
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Existia uma religião, no sul da França, lá no século XII, que tinha um conceito diferente das religiões de hoje. Eles acreditavam no dualismo, no ascetismo e na reencarnação. Era um povo pacífico. Chamados de “homens bons” ou “bons cristãos”, eles agiam sempre em desacordo com a maldade da religião católica.
Quando falavam em dualismo eles diziam que acreditavam no bem e no mal, que o bem era divino e o mal era terreno, que os homens eram maus e dominados pelas forças do mal, com o objetivo de buscar o bem e se purificar através da reencarnação, como se fosse um movimento de passar diversas vezes por peneiras mais estreitas para ir tirando as impurezas da existência. Para eles existia um deus bom e um deus mau.
O ascetismo se referia a viver sem luxos, adotando uma vida simples e suficiente, como fazem aqueles que praticam o minimalismo nos dias de hoje. Eles rejeitavam a riqueza e a ostentação, não eram favoráveis ao casamento, não acreditavam no matrimônio e, também, eram totalmente contra a hierarquia da igreja da época. Eram contra a inquisição.
Para eles a salvação era uma consequência de suas ações terrenas que os elevariam, a cada reencarnação, para uma nova realidade melhor ou pior, mais ou menos como pensam os espíritas na atualidade. Eles ainda falavam que as almas humanas eram almas de anjos aprisionadas em corpos humanos, que o trabalho de evolução era para libertar as almas do corpo biológico terreno.
Esse povo vivia na região do Languedoque, no sul da França, e eram chamados de cátaros ou albigenenses. E por terem suas próprias convicções religiosas e confrontarem a estrutura de poder da época, foram considerados hereges.
Antigamente, ser considerado herege era quase como ser um soldado do diabo e justificava, inclusive, queimar, estuprar, torturar, degolar e decapitar as pessoas, mesmo que fossem conhecidos por toda a região como “homens bons” ou “bons cristãos”.
Depois de serem considerados hereges, esse povo sofreu, por 35 anos, com uma guerra contínua dos nobres da igreja, incluindo os Templários, que faziam parte do exército do Vaticano. A guerra contra esse povo pacífico foi chamada de Cruzada Interna, determinada pelo Papa Inocêncio III e ocorrida entre os anos de 1209 e 1244.
Olhando hoje para a história fica cômico observar o nome do Papa naquela época. Esse Papa poderia ser chamado de qualquer coisa, menos de Inocêncio.
Com o argumento de perseguir 200 hereges, os justos guerreiros da igreja católica romana mataram 20.000 cátaros, dizendo que não conseguiam distinguir entre os “perseguidos” e os inocentes. O inquisitor, representante da igreja, na época, falou: “matem todos, inclusive mulheres e crianças, que deus vai acolher da melhor maneira as vítimas inocentes”.
Quando se chegou à conclusão que a história se repete, foi por essas coincidências como a que está acontecendo hoje em Gaza. Se lá no século XII mataram todos em busca de 200, na Palestina estão fazendo o mesmo em busca de “terroristas”.
Hoje sabemos que os cátaros procurados não eram hereges e sim “os bons cristãos”.
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