A série Nossa Terra, Nossa Gente apresenta nesta edição a história de Dona Therezinha Conceição Marroni Furini, uma das educadoras mais respeitadas de Tenente Portela. Professora, diretora de escolas e protagonista de importantes capítulos da educação local, ela acompanhou o crescimento do município desde a infância, chegando à então pequena vila em 1945.
Ao longo de sua trajetória, dedicou mais de 30 anos ao magistério, dirigiu diversas instituições de ensino, participou da implantação do ensino secundário, colaborou na fundação de uma escola em Frederico Westphalen e ajudou a formar gerações de portelenses. Aos 92 anos, Dona Therezinha mantém viva a memória de uma época em que a cidade era formada por poucas ruas de chão batido, iluminadas por lampiões, e compartilha histórias que ajudam a preservar a identidade de Tenente Portela.
Folha Popular – Dona Therezinha, onde a senhora nasceu e como foram os primeiros anos da sua infância?
Therezinha – Nasci em Vespasiano Corrêa, que naquela época pertencia ao município de Guaporé, no dia 22 de outubro de 1933. Era uma vila pequena, muito tranquila, com poucas casas, uma igreja muito bonita e um grupo escolar onde estudei até a quarta série. As famílias conviviam muito próximas e as tardes de domingo eram marcadas pelas rodas de chimarrão e pelas brincadeiras na praça.
FP – Quando a senhora e sua família vieram para Tenente Portela? Quem fazia parte da família naquela época e o que motivou essa mudança?
Therezinha – Chegamos em 1945, quando eu tinha 11 anos. Somos cinco irmãos. O mais velho era o Luiz, que já faleceu. Depois vim eu, seguida pela Suely, Sérgio e Marlene. A mudança aconteceu porque meu pai havia adquirido terras na região. Como ele passava longos períodos viajando entre as propriedades, minha mãe decidiu que toda a família deveria se mudar para cá. Foi assim que iniciamos nossa história em Tenente Portela, cidade que se tornou o nosso lar e onde construímos toda a nossa trajetória.
FP – Como era o município naquela época?
Therezinha – Era uma vila pequena, com poucas casas e praticamente tudo era estrada de chão. A iluminação era feita por lampiões, e havia apenas algumas horas de energia fornecida por um motor. O comércio era pequeno, a igreja era de madeira e havia muito mato ao redor da cidade. Era uma realidade completamente diferente da que vemos hoje.
FP – Quando surgiu a vontade de ser professora?
Therezinha – Sempre gostei de estudar. Depois de concluir a quinta série em Tenente Portela, fui para Ijuí fazer o ginásio e, posteriormente, o Curso Normal, formando-me em 1952 na primeira turma do magistério da Escola Normal Sagrado Coração de Jesus. Em 1953 já assumi como professora no Grupo Escolar da Sede.
FP – Depois de concluir seus estudos, a senhora também constituiu sua família. Como foi esse período da sua vida?
Therezinha – Casei-me no dia 13 de maio de 1958 com Orlando Ector Furini, com quem construí uma linda família. Tivemos quatro filhos: Rubens, Roberto, Mari Lúcia e Dóris. Sempre procuramos conciliar a vida familiar com o trabalho e a dedicação à comunidade.
FP – Hoje, olhando para a família que construiu, qual é o sentimento?
Therezinha – É um sentimento de muita gratidão. Hoje tenho sete netos — Cristiane, Eduarda, Larissa, Liana, Heitor Henrique, Mariana e Rodrigo — e seis bisnetos, sendo cinco meninos e uma menina. É uma alegria muito grande acompanhar cada geração crescendo, estudando e construindo sua própria história. A família sempre foi a base de tudo na minha vida.
FP – Como foi sua trajetória na educação?
Therezinha – Foram mais de 30 anos dedicados ao ensino. Além de professora, fui diretora de praticamente todas as escolas existentes em Tenente Portela naquele período, como o Grupo Escolar da Sede, Aurélio Porto, Escola Técnica de Comércio, Escola Normal e Ginásio Estadual. Trabalhei sempre com muito amor e dedicação, porque acreditava que a educação transforma vidas.
FP – A senhora também ajudou na implantação de uma escola em Frederico Westphalen?
Therezinha – Sim. Fui convidada para colaborar na fundação da instituição que deu origem ao atual Colégio Roncalli. Na época, Frederico Westphalen ainda não possuía profissionais habilitados para organizar uma escola desse porte, e participei desse trabalho como diretora.
FP – Existe algum momento marcante da sua carreira que nunca saiu da memória?
Therezinha – Sem dúvida, o incêndio do Grupo Escolar da Sede, em 1971. Eu era diretora naquele período e foi um momento muito difícil. Perdemos materiais, documentos e toda a estrutura da escola. Com o apoio da comunidade e das igrejas conseguimos reorganizar as aulas em diferentes locais até que a situação fosse normalizada. Foi um período muito desafiador, mas também de grande união.
FP – Como a senhora acompanhou a evolução de Tenente Portela ao longo desses anos?
Therezinha – O município evoluiu muito. Quando cheguei aqui havia poucas casas e praticamente toda a cidade era de chão batido. Hoje vemos uma cidade estruturada, com comércio forte, escolas, serviços e oportunidades. É gratificante acompanhar esse desenvolvimento.
FP – A senhora também viu sua família participar diretamente da construção dessa história. Como avalia essa contribuição?
Therezinha – Tenho muito orgulho da participação da nossa família na vida pública de Tenente Portela. Meu esposo, Orlando, foi vereador, presidente da Câmara e chegou a assumir a Prefeitura. Durante esse período ajudou a implantar importantes iniciativas, como o Museu Municipal, a Biblioteca Pública e as Secretarias de Transportes e de Esportes.
Depois, meu filho Rubens foi prefeito e realizou um trabalho importante para o crescimento do município, contribuindo para uma fase de grande desenvolvimento urbano. Mais recentemente, meu neto Heitor Henrique também representou a comunidade como vereador. Fico feliz em ver diferentes gerações da família trabalhando pelo bem de Tenente Portela.
FP – Além da educação, existe alguma causa que marcou sua trajetória?
Therezinha – Tenho muito orgulho de ser uma das fundadoras da APAE de Tenente Portela. Ver a entidade crescer, atender tantas famílias e continuar prestando um trabalho tão importante é uma das grandes alegrias da minha vida.
FP – Hoje, olhando para toda essa caminhada, do que a senhora mais se orgulha?
Therezinha – O maior orgulho é saber que participei da formação de tantas pessoas. Encontro ex-alunos que hoje são profissionais, pais, avós e cidadãos comprometidos com a comunidade. Isso não tem preço. A educação deixa marcas para a vida toda.
FP – Que conselho a senhora deixa para os jovens?
Therezinha – Estudem, valorizem a educação e construam a vida com honestidade e dignidade. Infelizmente, as drogas têm destruído muitas famílias. Os jovens precisam acreditar no estudo, no trabalho e nos bons valores. É isso que constrói um futuro melhor.
FP – Para encerrarmos, que mensagem a senhora gostaria de deixar à comunidade portelense?
Therezinha – Quero agradecer a todos que fizeram parte da minha caminhada. Todas as noites, nas minhas orações, peço a Deus que abençoe meus ex-alunos, meus colegas, meus professores, meus amigos e todas as pessoas que fizeram parte da minha vida.
Quero dizer à comunidade portelense que todas as noites, quando faço as minhas orações, peço a Deus que abençoe todos os meus ex-alunos, meus colegas, meus professores, meus amigos e todas as pessoas que fizeram parte da minha vida. Essa é a prece que faço diariamente. Tenho muito carinho por Tenente Portela e por todos que fizeram parte da minha caminhada. Foi aqui que construí minha história, minha família e minha vida dedicada à educação. Desejo que Deus continue abençoando nossa comunidade e todas as famílias portelenses.
Perfil
Nome: Therezinha Conceição
Marroni Furini
Nascimento: 22 de outubro de
1933, em Vespasiano Corrêa.
Família: Viúva de Orlando
Ector Furini, mãe de quatro
filhos, avó e bisavó.
Profissão: Professora e diretora
aposentada.
Formação: Magistério pela
Escola Normal Sagrado
Coração de Jesus, de Ijuí, na
primeira turma formada em
1952.
Atuação: Dedicou mais de 30
anos à educação, dirigiu escolas,
participou da implantação
do Colégio Roncalli e foi
fundadora da APAE de Tenente
Portela.
Destaque: Referência
da educação no
município, acompanhou o
desenvolvimento de Tenente
Portela desde 1945.
Sensação
Vento
Umidade