verdade, pois está de olhos vendados pela paixão e pela irracionalidade.

Vejamos que os Estados Unidos da América são o país que mais defendeu, historicamente, o discurso da democracia e da liberdade, inclusive fazendo inúmeras guerras dizendo combater “governos tiranos e antidemocráticos”. Falavam, os economistas liberais e neoliberais, que o livre mercado era um princípio inquestionável e que a livre concorrência deveria colocar aqueles que têm mais qualidade em vantagem, e aqueles que não possuem tecnologia ou organização deveriam “se esforçar mais”.

Agora, Trump faz tudo ao contrário do que os americanos sempre defenderam. Age de forma autoritária, não dando direito às outras nações de se organizarem e, ainda, resolve taxar o comércio de outros países, agindo de forma protecionista, ou seja, defendendo o Estado norte-americano com taxações altas.

Com essas taxas elevadas, inclusive para os produtos brasileiros, Trump age em favor da sua soberania e contra a soberania do Brasil. Aí é que surge a frase de Søren Kierkegaard, dizendo que as pessoas preferem se recusar a acreditar na verdade.

A verdade é que Trump está agindo contra a economia do Brasil, e muitas pessoas que andam com a bandeira do Brasil nas costas estão dando razão a Trump e a essa taxação por pura “paixão política” e ilusão. De alguma forma, estão conseguindo criar, dentro do Brasil, um conflito no qual as pessoas não conseguem mais distinguir o que é bom para o desenvolvimento econômico nacional e o que é bom para a elite, que está submetida a interesses de grupos econômicos internacionais.

As pessoas estão sendo levadas a agir contra o próprio interesse, incentivadas por uma paixão irracional e por indução ocasionada pela falta de reflexão. Qualquer pessoa que se diz patriota deveria ter a noção de que, quando se fala em pátria, não estamos falando da pátria de uns e não dos outros; a pátria é de todos, e as questões de soberania importam somente ao povo interno do território.

O povo brasileiro, por ingenuidade, falta de senso crítico e até mesmo ignorância, está deixando seus interesses reais e prioritários de lado, optando por uma guerra de versões e narrativas que ajudam a esfacelar o país por dentro. Um brasileiro que se diz patriota e defende o tarifaço de Trump não pode ser chamado nem de brasileiro, nem de patriota. É por não entender a noção de patriotismo, por não perceber que o que constrói uma nação é a união interna, que as nações se esfacelam e se corrompem, até mesmo entrando em ebulição e colapso, com guerras e revoluções.

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