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Visão de Fé

Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen

07/02/2025 12h11
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em 264 da Era Cristã nasceu, em Roma, Biagio, em português chamado Brás, que na idade adulta se tornou médico, um bom médico. Brás não se sentia totalmente realizado em sua vida e procurava algo maior que encontrou em Deus. Primeiramente exercendo a medicina na perspectiva de Jesus e, posteriormente na vida contemplativa, retirando-se para o monte Argeu, Turquia, onde vivia em oração e penitência.

Durante sua vida contemplativa, morreu o Bispo de Sebaste na Armênia. O povo foi a procura da Brás, que tinha fama de santidade, e pediu que ele se tornasse o Bispo da Diocese de Sebaste. Aceitando esta vocação tonou-se um bispo que tinha um grande cuidado com seu povo. Era um período de perseguições à Igreja por parte do Império Romano e o Bispo Brás foi preso em 316.

Enquanto era levado para o lugar onde seria executado, o lugar de seu martírio, uma mãe lhe trouxe uma criança que tinha um espinho de peixe na garganta, algo comumente fatal naquela época. Brás fez uma oração e a criança se curou. Por esta intercessão São Brás é invocado como o Santo intercessor para as doenças da garganta. No dia 3 de fevereiro milhões de fiéis receberam a benção da garganta em nossas igrejas.

A garganta nos lembra a voz humana. Os primeiros sons que o bebê reconhece é a batida do coração da mãe e as vozes das pessoas que o cercam, especialmente a voz da mãe. A voz evoca o que temos de mais íntimo e profundo. Uma boa voz é capaz de educar ou enganar. A voz tem um poder imenso em nossas vidas. Na Igreja a voz desempenha uma função muito importante. A Bíblia, a Palavra de Deus, deve ser ouvida, o que exige que seja proferida por uma voz humana. Nas liturgias católicas a voz ocupa um lugar privilegiado.

Durante muitos séculos não se utilizava instrumentos musicais nas celebrações da Igreja. O canto gregoriano é o ápice da música sacra ocidental e não tem acompanhamento instrumental. Nas atuais liturgias, os instrumentos servem somente para acompanhar e sustentar o canto. O canto é da assembleia e não apresentação de grupos ou cantores, muito menos a performance instrumental como em uma banda. Há possibilidade de orquestras e corais, com solistas cantarem a liturgia, mas isto acontece raramente. 

Na liturgia católica há uma hierarquia. O mais importante são os ritos e os textos. Os textos podem ser lidos, recitados ou cantados. Os instrumentos musicais acompanham os ritos e os textos. A voz humana tem primazia na celebração. Os instrumentos musicais não têm função em si mesmo, servem somente para acompanhar, por isso, deve ser discretos e não se sobrepor em tempo e volume. 

Que São Brás interceda pela saúde da garganta para termos uma voz que louve ao Senhor.

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