NOSSA TERRA, NOSSA GENTE - Natural de Passo Fundo, servidora aposentada do Poder Judiciário construiu uma carreira marcada pelo comprometimento com a Justiça, formou família em Tenente Portela e acompanhou de perto a transformação do município ao longo de mais de seis décadas
A história de vida de Tereza Vieira Ruttke se confunde com parte da própria história do Poder Judiciário na região Celeiro. Aos 92 anos — completará 93 anos em maio do próximo ano — ela guarda na memória uma trajetória construída com muito trabalho, dedicação ao serviço público e amor pela família.
Natural de Passo Fundo, Dona Tereza chegou ao Noroeste do Estado ainda muito jovem, depois da perda do pai, quando sua família se mudou para Iraí. Foi ali que iniciou sua caminhada na Justiça, primeiro como auxiliar do Cartório Judicial e, mais tarde, como servidora concursada.
Ao longo da carreira passou por Bom Jesus, Tenente Portela e Frederico Westphalen, onde encerrou sua vida profissional ao se aposentar. Em Tenente Portela também construiu sua família, fez amizades que permanecem até hoje e acompanhou o desenvolvimento do município desde os primeiros anos de emancipação.
Nesta edição da série Nossa Terra, Nossa Gente, Dona Tereza relembra momentos marcantes da carreira, fala sobre a família e deixa uma mensagem às novas gerações.
Folha Popular – Dona Tereza, conte um pouco da sua infância. Onde a senhora nasceu e como começou essa história que trouxe a senhora para a nossa região?
Tereza Vieira Ruttke: Nasci em Passo Fundo e vivi lá até os 17 anos. A perda do meu pai mudou completamente a vida da nossa família. Depois disso nos mudamos para Iraí, onde recomeçamos a nossa caminhada. Foi uma fase difícil, mas também de muito aprendizado e de novas oportunidades.
Folha Popular – Foi em Iraí que começou sua vida profissional?
Tereza: Sim. Eu já trabalhava antes, mas foi em Iraí que iniciei minha trajetória no Fórum. O escrivão precisava de uma funcionária e me convidou para trabalhar com ele. Naquela época eu ainda não era servidora concursada; era funcionária do cartório. Foi ali que aprendi praticamente tudo sobre o funcionamento da Justiça.
Folha Popular – Depois veio o concurso público?
Tereza: Exatamente. Fiz concurso para escrivã judicial. Passei no concurso realizado em Frederico Westphalen e fui nomeada inicialmente para Bom Jesus. Precisei assumir rapidamente para não perder a vaga. Permaneci lá poucos meses até surgir a oportunidade de vir para Tenente Portela.
Folha Popular – Foi então que começou sua história com Tenente Portela?
Tereza: Sim. Vim ainda muito jovem, com cerca de 25 anos. Aqui encontrei novamente o juiz Alaor Terra, com quem já havia trabalhado em Iraí. Isso facilitou bastante minha adaptação. O Fórum era pequeno, a estrutura era simples, mas existia muito comprometimento das pessoas que trabalhavam ali.
Naquela época tudo era diferente. Os processos eram feitos manualmente, praticamente não existiam os recursos tecnológicos de hoje e o contato com a comunidade era muito próximo.
Folha Popular – Depois a senhora foi para Frederico Westphalen?
Tereza: Sim. Continuei minha carreira no Judiciário e mais tarde fui transferida para Frederico Westphalen, onde permaneci até minha aposentadoria. Tenho muito orgulho da profissão que escolhi. Sempre procurei exercer meu trabalho com responsabilidade, respeito às pessoas e dedicação ao serviço público.
Folha Popular – Além da carreira profissional, Tenente Portela também marcou sua vida pessoal. Foi aqui que a senhora constituiu família?
Tereza: Sim. Conheci meu esposo, Paulo Gustavo Ruttke, que era policial militar. Mais tarde ele também passou a trabalhar junto ao Fórum como meu auxiliar. Construímos nossa família e tivemos dois filhos: Paulo e Vera.
Hoje também tenho três netos, que são motivo de muita alegria.
Folha Popular – A senhora acompanhou praticamente toda a transformação de Tenente Portela. Como era o município quando chegou?
Tereza: Era uma cidade pequena. As ruas eram de chão batido, havia pouca infraestrutura e tudo acontecia de forma muito lenta. O crescimento veio aos poucos. Quem viveu aquela época percebe claramente como Tenente Portela evoluiu.
Hoje vejo uma cidade completamente diferente, muito mais bonita, organizada e desenvolvida.
Folha Popular – O que mais chama sua atenção quando compara aquela Tenente Portela com a cidade de hoje?
Tereza: O desenvolvimento. Hoje o município cresceu muito. Tem mais estrutura, mais investimentos, mais oportunidades e uma qualidade de vida muito melhor do que havia antigamente.
A cidade evoluiu bastante em todos os aspectos.
Folha Popular – E como a senhora avalia o momento atual vivido pelo município?
Tereza: Eu acho que Tenente Portela está vivendo uma fase muito boa. Vejo muitas obras acontecendo e percebo que o município continua crescendo. Na minha opinião, a cidade está excelente e se desenvolveu muito ao longo dos anos.
Folha Popular – Aos 92 anos, qual considera ter sido o maior ensinamento que a vida lhe proporcionou?
Tereza: Que o estudo e o trabalho fazem toda a diferença. Sempre digo aos jovens que estudem, procurem fazer um concurso, tenham uma profissão e façam as coisas certas. É isso que constrói uma vida tranquila e digna.
Folha Popular – Como é sua rotina atualmente?
Tereza: Gosto muito de ler. Sempre gostei de livros, jornais e de estar bem informada. Também gosto de visitar meus familiares quando possível. Tenho uma vida tranquila e agradeço porque minha saúde continua boa.
Folha Popular – Para encerrar, que mensagem a senhora gostaria de deixar às novas gerações?
Tereza: Aproveitem as oportunidades para estudar e construir um futuro melhor. Trabalhem com honestidade, façam o bem e valorizem a família. Foi assim que procurei viver minha vida, e tenho muita gratidão por tudo o que conquistei.
Perfil
Nome: Tereza Vieira Ruttke
Naturalidade: Passo Fundo (RS)
Idade: 92 anos
Família: Casada com Paulo Gustavo Ruttke, mãe de Paulo e Vera e avó de três netos.
Profissão: Servidora aposentada do Poder Judiciário.
Sensação
Vento
Umidade