
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
O ser humano sempre teve desejos próprios e pessoais, desde o começo da humanidade, seja lá quando isso ocorreu. Logo que a criança passa a se compreender como indivíduo, começa a criar um mecanismo de defesa de sua própria identidade; começa a perceber o que quer, o que gosta de comer, o que gosta de vestir, como gosta de se relacionar com os outros.
Quanto mais um indivíduo vai se conhecendo, se reconhecendo e se testando no mundo, mais vai desenvolvendo mecanismos de defesa para não ser consumido pela coletividade. Por isso, cria narrativas sobre suas próprias vontades e justificativas para agir como age, ser como quer ser.
Quando começamos a nos tornar adultos, já temos bem definidas, através da experiência da infância e da juventude, atitudes que não gostamos, ações com as quais não concordamos e métodos que gostamos ou pretendemos evitar. Criamos, assim, uma narrativa de nossos próprios desejos, de nossa forma de agir.
Quando defendemos nossa individualidade, seguimos um roteiro em que não interessa o que os outros pensam, mas aquilo que nós desejamos do mundo e, assim, passamos a fortalecer um racionalismo egóico — uma forma de pensar que justifica e favorece nossas vontades enquanto indivíduos que, de certa forma, foram polidos através das relações que tivemos com a sociedade.
Mas o desejo de sermos livres e de não precisarmos dar satisfação a ninguém está sempre latente, sempre esperando para ganhar espaço. Isso acontece com todos os seres humanos desde que a humanidade e a racionalidade começaram.
Agora, porém, estamos vivendo um momento bastante significativo dessa história, pois as pessoas que possuem esse desejo estão começando a se encontrar e a se identificar com uma espécie de “Barbárie do Desejo”, onde o desejo de colocar sua individualidade acima dos outros está tendo voz e ecoando pelas mídias sociais.
A Barbárie do Desejo é uma espécie de sensação em que as pessoas estão sentindo que não interessam os outros, o contexto, o meio ambiente ou qualquer coisa que limite sua liberdade. Simplesmente estão reivindicando sua liberdade — a liberdade de não pensar, de não entender e de apresentar as suas narrativas, por mais estranhas ou inconsistentes que sejam — como narrativas justas, coerentes e verdadeiras em favor do seu interesse próprio.
Sensação
Vento
Umidade