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O Pai-Nosso

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Visão de Fé

Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen

24/07/2025 19h26
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

No tempo de Jesus, havia muitos mestres, chamados rabis, que apresentavam uma interpretação ou devoção própria da fé judaica. Um exemplo contemporâneo a Jesus, que se encontra nos Evangelhos, é João Batista. Uma das características de cada grupo era ter uma oração de identificação, como hoje temos uniformes, logomarcas, slogans ou hinos. As orações eram uma síntese do que se acreditava.

Os discípulos de Jesus lhe pedem uma oração. Em Lc 11,1 se lê: “Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista também ensinou os seus discípulos.” Foi em resposta a esse pedido que o Senhor confiou aos seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental, nos ensina o Catecismo da Igreja Católica. A oração que hoje recitamos se encontra no Evangelho de Mateus, que contém sete petições. Com o passar do tempo, a liturgia da Igreja acrescentou a doxologia: “Porque vosso é o poder e a glória por todos os séculos dos séculos.”

A oração conhecida como Pai-Nosso é um resumo de todo o Evangelho de Jesus Cristo. Mais do que uma fórmula a ser repetida de modo orante ou uma marca de identificação, ela é um caminho, um itinerário que o discípulo deve seguir. O Pai-Nosso foi ensinado aos seguidores de Jesus como uma orientação permanente para a vida cristã.

É importante perceber que Jesus não rezava o Pai-Nosso, pois há uma diferença de filiação entre Jesus e nós. Em outras ocasiões, Jesus distinguia o “meu Pai” (de Jesus) do “vosso Pai”. “Quando rezardes, dizei...”

O que nós pedimos na oração já é realidade em Jesus Cristo. Para o cristão, chamar Deus de Pai é uma aceitação da filiação divina adotiva; santificar o Seu Nome é uma decisão diária; esperar o Reino de Deus é o horizonte de toda a vida; fazer a vontade de Deus é ser sempre obediente a Ele. Pedir o pão cotidiano é assumir o trabalho para que ele venha à mesa; perdoar e ser perdoado é uma atitude interior e exterior; não cair em tentações significa vencê-las, como Jesus o fez.

O que pedimos diretamente ao Pai é que Ele nos livre do mal. Essa realidade já aconteceu com Jesus, quando Ele venceu o último inimigo — a morte — na cruz e ressurreição. Cada um de nós ressuscitará para o bem ou para o mal, segundo a nossa escolha.

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