
Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen
No dia 24 de outubro o Papa Francisco publicou uma Carta Encíclica com o título Dilexit nos (Amou-nos), sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus. Para o Papa, vivemos em um tempo em que já perdemos o coração humano ou podemos perdê-lo, por isso, se faz urgente agir para a sua recuperação.
Estou novamente escrevendo sobre este tema, pois o Papa lançou novas luzes para a espiritualidade católica do Sagrado Coração de Jesus.
A Carta Encíclica começa se perguntando o que entendemos quando dizemos “coração”. Coração, para Francisco, é o que revela quem realmente somos, “um núcleo que se esconde por trás de todas as aparências exteriores, mesmo por trás dos pensamentos superficiais que podem nos desviar (n.4). O coração une fragmentos e o mundo pode ser muda
do a partir dele. O Papa tem uma visão de esperança diante da realidade que pode se apresentar, muitas vezes, como desastrosa.
O coração precisa se expressar e refletir por gestos e palavras de amor. É muito importante a capacidade de olhar, de ouvir e aceitar a outra pessoa.
Desde o início de seu pontificado o Papa tem chamado a atenção para a mentalidade racionalista e tecnocrata, que atinge níveis de excesso em nossos tempos. O uso das ciências comportamentais humanas permite que se tenham pensamentos e vontades “facilmente previsíveis e, portanto, capazes de serem manipulados” (n.14). Um exemplo são as inserções digitais que recebemos nas redes sociais, baseadas nos nossos interesses pessoais.
Há uma verdade de fé que é necessária sempre ser retomada: somente Jesus salva e redime o mundo. Ao assumir a condição humana, o Filho de Deus sentiu com um coração humano que amou tanto, até dar a vida por toda a humanidade. A sua morte na cruz foi o sacrifício definitivo para a remissão dos pecados.
A Igreja entende que é possível participar, de um modo místico, deste sacrifício redentor, reparando os pecados que causaram e causam o sacrifício único de Cristo. Há um modo de participar livremente aceito no amor redentor de Jesus. Para o Papa o caminho mais simples da reparação é o amor ao próximo, algo concreto e não abstrato.
Amar é ser irmão e irmã, construir sobre ruínas, pedir e dar perdão. É um serviço a si mesmo, aos outros e à sociedade.
Sensação
Vento
Umidade