Reunindo centenas de agricultoras familiares de diversas regiões do Rio Grande do Sul, o 2º Encontro Estadual e a 1ª Feira de Agricultoras Familiares da FETRAF-RS marcaram o encerramento de um ciclo de mobilização, diálogo e formação que percorreu municípios de norte a sul do Estado. O ponto alto do evento foi a apresentação pública da Carta das Mulheres Agricultoras Familiares, documento elaborado de forma coletiva pelas participantes ao longo de meses de debates e escuta ativa nas bases sindicais.
A carta expressa as lutas, demandas e compromissos das agricultoras familiares na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e comprometida com a vida. Com o tema “Mulheres: Geradoras e Guardiãs da Vida” e o lema “Vida e Agricultura Familiar”, o encontro destacou o papel fundamental das mulheres no cuidado com a terra, na produção de alimentos e na sustentação das famílias e comunidades.
O documento enfatiza que a agricultura familiar é a base identitária e social das participantes:
“Na produção de alimentos, no manejo responsável do meio ambiente, nas plantas medicinais e na cooperação solidária está a nossa força transformadora.”
As agricultoras também denunciaram os desafios enfrentados no cotidiano dos territórios rurais, como a violência física e psicológica, a desigualdade de gênero, o preconceito e a sobrecarga de trabalho, além das dificuldades impostas por um modelo produtivo que eleva custos, reduz renda e compromete a saúde das famílias. O texto ainda chama atenção para os impactos dos eventos climáticos extremos, que “ceifam vidas, geram perdas produtivas e colocam as famílias em situação de vulnerabilidade”.
O documento reivindica políticas públicas estruturais, integradas e interseccionais, capazes de colocar o cuidado à vida no centro das decisões políticas e econômicas. As agricultoras defendem a transição sustentável dos sistemas produtivos e agroalimentares, rompendo com a dependência de grandes corporações e reduzindo o uso de insumos químicos.
O encontro estadual consolidou um processo que envolveu todas as regiões da base da FETRAF-RS, com encontros municipais e regionais que permitiram às mulheres elaborar propostas a partir de suas próprias vivências. A coordenadora de mulheres da federação, Cleonice Back, destacou o caráter coletivo e formativo da mobilização:
“Esse encontro só foi possível pelo conjunto de parcerias e pelo trabalho das coordenações regionais e municipais. Tivemos um evento maravilhoso, que fechou o ciclo de debates nos municípios, onde nossas mulheres agricultoras puderam falar dos desafios que enfrentam, do modelo produtivo e da preocupação profunda com a saúde e com a vida.”
Cleonice enfatizou ainda a defesa de uma agricultura familiar sustentável, saudável e capaz de garantir autonomia financeira e qualidade de vida:
“Queremos continuar no campo produzindo alimentos com qualidade de vida, autonomia e renda. Queremos que a agricultura familiar seja um lugar bom de viver — e, para isso, precisamos cuidar da vida, da saúde e do planeta.”
O coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci, ressaltou a dimensão histórica da mobilização estadual conduzida pelo coletivo de mulheres:
“O encontro fecha com chave de ouro um grande processo de construção em todos os municípios da base da federação. Essa mobilização é fundamental para fortalecer a organização das mulheres e avançar na conquista de direitos, dignidade e respeito. Cada mulher que esteve aqui é protagonista das lutas e conquistas que estão sendo construídas.”
A 1ª Feira Estadual de Agricultoras Familiares também teve papel de destaque, como espaço de visibilidade, comercialização e intercâmbio entre as participantes. O evento mostrou a diversidade da produção rural feminina nas agroindústrias familiares, práticas agroecológicas e sistemas de cuidado com a terra, reafirmando o protagonismo das mulheres na economia rural.
Ao final do encontro, o clima era de emoção, reconhecimento e compromisso com a continuidade da luta. Como afirma a carta, “é urgente a construção de uma sociedade que priorize o cuidado à vida”.
As agricultoras e a FETRAF-RS encerraram o evento com o sentimento de que a caminhada segue firme e coletiva. Entre abraços, reencontros e celebrações, ficou a certeza expressa em um mesmo propósito: a luta das mulheres agricultoras familiares continua — no campo, nos sindicatos, nas comunidades e em todos os espaços onde a vida precisa ser defendida e cultivada.








































Sensação
Vento
Umidade