
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Vamos pressupor que o grande pecado original venha da ideia do fruto proibido. A metáfora diz que a humanidade escolheu comer da “arvore do conhecimento” e, com isso, desligou-se do éden.
Se foi o conhecimento que trouxe os humanos para fora do paraíso, o conhecimento seria uma ferramenta diabólica, algo que fez mal aos humanos, algo que fez os humanos se acharem deuses e tentarem se igualar aos seus superiores, tirando-os da zona de conforto e das delícias do paraíso.
Ao que parece a escolha da humanidade foi a de entender o que estava acontecendo e por isso ganhou o direito de pensar para descobrir. Alguns dizem que essa tomada de consciência foi uma maldição, outros dizem que foi uma dádiva.
Os que dizem que foi uma maldição afirmam que o pensamento não serve para nada, que é uma forma que a humanidade inventou de querer se comparar aos deuses, outros dizem que o pensamento é a ferramenta que os próprios deuses nos deram para encontrar uma saída, uma explicação para as incógnitas.
Aqueles que não querem pensar preferem acreditar em alguma coisa que os outros pensaram, sejam deuses ou humanos que se disseram deuses. Aqueles que resolveram pensar preferem duvidar das histórias prontas e questionar.
Aqueles que não gostam de pensar preferem ser obedientes e aqueles que optam por raciocinar são vistos como contestadores e, até mesmo, petulantes ou desrespeitosos com as verdades divinas.
Se os humanos são os únicos que possuem a capacidade de pensar e, por isso são os diferentes, é o raciocínio que nos distingue dos outros animais e, quem sabe, seja a forma de raciocínio que praticamos que nos distingue dos deuses. Pode ser que os deuses também pensem, mas pensem mais e melhor que nós e por isso nos deram a capacidade de pensar para que aprendêssemos a pensar como eles.
Seria muito interessante se essa hipótese tivesse algum nexo, pois então somente iriam para o céu, ou de volta para o paraíso, não aqueles que acreditam em dogmas antigos ou contos fantasiosos, ou livros mágicos, mas aqueles que se esforçassem para aprender a pensar como os Deuses e mais, entendessem que o verdadeiro trabalho da humanidade é aperfeiçoar o pensamento para conseguir construir a paz, a concórdia e a união.
Aqueles que gostam de chamar os outros de vagabundos e não gostam de exercitar o pensamento poderiam correr sérios riscos de ir pro inferno, pois provavelmente os deuses iriam querer lá no seu paraíso, gente com quem pudessem conversar e comungar e não gente que justificasse a violência, por preguiça de pensar para entender o sentido das coisas.
Sensação
Vento
Umidade