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Mudanças setembrinas

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Visão de Fé

Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen

05/09/2025 09h30
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Setembro é o mês do início da primavera no hemisfério sul do mundo. Há uma data fixa, determinada pelo equinócio de primavera, neste ano em 22 de setembro. Essa data é apenas uma referência. Na realidade, as transformações são mais elásticas, pois a natureza segue um ciclo de renovação que acontece em torno desse período. O ser humano também é influenciado e determinado pelo ambiente natural. Recordamos que, no Brasil e no estado gaúcho, setembro marcou mudanças significativas, dentre elas a Proclamação da Independência de Portugal e a Revolução Farroupilha.

Os dois movimentos históricos se enquadram dentro das ideologias insurgentes que se consolidavam na sociedade ocidental da época. Em setembro de 1822, o Brasil Colônia se declarava separado e independente do Reino de Portugal.

Em 1776, as Treze Colônias norte-americanas se declaravam separadas e independentes da Grã-Bretanha imperial, criando a República dos Estados Unidos da América. O modelo republicano foi crescendo como ideal, originando organizações que lutavam por sua implantação. O mesmo aconteceu em diversos lugares do Brasil Império e, em 1835, iniciou-se um movimento, no atual Rio Grande do Sul, para transformar a Monarquia em República. O movimento foi sufocado em 1845, após uma década de batalhas violentas. Quarenta e quatro anos depois, em 1889, o Brasil deixou de ser uma Monarquia e se tornou República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1967, o país passou a se chamar República Federativa do Brasil.

Atualmente, as palavras separação, independência e autonomia têm uma realidade diferenciada dos séculos passados. Vivemos em um mundo globalizado, sem a possibilidade de uma autonomia absoluta. Há países com maior capacidade de subsistência, no entanto, parafraseando um ditado sobre o ser humano, nenhum país é uma ilha. Mesmo que o seja geograficamente, isso não vale para as relações internacionais.

Os primeiros astronautas relatavam que, do espaço, não percebiam nenhuma fronteira ou divisão política na Terra. Quando olhamos imagens satelitais do clima, nenhum país, regime ou forma de governo libera ou impede ondas de calor, frentes polares, temporais, ventos e tempestades por decretos ou leis.

Independência é autonomia com conhecimento de limites e carências, e disponibilidade de capacidades e potencialidades. Separar tem sentido quando fortalece a autonomia para a relação, contribuindo para a melhoria de todos os pares.

Que os ventos setembrinos nos levem a um movimento de maior autonomia, criando mudanças para o bem das sociedades.

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