
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Quando Yuval Harari falou em seu livro “O Homo Deus”, que uma elite com alto poder econômico e grande conhecimento tecnológico iria se descolar da sociedade e criar uma nova casta de seres humanos, parecia uma projeção possível, mas não tão perto de se realizar.
O que vemos agora é um rápido movimento, no qual as elites globais estão, literalmente, se descolando da população
periférica do mundo. E mais: se tornando mitos e até mesmo “deuses”, como eram aqueles que viviam no Olimpo na
Grécia antiga.
Os deuses, lá na Grécia Antiga, se relacionavam com os humanos, davam ordem, organizavam a sociedade e ocupavam lugares de destaque. Eles também reproduziam com os humanos e criavam semideuses, os filhotes de divindades. As humanas mais belas disputavam os espaços no coração dos deuses para conseguir colocar um humano na descendência divina. Hoje, os novos deuses são aqueles que andam pelos céus, de helicópteros ou jatinhos, e que vivem em lindas moradas, como era o incrível Olimpo. As musas e os deuses desfilam em ilhas paradisíacas ou em iates, em calmos lagos azuis, enquanto os simples mortais assistem os movimentos por suas telas de acesso virtual ao encanto do paraíso real.
O acúmulo de conhecimento, tecnologia, recursos, intelectualidade, criou uma nova casta humana que está, realmente, se tornando quase divina.
Com a rapidez de informações e o acesso quase mundial às mídias sociais, essa elite econômica que detém o sumo da capacidade de informação, está fazendo uma ligação direta com a população mais desassistida e periférica do mundo, coisa que não acontecia antigamente. Agora, aqueles que possuem capacidade econômica e tecnologia têm um atalho de comunicação com aqueles que não possuem muitas informações e, também, estão afastados da possi
bilidade de senso crítico.
Quando um “Deus” fala com um “Simples Mortal” existe uma grande chance de que o mortal se apaixone e passe a seguir fiel e cegamente esses seres superiores. Os “deuses” podem, inclusive, convencer seus súditos a praticarem atos contra suas próprias vontades, inclusive contra suas vidas.
A internet criou a “linguagem dos deuses” e os simples mortais não estão preparados, não possuem senso crítico e nem conhecem ferramentas suficientes de comunicação para travar um debate justo com essas divindades.
A raposa conseguiu fazer uma ligação direta com o galinheiro, colocou por lá uma tela de 60 polegadas e está, todo o dia, contando uma novela que reforça a ideia de que as galinhas existem no mundo para produzir ovos e pintinhos para as raposas. O mais curioso e complexo é perceber que as galinhas estão tão emocionadas com a benevolência do
lobo que, se algum galo qualquer afirmar que o lobo não é um deus e que a novela é uma fake news, as galinhas vão enxotar o galo do galinheiro.
Enfim, cada um no seu lugar. Deuses são deuses, fiéis são sempre fiéis, lobos sempre serão lobos, e galinhas que assistem fake news vão continuar gostando de lobos que se dizem deuses.
Sensação
Vento
Umidade