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A conversão quaresmal: um caminho de transformação constante

Coluna

Visão de Fé

Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen

06/03/2026 08h37Atualizado há 7 meses
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação/Ascom
Foto: Divulgação/Ascom

Neste tempo sagrado da Quaresma, somos convidados a refletir sobre a “conversão quaresmal”, um processo essencial na vida de todo católico. Mas o que significa essa conversão? No coração da fé católica, a conversão não é um evento isolado, mas uma jornada contínua de retorno a Deus, inspirada no chamado de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1,15). É a metanoia, termo de origem grega que significa uma mudança radical de mente e de coração, afastando-nos do pecado e aproximando-nos da santidade, ou seja, de Deus.

Biblicamente, a conversão ecoa nas Escrituras desde o Antigo Testamento, quando os profetas, como Isaías, exortam: “Lavai-vos, purificai-vos! Afastai da minha vista as vossas más ações!” (Is 1,16). No Novo Testamento, João Batista prepara o caminho com o batismo de conversão (Mt 3,2), e Jesus a exemplifica em sua Paixão, convidando-nos a carregar a cruz diariamente (Lc 9,23). Paulo, convertido no caminho de Damasco (At 9), nos lembra que somos “nova criatura” em Cristo (2Cor 5,17), enfatizando que a conversão é um dom da graça divina, e não mero esforço humano.

Dogmaticamente, o Catecismo da Igreja Católica (CIC 1427–1433) define a conversão como resposta ao amor misericordioso de Deus, manifestada de forma muito especial no sacramento da Penitência. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium (n. 8), afirma que a Igreja é “santa e sempre necessitada de purificação”, sublinhando a conversão como processo eclesial e pessoal. Na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 109), a Quaresma é entendida como um tempo privilegiado para essa renovação, preparando-nos para a Páscoa por meio do jejum, da oração e da esmola, como ensinado por Jesus no Sermão da Montanha (Mt 6,1–18).

Praticamente, como viver essa conversão constante?

Comece com o exame de consciência diário: reflita sobre suas ações à luz dos Mandamentos e das Bem-aventuranças. Participe da Missa dominical e da Confissão frequente, sacramentos que nutrem a alma. Durante a Quaresma, adote práticas concretas: jejue não apenas de comida, mas também de fofocas ou egoísmo; reze mais, talvez com o Rosário ou a Via-Sacra; pratique a esmola, ajudando os necessitados de nossas paróquias.

Não nos esqueçamos: a conversão não termina na Páscoa. Ela é um estilo de vida, como ensina São Bento em sua Regra: “Sempre recomeçar.” Em meio aos desafios da vida rural e urbana de nossas cidades, como as secas ou as desigualdades, convertamo-nos servindo ao próximo, inspirados no Bom Samaritano (Lc 10,25–37).

Que esta Quaresma nos transforme. Que Maria, Mãe da Misericórdia, nos guie nesse caminho.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller

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