O Movimento de Mulheres Indígenas do GT Guarita Pela Vida realizou, nesta quarta-feira, 26 de agosto, no Centro Cultural de Tenente Portela, a quinta Mobilização das Mulheres Indígenas pelo Enfrentamento às Violências. O evento reuniu lideranças, profissionais e instituições que integram a rede de proteção e trouxe, nesta edição, atenção especial à juventude indígena.
Uma das fundadoras do GT Guarita Pela Vida, a psicóloga Priscila Goré Emílio, explicou que a mobilização busca discutir pautas importantes para as comunidades da Terra Indígena Guarita, com foco na proteção das mulheres e na construção de perspectivas para as novas gerações.

“Além da pauta das mulheres indígenas, temos a nossa preocupação quanto ao futuro dos jovens indígenas. Esse primeiro dia é marcado pelas memórias do movimento do nosso território, onde estamos construindo redes de proteção para os jovens indígenas”, afirmou.
A programação do primeiro dia foi voltada principalmente aos profissionais que compõem a rede de atendimento dentro e fora do território. Durante a manhã, foram resgatadas memórias e histórias da Terra Indígena Guarita, destacando lideranças e pessoas que contribuíram para a construção e a trajetória do território.
Segundo Priscila, a proposta é aproximar os jovens de sua própria história e fortalecer a transmissão dos conhecimentos culturais entre as gerações.
“Um povo que não conhece a sua memória, não conhece a sua história. A nossa mensagem é da importância de os jovens conhecerem a sua história, honrarem os seus antepassados e compreenderem que os jovens de hoje são os nossos mais velhos de amanhã”, destacou.
Durante a mobilização, indígenas também expuseram seus artesanatos, apresentando ao público peças produzidas a partir de conhecimentos e saberes tradicionais. A exposição integrou a programação do evento, valorizando a cultura, a identidade e o trabalho desenvolvido pelas comunidades indígenas.
A fundadora do movimento ressaltou que a preservação da memória também está relacionada à garantia do futuro dos povos indígenas e à necessidade de que os serviços públicos conheçam as especificidades culturais das comunidades que atendem.
“Os serviços que atendem a comunidade indígena precisam conhecer quem é a comunidade e o território indígena. Isso envolve o acesso à saúde, à educação e à justiça”, afirmou.
Outro destaque da mobilização foi a apresentação do protótipo da primeira caderneta de saúde da mulher indígena Kaingang. O material ainda está em processo de construção e validação junto às áreas técnicas da Secretaria de Saúde Indígena, ao Movimento de Mulheres Indígenas, lideranças e demais instituições envolvidas.
A previsão é de que o lançamento oficial ocorra no próximo ano. Durante o evento, os participantes discutem conteúdos e possibilidades para a composição do material.
A caderneta deverá reunir informações relacionadas à saúde das meninas e mulheres indígenas, incluindo saúde mental, prevenção às violências, cuidados de saúde, direitos humanos e orientações sobre acesso à justiça.
Conforme Priscila, a iniciativa busca oferecer um instrumento de cuidado e orientação que considere as especificidades das mulheres indígenas e contribua para qualificar o atendimento dos serviços de saúde.
A mobilização é construída pelo Movimento de Mulheres Indígenas do GT Guarita Pela Vida e conta com o apoio de lideranças indígenas, da Secretaria de Saúde Indígena, universidades, Defensoria Pública, Ouvidoria, Governo do Estado, área da Saúde do Rio Grande do Sul, Emater e Hospital Santo Antônio, entre outras instituições.
Também participam e colaboram municípios que integram ou mantêm relação com o território, como Tenente Portela, Miraguaí e Redentora.
“Essa mobilização é construída por várias mãos. Nós, mulheres indígenas, estamos à frente desse movimento, mas conosco estão todas essas pessoas e instituições que fazem parte dessa rede”, ressaltou Priscila.
A programação segue nesta quinta-feira, 27 de agosto, das 8h às 17h, com atividades abertas à comunidade e voltadas especialmente às juventudes indígenas.
O segundo dia contará com jogos tradicionais no setor Irapuá, em Redentora, com modalidades como arco e flecha, futebol e outras atividades voltadas à valorização dos saberes e práticas dos povos indígenas.
Para Priscila, a proposta é demonstrar às novas gerações a importância da cultura, da memória e da participação coletiva na construção do futuro.
“Queremos mostrar aos nossos jovens que é possível construir um presente e um futuro onde o bem-viver possa ser fortalecido cada vez mais”, concluiu.
Folha Popular









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