Mas afinal, o que estaria acontecendo realmente na Venezuela? Como saber em quais das narrativas acreditar? Quais são as agências de notícias confiáveis para conseguirmos captar uma ideia mínima, que não seja totalmente marcada por viéses ideológicos e por interesses de uma ou de outra superpotência internacional?
É bastante evidente que a Venezuela não é somente um país do terceiro mundo, sem qualquer relevância ou totalmente desinteressante. Ao contrário, a Venezuela possui a maior reserva de petróleo da América do Sul e embora muitos digam que os combustíveis fósseis vão ser substituídos por energia solar ou hidrogênio verde, seu petróleo tem muito valor.
A eleição da Venezuela é tão importante para os Estados Unidos que os norteamericanos chegaram a declarar um deputado como presidente há poucos anos. Ficou conhecido como o “Caso Guaidó”. Os Estados Unidos simplesmente reconheceram Guaidó como presidente, mesmo sem ele ter se candidatado ao cargo.
Isso mostra que para os Estados Unidos não interessa muito a democracia que tanto alegam defender. Se os norteamericanos fossem realmente democratas jamais passariam por cima da soberania da Venezuela ao ponto de declarar um deputado como presidente. É como pegar qualquer deputado federal brasileiro e autoproclamá-lo como presidente da República, sem eleição, sem os mínimos trâmites democráticos.
Agora, a eleição da Venezuela está sendo colocada em dúvida. Provavelmente devem ter ocorrido fraudes, de ambos os lados, pois a influência da inteligência dos Estados Unidos está agindo diretamente na América do Sul, principalmente na guerra de informações. E o chavismo não quer entregar a presidência para um representante do mercado que, quase certo, vai privatizar o petróleo e, com isso, diminuir mais ainda a qualidade de vida do povo venezuelano, que já está abandonando o país, principalmente pela desorganização e o boicote que a Venezuela está sofrendo, nos mesmos moldes de Cuba.
A grande maioria da população compra a ideia de que o importante é levar a “democracia” para a Venezuela, mas ninguém cogita que dentro dessa “democracia” pode estar um Cavalo de Tróia. A democracia somente tem sentido se existe comprometimento do povo com suas leis e sua Constituição. Caso contrário, pode ser uma armadilha, como foi aquela que fizeram na Inglaterra com o Brexit e como fizeram na Ucrânia também.
Na Ucrânia, todos sabem o que está acontecendo. Esperamos que na América Latina consigamos acalmar os ânimos para não tomarmos decisões perigosas e que coloquem a humanidade em risco, já que fica cada vez mais evidente que está ocorrendo uma forte escalada de violência no mundo.
A queda de braço entre o governo da Venezuela e o sistema de poder que tenta dar o golpe continua, desde o tempo de Hugo Chaves, em uma luta estratégica para ver quem convence mais eleitores puxando-os para seu lado.
O povo, geralmente, não está preparado para esses jogos de inteligência e manipulação e, por isso, fica sem muita opinião e vira presa fácil dos meios de comunicação e das opiniões dos comentaristas políticos.
A questão da Venezuela é bem mais complicada do que a alegada falta de democracia. O povo pode estar tendo que decidir entre a independência, o controle do petróleo e o desgaste da democracia e do poder de Maduro, mas, por enquanto, o bolivarianismo ainda mantém, aos trancos e barrancos, o poder na Venezuela.
Sensação
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