
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
A crise de governabilidade que o país enfrenta é consequência de diversos fatores que vêm se acumulando ao longo da história, desde sua origem e processo de ocupação, passando pelo regime de escravidão, pela independência e por diferentes momentos que moldaram a relação do povo com os governos.
Para se ter uma ideia, em 1940 o Brasil tinha cerca de 56% da população analfabeta. Em 2024, esse índice caiu para aproximadamente 5%, o que demonstra que apenas recentemente os brasileiros passaram a ter condições mínimas para ler e compreender o mundo ao seu redor.
Desde o período colonial, o país foi estruturado sob uma lógica de exploração. Acostumada a trabalhar para sustentar seus colonizadores, a população internalizou uma cultura de submissão. A manutenção do maior sistema escravocrata do mundo consolidou essa estrutura de obediência e desigualdade.
Historicamente , existiam duas classes: a minoria que mandava e a maioria que obedecia. Essa elite, autoproclamada superior e de origem europeia, via o país como uma imensa gleba de terras destinada a gerar lucros para suas famílias e grupos de poder.
A população, por sua vez, sem discernimento e sem senso crítico, permaneceu afastada das decisões políticas. Em quase todos os momentos decisivos da história nacional, o povo foi mero coadjuvante, raramente conseguindo interferir de forma efetiva no poder.
Nos poucos momentos em que conquistou algum protagonismo, a representação popular se deu por meio de agentes políticos comprometidos com a construção de leis, códigos e da própria Constituição Federal — instrumentos que, em teoria, deveriam garantir os direitos e interesses da coletividade.
Atualmente, observa-se uma degradação dos espaços políticos. Muitos representantes deixaram de atuar em favor do interesse público e passaram a defender os interesses de grupos de poder variados. Essa deterioração parece contínua e se retroalimenta: a população, descrente da política, passa a negligenciá-la; os representantes preparo e compromisso, frustram os eleitores; e, em um ciclo vicioso, cresce o desânimo e o descrédito nas instituições.
A crise de governabilidade, portanto, é resultado do desinteresse e do desalento do cidadão, que acaba elegendo pessoas despreparadas, tanto cultural quanto tecn icamente, para conduzir as administrações públicas. Em síntese, a desorganização do país está diretamente relacionada à falta de senso crítico dos cidadãos e à dificuldade histórica da população em se reconhecer como protagonista e administradora do próprio futuro — reflexo de uma longa herança de subserviência.
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