
Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen
Tive a oportunidade de conhecer duas pessoas que hoje são veneradas como santos na Igreja Católica: a Madre Teresa de Calcutá e o Papa João Paulo II. Santa Teresa de Calcutá foi uma das pregadoras do Retiro para o Clero que aconteceu em Roma, no ano 2000, por ocasião do Ano Santo dos dois milênios do nascimento de Jesus, do qual participei. São João Paulo II, encontrei em diversas ocasiões da minha vida de seminarista e padre.
Madre Teresa é chamada Mãe dos Pobres. Seu trabalho na cidade de Calcutá, na Índia, consistia em acolher os miseráveis que chegavam àquele lugar sagrado da religião hindu e morrer o mais próximo possível do Rio Ganges, o mais sagrado de todos os rios indianos. Ela e suas irmãs acompanhavam os últimos momentos de vida desses peregrinos, limpando seus corpos, oferecendo-lhes abrigo sobre uma cama e, muitas vezes, segurando suas mãos até a hora da morte. Buscavam consolar e proporcionar uma morte digna.
Quando ouvi sua pregação em Roma, ela era uma mulher miúda, idosa e frágil. Suas palavras não foram uma análise sobre as causas da pobreza, tão extrema na Índia — ela nunca negou isso. Para nós, padres, repetia a importância e a necessidade de rezar sempre, mesmo nas piores adversidades. A ação e a caridade vêm como consequência.
Meu primeiro encontro com o Papa João Paulo II foi em Porto Alegre. Fazia parte do coral que cantou na missa celebrada na rótula que hoje leva seu nome. Depois, participei de muitas celebrações e eventos em que ele esteve presente. Nos anos em que morei em Roma, conversei com ele em quatro momentos distintos. Em 1980, ele estava com todo vigor físico; em 2001, quando o vi pela última vez, já apresentava fraqueza física, mas irradiava uma grandeza espiritual extraordinária. Quando concelebrei em sua capela privada, ao entrar, ele estava ajoelhado rezando há algum tempo, como era seu costume. A oração era uma de suas fontes fundamentais.
Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II se conheceram e tinham uma admiração mútua. Um rezava pelo outro; ambos amavam o mesmo Senhor Jesus e O serviam de modos diversos: Teresa em cada pobre em suas necessidades imediatas, João Paulo em cada fiel, mas também no mundo inteiro. Foi ele quem conduziu a Igreja Católica para o terceiro milênio.
Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II, rogai por nós.
Sensação
Vento
Umidade