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Mobilização das mulheres indígenas debate enfrentamento às violências e futuro da juventude

Quinta edição do movimento promovido pelo GT Guarita Pela Vida reuniu profissionais, lideranças e instituições no Centro Cultural de Tenente Portela

26/08/2026 14h28
Por: Júlio Santos
Fotos: Júlio Santos/FP
Fotos: Júlio Santos/FP

O Movimento de Mulheres Indígenas do GT Guarita Pela Vida realizou, nesta quarta-feira, 26 de agosto, no Centro Cultural de Tenente Portela, a quinta Mobilização das Mulheres Indígenas pelo Enfrentamento às Violências. O evento reuniu lideranças, profissionais e instituições que integram a rede de proteção e trouxe, nesta edição, atenção especial à juventude indígena.

Uma das fundadoras do GT Guarita Pela Vida, a psicóloga Priscila Goré Emílio, explicou que a mobilização busca discutir pautas importantes para as comunidades da Terra Indígena Guarita, com foco na proteção das mulheres e na construção de perspectivas para as novas gerações.

“Além da pauta das mulheres indígenas, temos a nossa preocupação quanto ao futuro dos jovens indígenas. Esse primeiro dia é marcado pelas memórias do movimento do nosso território, onde estamos construindo redes de proteção para os jovens indígenas”, afirmou.

A programação do primeiro dia foi voltada principalmente aos profissionais que compõem a rede de atendimento dentro e fora do território. Durante a manhã, foram resgatadas memórias e histórias da Terra Indígena Guarita, destacando lideranças e pessoas que contribuíram para a construção e a trajetória do território.

Segundo Priscila, a proposta é aproximar os jovens de sua própria história e fortalecer a transmissão dos conhecimentos culturais entre as gerações.

“Um povo que não conhece a sua memória, não conhece a sua história. A nossa mensagem é da importância de os jovens conhecerem a sua história, honrarem os seus antepassados e compreenderem que os jovens de hoje são os nossos mais velhos de amanhã”, destacou.

Durante a mobilização, indígenas também expuseram seus artesanatos, apresentando ao público peças produzidas a partir de conhecimentos e saberes tradicionais. A exposição integrou a programação do evento, valorizando a cultura, a identidade e o trabalho desenvolvido pelas comunidades indígenas.

A fundadora do movimento ressaltou que a preservação da memória também está relacionada à garantia do futuro dos povos indígenas e à necessidade de que os serviços públicos conheçam as especificidades culturais das comunidades que atendem.

“Os serviços que atendem a comunidade indígena precisam conhecer quem é a comunidade e o território indígena. Isso envolve o acesso à saúde, à educação e à justiça”, afirmou.

Caderneta de saúde da mulher indígena

Outro destaque da mobilização foi a apresentação do protótipo da primeira caderneta de saúde da mulher indígena Kaingang. O material ainda está em processo de construção e validação junto às áreas técnicas da Secretaria de Saúde Indígena, ao Movimento de Mulheres Indígenas, lideranças e demais instituições envolvidas.

A previsão é de que o lançamento oficial ocorra no próximo ano. Durante o evento, os participantes discutem conteúdos e possibilidades para a composição do material.

A caderneta deverá reunir informações relacionadas à saúde das meninas e mulheres indígenas, incluindo saúde mental, prevenção às violências, cuidados de saúde, direitos humanos e orientações sobre acesso à justiça.

Conforme Priscila, a iniciativa busca oferecer um instrumento de cuidado e orientação que considere as especificidades das mulheres indígenas e contribua para qualificar o atendimento dos serviços de saúde.

Rede de parceiros

A mobilização é construída pelo Movimento de Mulheres Indígenas do GT Guarita Pela Vida e conta com o apoio de lideranças indígenas, da Secretaria de Saúde Indígena, universidades, Defensoria Pública, Ouvidoria, Governo do Estado, área da Saúde do Rio Grande do Sul, Emater e Hospital Santo Antônio, entre outras instituições.

Também participam e colaboram municípios que integram ou mantêm relação com o território, como Tenente Portela, Miraguaí e Redentora.

“Essa mobilização é construída por várias mãos. Nós, mulheres indígenas, estamos à frente desse movimento, mas conosco estão todas essas pessoas e instituições que fazem parte dessa rede”, ressaltou Priscila.

Segundo dia será voltado à juventude

A programação segue nesta quinta-feira, 27 de agosto, das 8h às 17h, com atividades abertas à comunidade e voltadas especialmente às juventudes indígenas.

O segundo dia contará com jogos tradicionais no setor Irapuá, em Redentora, com modalidades como arco e flecha, futebol e outras atividades voltadas à valorização dos saberes e práticas dos povos indígenas.

Para Priscila, a proposta é demonstrar às novas gerações a importância da cultura, da memória e da participação coletiva na construção do futuro.

“Queremos mostrar aos nossos jovens que é possível construir um presente e um futuro onde o bem-viver possa ser fortalecido cada vez mais”, concluiu.

Folha Popular

  • Mobilização das mulheres indígenas debate enfrentamento às violências e futuro da juventude
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