
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
A guerra acompanha a humanidade, sendo uma das especialidades dos homens que, por seus interesses grupais, aprenderam a fazer coalizões entre tribos para defender seus territórios e suas culturas.
Povos que tinham a necessidade de se deslocar, por questões climáticas ou pela devastação de epidemias, antigamente se lançavam em grandes movimentos migratórios, invadindo espaços de outros povos, cruzando limites de caça, pesca e colheita de frutos silvestres.
Esses encontros geralmente ocasionavam guerras; os grupos que chegavam eram hostilizados ou, muitas vezes, invadiam o território daqueles que já se consideravam estabelecidos em algum vale ou planície de maior exuberância natural.
As delimitações de espaços foram sendo construídas, e limites foram forjados com lanças, espadas, arcos e flechas e, bem antes disso, com tacapes e pedras.
A violência era uma condição básica de sobrevivência, tanto contra os grandes animais quanto contra outras tribos com línguas e culturas diferentes.
A guerra continua presente na humanidade. Hoje, com mais tecnologia, inteligência e treinamento, as guerras são mais profissionais; os soldados são especializados na “Arte da Guerra” e, teoricamente, atendem aos interesses de seus países quase da mesma forma que os guerreiros antigos atendiam aos interesses de suas tribos.
Mas as guerras atuais possuem um componente diferente: mais inteligência, mais planejamento, e seus objetivos são menos importantes para os povos e mais importantes para as oligarquias que comandam as economias dos países.
Agora a equação é mais complicada, pois as guerras são permeadas por interesses diversos de grandes empresas de energia, grupos de banqueiros e indústrias estratégicas. Depois que a humanidade se tornou mais complexa e passou a considerar a violência algo negativo, foram criadas normas, regras e acordos para reduzir a crueldade e a estupidez dos humanos contra os próprios humanos.
Ainda estamos aprendendo a nova arte que deverá se sobrepor à “Arte da Guerra”, e essa nova arte é a “Diplomacia”: a capacidade de resolver conflitos por meio de acordos e diálogo, com bom senso e coerência. Essa transição entre a guerra e a diplomacia ainda terá um longo caminho, passará por algumas provações, mas, em algum dia do futuro, será mais forte do que a violência e a maldade.
Por enquanto, continuamos vendo exércitos gastando milhões em armamentos e a ciência servindo de base para a construção de armas nucleares e convencionais, em vez de estar a serviço da evolução da consciência humana e da construção de um mundo mais lógico e civilizado. Quando conseguirmos pensar civilizadamente, estaremos a um passo do fim das guerras. Mas, infelizmente, ainda agimos como guerreiros — não como os velhos guerreiros que tinham uma causa justa para lutar, mas como novos guerreiros, mais covardes e desumanos, que guerreiam em guerras que só servem aos interesses de uma minoria manipuladora de exércitos.
Sensação
Vento
Umidade