Com o início da Quaresma nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, os católicos iniciam um período de 40 dias dedicado à reflexão, ao autocontrole e à conversão espiritual, preparando-se para a celebração da Páscoa. O tempo litúrgico é marcado por momentos de oração, penitência e reconciliação, reforçando o convite da Igreja para uma mudança interior e prática de vida mais coerente com o Evangelho.
Em entrevista à Rádio Verdade FM, o padre Alexander Mello Jaeger, pároco da Paróquia Santa Isabel, que abrange os municípios de Vista Gaúcha e Barra do Guarita, explicou o significado deste período. “Quaresma são 40 dias em que nós nos preparamos para a Páscoa. É um tempo em que a Igreja pede para olharmos de forma mais ampla e profunda a nossa vida, vendo aquilo que precisamos melhorar e corrigir para termos um bom ano e uma vida justa”, afirmou.
O primeiro dia da Quaresma é marcado pela celebração da imposição das cinzas, rito que recorda a fragilidade humana e a necessidade de arrependimento. Ao receber as cinzas, os fiéis escutam a tradicional frase bíblica: “Do pó viemos, ao pó retornaremos”, reforçando a mensagem de humildade e conversão.
A abertura da Quaresma também marca o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Neste ano, o tema central aborda a questão da moradia digna, propondo reflexão sobre a realidade de milhares de famílias brasileiras que ainda vivem em condições precárias.
Segundo o padre, a campanha convida à consciência social e à prática da solidariedade. “Muitas pessoas ainda no Brasil não têm uma casa adequada para viver, e essa campanha traz à tona a reflexão sobre as condições precárias em que muitas famílias vivem, frequentemente expostas a tragédias como incêndios e desabamentos”, destacou.
A iniciativa busca mobilizar comunidades, lideranças e poder público para pensar soluções e fortalecer políticas que garantam habitação adequada, entendida como um direito fundamental e condição essencial para a dignidade humana.
Durante a Quaresma, a Igreja propõe práticas como o jejum, a abstinência de carne e a confissão sacramental. No entanto, o padre Alexander enfatiza que o verdadeiro sentido vai além das restrições alimentares. “Esse autocontrole da carne e da comida é apenas um símbolo. Precisamos ter autocontrole sobre outras coisas também, como as redes sociais, que muitas vezes são nocivas, ou atividades que não trazem benefícios para nós nem para os outros.”
Ele concluiu com um convite à comunidade: “Que este tempo de Quaresma seja de conversão, misericórdia e desenvolvimento do autocontrole. Que possamos viver intensamente esse tempo, voltando-nos para Deus e para o próximo.”
Folha Popular – Com informações de Paula Steffenon | Rádio e Jornal Verdade
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