A noite de quarta-feira, 22 de julho de 2026, marcou um momento de reconhecimento, emoção e celebração para agricultores familiares, técnicos, lideranças e entidades parceiras durante o encerramento do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústrias, realizado no Centro de Eventos Moconá, em Tenente Portela.
O encontro reuniu produtores dos municípios de Vista Gaúcha, Barra do Guarita, Derrubadas, Tenente Portela e Miraguaí, além de representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Sindicatos Rurais, administrações municipais e órgãos de fiscalização e apoio à agricultura familiar.
Durante três anos, 30 agricultores familiares participaram de um processo contínuo de acompanhamento técnico e gerencial, com visitas mensais, planejamento, capacitações, organização da produção, controle de custos, boas práticas de fabricação, regularização sanitária e estratégias para inserção dos produtos no mercado.
A técnica responsável pelo acompanhamento das agroindústrias, Jaqueline Kluge, destacou que o programa foi muito além da assistência técnica, criando vínculos, fortalecendo grupos e transformando realidades.
Segundo Jaqueline, o trabalho possibilitou avanços importantes, principalmente na organização dos empreendimentos e na legalização das agroindústrias.
“Quando iniciamos, muitos produtores estavam em uma fase de construção, buscando entender como organizar o negócio, calcular custos, melhorar processos e alcançar novos mercados. Ao longo desses três anos, vimos uma evolução muito grande. Tivemos agroindústrias legalizadas, novos produtos, participação em feiras, acesso a políticas públicas e, principalmente, famílias acreditando no potencial daquilo que produzem”, ressaltou.
A técnica também destacou a importância da formação coletiva e das trocas de experiências entre os produtores.
“O fortalecimento do grupo foi um dos grandes resultados. As pessoas começaram a conhecer o trabalho umas das outras, trocar experiências, visitar agroindústrias, compartilhar dificuldades e conquistas. A assistência técnica se tornou uma construção feita por muitas mãos”, afirmou.
Jaqueline lembrou ainda que a legalização abriu novas oportunidades para os produtores, permitindo acesso a mercados institucionais e ampliando a valorização dos alimentos produzidos na região.
“Quando uma agroindústria se legaliza, ela muda de patamar. Ela passa a ter mais oportunidades, consegue acessar programas públicos, melhorar sua comercialização e mostrar a qualidade do produto que é feito aqui”, destacou.
Resultados que transformaram propriedades - Durante o evento, foram apresentados resultados alcançados pelas agroindústrias acompanhadas pelo programa. A evolução dos indicadores demonstrou crescimento na organização, lucratividade, desenvolvimento de produtos e melhoria dos processos produtivos.
Entre os exemplos apresentados estiveram agroindústrias que iniciaram de forma informal e, com o acompanhamento técnico, estruturaram espaços adequados, conquistaram a regularização e ampliaram seus mercados.
A produtora Maria Lúcia, representando as agroindústrias legalizadas, destacou a importância do acompanhamento recebido.
“Se não tivéssemos a Jaque, o Senar e toda essa rede de apoio, talvez não estivéssemos hoje com nossas agroindústrias legalizadas. Foram muitas etapas, muitas informações e muitos desafios, mas tivemos alguém nos orientando e caminhando junto conosco”, afirmou.
Ela ressaltou que a formação também trouxe mudanças na visão dos agricultores sobre gestão e valorização da produção.
“Aprendemos sobre boas práticas, planejamento, produção, custos, lucro e investimento. Muitas vezes a gente olha apenas para o lucro, mas precisa entender que a agroindústria também é patrimônio, é renda e é futuro para a família”, explicou.
Maria Lúcia destacou ainda que a agroindustrialização fortalece a sucessão familiar e permite agregar valor aos produtos da propriedade.
“Um produto que antes era vendido como matéria-prima passa a ter outro valor quando é transformado dentro da propriedade. Isso une a família e cria novas oportunidades”, afirmou.
Reconhecimento do Senar e das entidades parceiras - A supervisora estadual de Assistência Técnica e Gerencial do Senar, Paola Iuram, destacou a importância das parcerias construídas para que o programa alcançasse resultados positivos.
“Tudo isso só é possível quando temos instituições trabalhando juntas. O Sindicato Rural, os municípios, as secretarias, a Emater, os órgãos de fiscalização e os produtores fazem parte dessa construção”, afirmou.
Paola também parabenizou o trabalho desenvolvido por Jaqueline junto às famílias.
“A Jaque não fez apenas o trabalho técnico. Ela criou vínculos, buscou soluções, fortaleceu parcerias e entregou muito mais do que era esperado. Ela conseguiu transformar a vida das pessoas porque acreditou no potencial de cada produtor”, destacou.
Segundo ela, os resultados apresentados demonstram a importância da assistência técnica contínua.
“Os números mostram uma evolução muito expressiva. As agroindústrias cresceram, melhoraram seus processos e conquistaram novas oportunidades. Esse é exatamente o objetivo do ATeG: levar conhecimento, gestão e desenvolvimento para dentro das propriedades”, afirmou.
O supervisor regional do Senar, Diego Coimbra, também ressaltou a importância do trabalho desenvolvido na região e a união das instituições.
Segundo ele, o programa representa uma ferramenta de transformação para a agricultura familiar.
“O conhecimento é o que permite que o produtor avance. Quando existe acompanhamento, planejamento e organização, a propriedade passa a enxergar novas possibilidades e consegue se fortalecer”, destacou.
Sindicato Rural destaca parceria e resultados - A presidente do Sindicato Rural, Márcia Muller, reforçou o papel da entidade na articulação das ações e agradeceu a participação dos produtores.
Ela destacou que o programa trouxe resultados concretos e fortaleceu a agricultura familiar regional.
“Ver esses resultados hoje é motivo de muita alegria. Foram três anos de dedicação, aprendizado e construção coletiva. Cada produtor que abriu sua propriedade e acreditou no processo fez parte dessa história”, afirmou.
Márcia também destacou a importância da união entre as instituições.
“Ninguém faz nada sozinho. Quando conseguimos unir Senar, Sindicato Rural, municípios, técnicos e produtores, conseguimos transformar sonhos em realidade”, ressaltou.
Municípios destacam importância econômica e social das agroindústrias - O vice-prefeito de Vista Gaúcha e secretário municipal de Agropecuária, André Danette, destacou que o fortalecimento das agroindústrias representa desenvolvimento econômico para toda a região.
“Precisamos valorizar aquilo que é produzido aqui. Não podemos trazer de fora produtos que nossos agricultores têm capacidade de produzir. Precisamos fortalecer nossas políticas públicas, criar oportunidades e garantir mercado para quem está produzindo”, afirmou.
André destacou que a união entre os cinco municípios é fundamental para ampliar os resultados.
“Temos condições de construir uma logística regional, fortalecer a comercialização e fazer com que esses produtos cheguem cada vez mais longe. O que encerra hoje é apenas um ciclo, mas o trabalho precisa continuar”, afirmou.
O prefeito de Tenente Portela, Rosemar Sala, ressaltou o crescimento das agroindústrias no município e a importância do apoio técnico.
“Quando assumimos, tínhamos duas agroindústrias legalizadas. Hoje temos dez, e queremos continuar avançando. Esse resultado vem de uma construção coletiva, do apoio das entidades, dos técnicos e principalmente dos agricultores que tiveram coragem de empreender”, destacou.O prefeito também ressaltou a importância das políticas públicas municipais para incentivar a produção local.
“Quando compramos produtos das nossas agroindústrias, estamos colocando recursos diretamente nas famílias, fortalecendo a economia local e valorizando quem trabalha no campo”, afirmou.
Fiscalização como parceria e apoio ao produtor - O fiscal sanitário da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde, Paulo Henrique Grassi, destacou que os órgãos de fiscalização devem ser vistos como parceiros dos produtores.
“Muitas vezes a fiscalização é vista como um problema, mas nosso objetivo é ajudar. Quanto menos dificuldades as agroindústrias tiverem, melhor para todos”, afirmou.
Paulo ressaltou a importância da busca por conhecimento para quem trabalha com produção de alimentos.
“Produzir alimentos exige responsabilidade. É necessário conhecer temperaturas, processos, normas e boas práticas. Esse conhecimento é fundamental para entregar um produto seguro e de qualidade ao consumidor”, explicou.
Ele também reconheceu o papel da assistência técnica na aproximação entre produtores e órgãos públicos.
“O trabalho da Jaque fez uma ponte muito importante. Ela ajudou a levar informação, orientar e aproximar os produtores das instituições”, destacou.
Uma nova etapa para as agroindústrias familiares - O encerramento do Programa ATeG Agroindústrias marcou o fim de uma etapa de acompanhamento, mas também abriu novas perspectivas para os produtores.
Mais do que regularizar empreendimentos, o programa contribuiu para fortalecer famílias, gerar renda, estimular a sucessão rural e valorizar os alimentos produzidos na região.
Com conhecimento, organização e união, as agroindústrias familiares demonstraram que a produção rural pode ir além da propriedade, conquistando mercados e levando o nome dos municípios para novos espaços.
O sentimento compartilhado durante a noite foi de gratidão pelo caminho percorrido e de compromisso com a continuidade desse trabalho de valorização da agricultura familiar.

















































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