Mercado do povo
F&J Santos
Sala
Hospital Santo Antonio
Rádio Municipal
Fitness
Ponto Grill
Portela FM
Meganet
APPATA
Niederle
Pizzaria Alcapone
Lazzaretti
Sicoob
Vento Sul
Unimed
Tarzan
Sicredi
Mecânica Jaime
Coluna

Os Alienistas

Coluna

De Olho na Ideia

De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos

14/08/2025 20h26
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O professor João Cezar de Castro Rocha pesquisou as táticas da extrema direita no Brasil e desvendou os métodos usados para criar a polarização e os conflitos que estão rasgando a sociedade brasileira ao meio.

Professor de história e literatura, intrigado com o andamento e a eficiência da comunicação de grupos extremistas, foi ler Olavo de Carvalho para entender como a Cambridge Analytica, uma empresa que trabalha com algoritmos e espelhamento de interesses dos usuários de redes sociais, realizava sua persuasão.

Entre os diversos modelos de interferência, ele pesquisou a forma como o discurso de ódio é elaborado e reproduzido para captar a mente de pessoas menos desenvolvidas intelectualmente.

As pessoas que não possuem senso crítico são, geralmente, incapazes de perceber que estão sendo alienadas e induzidas a tomar decisões que podem prejudicar a si próprias. Essas pessoas, que ignoram as armadilhas do ódio, são estimuladas a desenvolver uma certa raiva de temas relacionados a costumes e, por não terem conhecimento sobre eles, mantêm distância de qualquer assunto que os aborde.

Um desses temas é a educação sexual infantil, que nada tem a ver com a sensualização de crianças ou com relacionamentos envolvendo kits gays ou “mamadeiras de pirocas”, mas trata de biologia, higiene, respeito à intimidade, funcionamento dos órgãos reprodutores e diversas questões de saúde, como doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência, entre outros assuntos.

Para estimular o ódio, junta-se uma tese imaginária, como a do “kit gay” — que nunca existiu — à educação sexual, que existe. Isso dá certa credibilidade ao discurso de ódio e faz com que pessoas que ignoram a importância da educação sexual infantil pensem: “estão ensinando indecências nas escolas”. Naturalmente, isso cria pânico, pois a escola deveria ser um lugar de segurança, e não de depravação.

A pessoa ignorante, que não consegue distinguir o certo do errado, fica angustiada e desenvolve um mecanismo de defesa da família, gerando ódio aos professores, à escola e às instituições. Para ela, a ira é justificada, pois está defendendo aquilo que considera mais importante: seus filhos. Mesmo depois de descobrir que a situação não era como diziam, muitas pessoas continuam a cultivar aquele ódio e a acreditar no discurso inicial.

Se forem criadas diversas narrativas nesse sentido, em várias frentes — como religião, tributos, imigração e outros temas — constrói-se uma enorme carga de ódio que, em algum momento, tende a vir à tona.

A polarização política é alimentada por esse sistema, e quanto mais polarizada for uma sociedade, mais estressada ela se torna, criando um redemoinho que suga as pessoas para discussões, litígios, inverdades, ressentimentos e violências.

Quando uma sociedade chega a esse ponto, ainda existe uma encruzilhada que pode decidir seus rumos. As pessoas podem retomar suas consciências e escolher o caminho da construção do diálogo e da coerência, ou apostar na divisão induzida. Em um caso, a sociedade sai ganhando; no outro, ganham os polarizadores.

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários