A produção e comercialização clandestina de carnes de frango e bovina temperadas, como linguiças, espetinhos e cortes preparados em fundos de quintal ou locais sem estrutura adequada, acende um alerta para a saúde pública. Segundo especialistas, esse tipo de prática ignora completamente as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e pode esconder riscos graves ao consumidor.
Em muitos casos, condimentos como sal, alho, urucum e até conservantes de origem duvidosa são utilizados para disfarçar sinais de deterioração, como odor forte, coloração alterada e textura pegajosa, características típicas de carne em processo de putrefação.
Além disso, ambientes sem inspeção sanitária geralmente não contam com água tratada, refrigeração adequada ou controle de pragas, o que favorece a proliferação de microrganismos responsáveis por toxinfecções alimentares.
De acordo com o médico veterinário e coordenador do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Tenente Portela, Mário Roberto Andres, o consumo desses produtos representa um risco direto à saúde da população.
“Esses alimentos muitas vezes são manipulados sem qualquer controle sanitário, em condições inadequadas e sem refrigeração. O uso de temperos pode mascarar a deterioração da carne, enganando o consumidor. É fundamental que a população tenha consciência e só consuma produtos de origem inspecionada”, alertou o veterinário.
Andres reforça ainda a importância da fiscalização contínua e da atuação conjunta entre órgãos municipais e regionais.
“A fiscalização realizada pelos serviços de inspeção e vigilância sanitária é essencial para garantir a segurança alimentar. É necessário fortalecer a atuação do SIM e das equipes regionais para coibir a produção e comercialização irregular desses produtos”, destacou.
A legislação brasileira proíbe a fabricação e venda de carnes temperadas em estabelecimentos que não possuam registro e inspeção oficial, seja municipal, estadual ou federal. Para comercialização, açougues e supermercados devem estar devidamente registrados no Serviço de Inspeção competente.
A orientação é que a população fique atenta à procedência dos alimentos e denuncie irregularidades à Vigilância Sanitária local, ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ou ao Ministério Público, contribuindo para a proteção da saúde coletiva.

Folha Popular: Com informações do Serviço de Inspeção Municipal de Tenente Portela.
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