O Centro Cultural de Tenente Portela recebeu, na noite desta segunda-feira, 19 de outubro, o recital “Canto e piano: canções brasileiras e alemãs”, com a cantora lírica Angela Diel e o pianista Fernando Rauber. A apresentação, com entrada gratuita, reuniu obras de compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, Waldemar Henrique e Chiquinha Gonzaga, além de canções alemãs.
Natural de Tenente Portela, Angela Diel iniciou sua trajetória musical em festivais da canção, inclusive no município e em Três de Maio. Posteriormente, mudou-se para Porto Alegre, onde passou a integrar o Coral 25 de Julho. A experiência contribuiu para o desenvolvimento da técnica vocal e para a descoberta de suas possibilidades como cantora.
“Eu descobri que minha voz era potente, grande, e comecei a fazer técnica vocal sozinha, daí eu comecei a atuar como solista”, relatou Angela em entrevista à Folha Popular.
Como solista, a cantora passou a se apresentar com diferentes orquestras, entre elas a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). Ao longo da carreira, participou de óperas, concertos e recitais no Brasil e no exterior. Entre os reconhecimentos recebidos estão o prêmio de melhor voz feminina no Concurso Nacional Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, e o Prêmio Açorianos de Música como melhor intérprete erudita pelo álbum Canto Brasileiro.
Disciplina e preparação vocal
A rotina de uma cantora lírica exige dedicação constante, desde a preparação técnica até a organização dos projetos e a escolha do repertório. Segundo Angela, é necessário manter uma rotina de exercícios vocais, cuidar do condicionamento físico e buscar oportunidades para se apresentar.
“Geralmente é disciplina, fazer projetos”, resumiu.
A cantora explicou que a preparação também envolve a construção de um repertório diversificado, que permita trabalhar com diferentes tradições musicais. “Você precisa procurar espaços para se apresentar, decidir os repertórios, se são canções alemãs, italianas, brasileiras, fazer um vasto repertório”, afirmou.
Sobre a técnica vocal, Angela ressaltou a necessidade de exercícios frequentes para preparar a voz para as exigências das apresentações. O trabalho, conforme ela, não se limita aos ensaios, mas faz parte da rotina de quem se dedica profissionalmente ao canto lírico.
Interpretação e emoção
Além da preparação técnica, Angela destacou a importância de transmitir ao público as emoções presentes em cada composição. Para ela, a interpretação exige que a cantora compreenda e incorpore o personagem ou a mensagem da obra.
“No palco, eu sou uma atriz, estou interpretando um personagem. Então, preciso encarnar esse personagem para passar as emoções para o público”, explicou.
A conexão com os espectadores é, segundo Angela, uma das principais recompensas da profissão. A cantora considera que o trabalho cumpre seu propósito quando consegue emocionar quem acompanha a apresentação.
“É importante a pessoa chegar e dizer assim: ‘Nossa, você lavou a minha alma hoje’. Então você sente que cumpriu o seu papel”, relatou.
Ampliação do acesso à música erudita
Durante a entrevista, Angela também abordou os desafios para aproximar a música erudita da população, especialmente das novas gerações. Na avaliação dela, a realização de apresentações nas comunidades é uma das formas de despertar o interesse pelo canto lírico.
“A única possibilidade é você, na comunidade, convidar pessoas de fora, por exemplo, cantores de ópera, fazer contato com a Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul, trazer cantores aqui, para que as pessoas conheçam o que é um tenor”, sugeriu.
A cantora defendeu a realização de espetáculos com diferentes classificações vocais, como tenor, barítono, soprano e contralto, além do incentivo à formação de corais infantis e adultos.
“Então, claro que na cidade também é importante ter um movimento, ter um coral infantil, ter um coral e trazer pessoas”, acrescentou.
Angela também elogiou a estrutura do Centro Cultural de Tenente Portela, destacando a qualidade do auditório e sua acústica como condições favoráveis para receber apresentações musicais.
Piano e canto lírico
O recital contou com o acompanhamento de Fernando Rauber, bacharel, mestre e doutor em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com experiência como solista e músico de câmara, o pianista também atuou na Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul e no Coro Sinfônico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Ao falar sobre o trabalho com a música erudita, Rauber destacou a satisfação de proporcionar ao público uma experiência musical diferente, inclusive para quem ainda não está familiarizado com esse repertório.
“É uma alegria poder trazer essa sensação boa para as pessoas, a sensação de, no final do recital, elas terem tido uma experiência diferente, enriquecedora para as suas vidas”, afirmou.
O pianista também incentivou o público a aproveitar as oportunidades de assistir a apresentações do gênero, mesmo sem conhecer previamente as obras. Segundo ele, dar uma chance a esse tipo de música pode permitir a descoberta de novas experiências culturais.
O recital reuniu canto lírico e piano em um repertório de canções brasileiras e alemãs, valorizando a música erudita e a realização de atividades culturais em Tenente Portela.
Folha Popular: Com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Tenente Portela e entrevistas com Angela Diel e Fernando Rauber




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