
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Até onde é teatro e até onde dá para levar a sério o comportamento de Trump? Tudo leva a crer que o presidente dos Estados Unidos usa sua fama de maluco para criar constrangimentos e narrativas que o transformem em condutor da pauta geopolítica.
Uma hora briga com a China, eleva taxas de importação em até 150% e, logo em seguida, cria uma situação constrangedora com a União Europeia, retirando o apoio à guerra na Ucrânia e desmoralizando Zelenski.
Após tudo isso, baixa a guarda, reduz tarifas e faz um acordo multimilionário com a União Europeia, praticando as mesmas táticas com a China. Em ato contínuo, muda suas baterias para o Brasil, anunciando taxação de 50% sobre produtos brasileiros, afirmando que é em decorrência de abusos contra os direitos humanos por parte do poder judiciário, atacando frontalmente ministros do STF.
Concomitantemente, passa a criar tensões com a Venezuela, afirma que é um estado de narcotraficantes e que vai tomar medidas contra o regime, mandando navios de guerra para perto da América Latina e aviões secretos para o Rio Grande do Sul.
Ainda, em curto espaço de tempo, chama Putin para uma reunião no Alasca, supostamente com o objetivo de acabar com a guerra na Ucrânia e, depois, realiza uma reunião com os líderes da União Europeia, na tentativa de demonstrar que possui algum controle sobre a situação da guerra.
Até onde vai essa sequência desenfreada de eventos é impossível prever; eles não param de acontecer e, a cada dia, surge uma nova linha de ação que gera a impressão de protagonismo de Trump no mundo. Até lembra outras sequências de falas esquisitas que aconteceram no Brasil há pouco tempo.
Bem ou mal, a tática de marketing está funcionando, e os holofotes estão todos voltados para o ator principal e sua minissérie de muitos capítulos. Como acabará essa saga é uma incógnita; nem o analista mais astuto consegue prever os movimentos que o dirigente do país mais influente do mundo fará.
Será que ele vai conseguir a paz? Será que ele vai invadir a Venezuela? Será que ele vai manter os níveis elevados de taxação? Será que ele é mais amigo de Putin do que da Europa? Será que ele vai propor uma guerra contra a China? Será que ele é somente um canastrão que está aproveitando o momento para fazer o dólar subir e descer com o objetivo de lucrar com seu cargo e seu poder? Será que tudo isso faz parte dos últimos momentos de uma potência que está se desintegrando? Essas perguntas somente o futuro responderá.
Sensação
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