A Suécia vem revisando sua política de digitalização das escolas após anos de forte presença de computadores e outros dispositivos eletrônicos nas salas de aula. O movimento ganhou força diante de preocupações com o desempenho dos estudantes em leitura e com os efeitos da exposição excessiva às telas sobre a aprendizagem.
Desde 2024, o governo sueco passou a ampliar o financiamento para livros didáticos impressos. A partir de 2026, o programa prevê investimentos anuais de cerca de 555 milhões de coroas suecas para a aquisição de materiais didáticos, reforçando a presença dos livros físicos nas escolas.
A mudança não representa, porém, a retirada da tecnologia do ambiente escolar. A proposta é estabelecer um uso mais equilibrado dos recursos digitais, especialmente nas primeiras etapas da educação, combinando ferramentas tecnológicas com livros, escrita manual e outras formas tradicionais de aprendizagem.
A discussão ganhou dimensão internacional com resultados recentes de avaliações educacionais. Dados do PISA 2025, divulgados em setembro de 2026, apontaram queda generalizada no desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências nos países da OCDE. O relatório também identificou associação entre maior exposição a dispositivos digitais e resultados mais baixos em determinadas situações, embora não estabeleça uma relação direta de causa e efeito.
No caso sueco, a revisão da política educacional começou antes dos resultados mais recentes. A estratégia adotada pelo governo busca recuperar espaço para atividades que exigem leitura prolongada, concentração e escrita, especialmente durante os primeiros anos escolares.
A mudança também envolve a forma como os dispositivos são utilizados. A preocupação não é apenas com a quantidade de tempo diante das telas, mas com a finalidade desse uso. Estudos e análises citados no debate educacional apontam que distrações digitais e multitarefa podem prejudicar a concentração e a compreensão de textos.
A experiência sueca não significa uma volta completa ao modelo anterior à digitalização. A orientação é combinar recursos tecnológicos com métodos tradicionais e utilizar dispositivos digitais de maneira mais direcionada.
A discussão também ganhou espaço em outros países. Austrália, Espanha e diferentes sistemas educacionais vêm adotando ou estudando medidas para reduzir o uso indiscriminado de dispositivos em escolas, principalmente entre crianças e adolescentes mais jovens.
A experiência sueca coloca novamente no centro do debate educacional uma questão que ultrapassa o país: qual é o ponto de equilíbrio entre tecnologia e métodos tradicionais de ensino em uma época marcada pela expansão das telas, das redes sociais e, mais recentemente, da inteligência artificial.
Folha Popular: Post de Magnéticos News OFC - Com informações do Governo da Suécia, UNESCO, OCDE e reportagens internacionais.
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