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ESPECIAL | ENTREVISTA - Presidente da Associação Hospitalar Beneficente Santo Antônio, Mirna Kielsen Braucks, fala sobre os avanços da instituição, a chegada da ressonância magnética, os investimentos, a nova obra e os projetos para os próximos anos

Hospital Santo Antônio amplia estrutura, recebe ressonância magnética e projeta novos serviços

14/08/2026 14h34Atualizado há 1 mês
Por: Júlio Santos
Foto: Júlio Santos/FP
Foto: Júlio Santos/FP

À frente da Associação Hospitalar Beneficente Santo Antônio desde janeiro de 2007, Mirna Kielsen Braucks acompanha uma transformação profunda na estrutura e nos serviços oferecidos pelo hospital de Tenente Portela. Em quase 20 anos, a instituição passou de aproximadamente 3,5 mil para 14 mil metros quadrados de área construída, ampliou o número de especialidades, abriu a UTI, fortaleceu a emergência, a gineco-obstetrícia e a residência médica e passou a atender pacientes de dezenas de municípios.

Um dos mais recentes avanços foi a chegada da ressonância magnética, no dia 8 de agosto. O equipamento, destinado ao atendimento pelo SUS, está sendo instalado em uma estrutura construída especialmente para recebê-lo. A previsão é de que os atendimentos comecem entre dezembro deste ano e janeiro de 2027.

Na entrevista ao Folha Popular, Mirna também fala sobre a nova obra, que terá cinco pavimentos e aproximadamente 7 mil metros quadrados, investimentos que já ultrapassam R$ 40 milhões, os recursos necessários para a continuidade do projeto e os próximos desafios, entre eles a segunda UTI, a hemodiálise, a hemodinâmica, a ampliação da residência médica e a busca pela cirurgia robótica.

Folha Popular - A senhora está à frente do Hospital Santo Antônio desde 2007. Como avalia esses quase 20 anos de trajetória?

Mirna Kielsen Braucks - É uma trajetória que não estava programada na minha vida. Eu assumi em janeiro de 2007 e, em janeiro de 2027, serão 20 anos. Eu repetiria tudo o que fiz até hoje, embora praticamente não saiba explicar por que estou todos esses anos aqui. Não estava na minha trajetória de vida, no meu pensamento.

Mas a saúde e salvar vidas é algo que encanta. Quanto mais conseguimos fazer, mais percebemos a necessidade de pacientes que precisam de outras especialidades e complementações. Tu nunca te satisfaz com aquilo que tem.

Cada paciente que necessita de um tratamento maior, que nós não temos aqui, faz com que a gente corra atrás para trazer aquela especialidade, para que esse paciente possa ser atendido em um hospital que acolhe e que dê uma resolutividade maior e uma segurança maior para o profissional que está atuando.

FP - Uma das preocupações atuais é justamente ampliar as especialidades?

Mirna - Sim. Hoje estamos correndo atrás de um nefrologista, porque não temos essa especialidade aqui e queremos avançar na hemodiálise. Quando a segunda UTI for inaugurada, acreditamos que em janeiro do ano que vem, vamos precisar desse profissional para que o atendimento antes e depois da hemodiálise possa ser feito aqui.

Em uma emergência, há pacientes que não conseguimos transferir. Se tivermos o profissional aqui, podemos salvar esse paciente aqui.

FP - Quais foram as principais mudanças e conquistas do hospital nesse período?

Mirna - Quando chegamos, tínhamos aproximadamente 3.500 metros quadrados de construção. Hoje estamos com aproximadamente 14 mil metros quadrados.

Naquela época, somente os quartos particulares tinham banheiro. Os quartos do SUS, pediatria e outros setores não tinham. Em julho de 2007 fui chamada na Promotoria e o promotor perguntou se o hospital havia cumprido um Termo de Ajustamento de Conduta. Eu nem sabia o que era.

Ele explicou que o hospital estava inadequado e que o prazo estava vencendo. Pedi um tempo e voltei para cá. Tivemos que arregaçar as mangas e trabalhar dia e noite para adequar todo o hospital.

A cozinha, a Central de Material e Esterilização, a urgência e emergência e vários outros espaços precisaram ser demolidos e reestruturados, tanto fisicamente quanto em equipamentos.

FP -  Quais reformas e ampliações mais contribuíram para melhorar a estrutura e o atendimento?

Mirna - Praticamente todas foram necessárias. A cozinha foi totalmente demolida. A urgência e emergência estava irregular para um hospital de porta aberta. O bloco cirúrgico, por exemplo, tinha problemas de infiltração e ainda havia madeira no piso.

Fizemos uma grande transformação. Retiramos materiais antigos e colocamos estruturas adequadas. Hoje, inclusive, alguns ambientes já exigem materiais ainda mais modernos, como pedra de quartzo, que pode custar o dobro de um granito.

Nos últimos anos conseguimos deixar a estrutura adequada e também abrir a UTI. A UTI foi uma das grandes conquistas, tanto para os adultos quanto para os bebês que nascem aqui e que antes precisavam ser encaminhados para fora.

FP -
E como foi a evolução da ginecologia e obstetrícia?

Mirna - Começamos com a Casa da Gestante e depois fomos adequando todos os espaços, incluindo os quartos PPP, onde as mães podem ter parto natural, com banheira, fisioterapeuta, psicóloga e participação da pediatria.

FP - Quantas especialidades e serviços o hospital oferece atualmente?

Mirna - Hoje estamos com 23 especialidades e 20 ambulatórios. Todas são importantes, porque uma conduz à outra.

Temos cardiologia, clínica médica, traumatologia, cirurgia geral, neurologia, oftalmologia, proctologia, gastroenterologia, ginecologia, obstetrícia, pediatria, entre outras.

Na traumatologia fazemos aproximadamente 130 a 140 procedimentos. Na cirurgia geral, chegamos a cerca de 100 procedimentos. São muitos casos de acidentes, traumas e outras situações graves.

Também temos a oftalmologia, que foi criada em 2009 e chegou a realizar mais de duas mil consultas. Hoje são aproximadamente 1.700 consultas e entre 300 e 350 cirurgias por mês.

Somando a oftalmologia às cirurgias do bloco, chegamos a algo entre 800 e 1.000 cirurgias por mês.

FP - O hospital também conta com serviços de diagnóstico e reabilitação próprios?

Mirna - Sim. Temos um centro de reabilitação auditiva e visual que atende municípios da região, com dispensação de órteses, próteses, cadeiras de rodas e aparelhos auditivos.

Também temos um laboratório de análises clínicas próprio. Todos os exames dos pacientes internados ou atendidos na urgência e emergência são realizados aqui. Também atendemos exames externos por livre demanda do município e de municípios da região.

Temos tomografia, endoscopia, mamografia e outros serviços de imagem. Agora a ressonância magnética também vai entrar nesse serviço.

FP - Quantos médicos e profissionais atuam atualmente na instituição?

Mirna - Temos 68 médicos ativos contratados para atuar no SUS, além de outros profissionais que vêm de fora e também trabalham aqui.

Temos dois médicos na clínica médica que permanecem durante 12 horas acompanhando os pacientes internados. Isso representa um investimento mensal superior a R$ 60 mil, mas entendemos que é importante para a segurança do paciente.

FP - Quantos municípios são atendidos pelo Hospital Santo Antônio?

Mirna - Na porta, atendemos pacientes de 71 municípios, diretamente, para urgência, emergência e consultas eletivas. Além disso, temos a cirurgia bariátrica, que recebe pacientes de uma região ainda maior, incluindo municípios da região de Passo Fundo.

Já estamos perto de 400 cirurgias bariátricas realizadas em aproximadamente um ano e meio. O diferencial é que são feitas por videolaparoscopia, com recuperação mais rápida e menor índice de infecção.

Também já estamos realizando cirurgias reparadoras após a bariátrica.

FP - Falando em nova estrutura, o novo prédio terá cinco pavimentos e aproximadamente 7 mil metros quadrados. Qual será a importância dessa estrutura para o futuro do hospital?

Mirna - O futuro já começou. Precisávamos erguer esse prédio porque a ressonância não se adaptava a nenhum espaço do hospital atual.

É um equipamento muito complexo, tanto para transporte quanto para instalação e manutenção. A ressonância acabou sendo o pontapé inicial de toda essa obra.

FP -
Por que foi necessária uma estrutura tão específica para receber a ressonância magnética?

Mirna - A ressonância possui uma blindagem especial ao redor da sala. Também precisamos respeitar uma distância de aproximadamente 12 metros de determinados veículos e materiais que poderiam interferir no equipamento.

Por isso não foi possível construir o estacionamento térreo que inicialmente imaginávamos.

Além disso, o equipamento pesa aproximadamente quatro toneladas. Foi necessário reforçar o piso, a parte elétrica e a climatização.

FP - O equipamento chegou no dia 8 de agosto. Como está o processo de instalação?

Mirna: Já finalizamos a primeira parte da instalação do equipamento. A segunda etapa da blindagem está sendo realizada e depois seguiremos com a parte civil.

Ainda faltam acabamentos, reboco, forro, pintura e revestimento do piso. Depois teremos a finalização da instalação pela Philips e aproximadamente três semanas de treinamento.

FP - Quando a população poderá começar a utilizar a ressonância?

Mirna - Acreditamos que em dezembro ou, no máximo, janeiro. O equipamento veio completo e poderá atender diversas especialidades.

Ele será utilizado em traumatologia, ginecologia, exames de mama, cardiologia, urologia e outras áreas.

FP - Quantas pessoas poderão ser beneficiadas com a ressonância e como ela deve reduzir a necessidade de deslocamento para outros municípios?

Mirna - Hoje, somente dos pacientes que passam pelo hospital, solicitamos aproximadamente 100 ressonâncias por mês e precisamos encaminhá-los para Frederico Westphalen. Isso sem contar pacientes de Tenente Portela, Vista Gaúcha e toda a região.

Acreditamos que, no primeiro ano, poderemos começar com pelo menos 300 exames por mês.

A ressonância será disponibilizada para o SUS e atenderá pacientes de toda a região. Hoje existe uma fila muito grande, porque o exame é caro. Uma ressonância feita por meio de convênio com prefeituras pode custar cerca de R$ 450, enquanto em clínicas particulares pode chegar a R$ 700, R$ 800 ou mais, dependendo do exame.

FP - Além da ressonância, quais outros equipamentos estão chegando?

Mirna -  Está chegando uma nova mamografia digital, de última tecnologia, além de um arco em C para o bloco cirúrgico.

Também estamos trabalhando para ampliar os serviços de imagem e dar suporte a toda essa estrutura.

FP -  Aproximadamente quanto já foi investido para chegar à estrutura que o hospital possui hoje, incluindo a nova obra e a ressonância?

Mirna - Essa obra toda vai passar de R$ 40 milhões equipada. Eu acredito que chegaremos aos R$ 50 milhões, porque a cada dia surgem novas exigências.

Temos, por exemplo, 20 consultórios médicos. Inicialmente havíamos previsto climatização convencional, mas as novas normas exigiram sistemas de exaustão e filtragem de ar muito mais complexos.

Isso aumentou muito o custo da climatização e também da parte elétrica. O que inicialmente seria uma determinada demanda de energia acabou praticamente dobrando.

FP - Quais são os próximos projetos e desafios do Hospital Santo Antônio?

Mirna -
Estamos trabalhando para trazer a hemodiálise, ampliar a residência médica e temos o projeto de buscar um robô para trazer a cirurgia robótica para a região.

Isso vai fortalecer nosso serviço cirúrgico e também qualificar a residência médica.

Também temos a intenção de trazer uma hemodinâmica para reforçar e avançar na cardiologia.

FP - O hospital também está ampliando a residência médica?

Mirna - Sim. A residência médica começou em 2016 com quatro especialidades e estamos trabalhando para ampliar.

Hoje já temos seis residentes e estamos projetando novas especialidades. A cirurgia robótica também ajudaria muito nessa qualificação.

O hospital oferece uma grande quantidade de procedimentos e cirurgias. Isso proporciona aos residentes uma experiência prática muito grande.

Temos orgulho de ver profissionais sendo formados aqui e acreditamos que muitos deles poderão permanecer na região e contribuir com o próprio hospital.

FP -
Recentemente o hospital também foi habilitado com o Ambulatório da Dor. Como funciona esse novo serviço?

Mirna - Temos dois profissionais especialistas e, vendo a demanda da região, buscamos junto ao Estado essa habilitação. Solicitamos em janeiro e, no mês passado, o Estado, vendo a demanda assistencial existente na região, habilitou o serviço dentro do programa Assistir.

O Hospital Santo Antônio foi um dos primeiros contemplados e, nos próximos meses, teremos essas consultas especializadas.

FP - E como está o projeto da segunda UTI?

Mirna -
Hoje temos 10 leitos e não são mais suficientes. Todos os dias temos pacientes que precisariam de UTI e não conseguimos vaga. Muitas vezes eles permanecem dois ou três dias na emergência.

Nossa emergência foi adaptada para funcionar praticamente como uma UTI, com profissionais acompanhando os pacientes dia e noite.

A nova UTI deverá acrescentar mais 10 leitos, com previsão para janeiro ou fevereiro do próximo ano. Isso representa um grande avanço para continuarmos salvando vidas.

FP - Como está atualmente a situação financeira da nova obra?

Mirna - A obra está erguida e andando, mas os recursos próprios que tínhamos terminaram. Estamos aguardando recursos que estão em processo junto ao Estado.

Temos um recurso de aproximadamente R$ 10 milhões que esperamos receber e também trabalhamos com uma operação de crédito. O financiamento que inicialmente seria de R$ 58 milhões acabou sendo reduzido e hoje estamos trabalhando com um valor menor.

O problema agora é que existem exigências para que o prédio não fique vazio. Precisamos demonstrar de onde virão os recursos para colocar em funcionamento os serviços e equipamentos.

Estamos estudando o que sai do hospital atual e vai para o novo prédio, incluindo serviços de oftalmologia, cirurgias mais avançadas, 38 leitos de internação e a residência médica.

FP - A senhora considera que o principal desafio agora é conseguir os recursos para concluir e colocar a nova estrutura em funcionamento?

Mirna - Sim. O dinheiro está em processo, mas existem todas essas exigências. As áreas técnicas hoje não querem arriscar o nome delas se algo acontecer e o projeto não estiver de acordo com as normas atuais.

Estamos trabalhando com toda a equipe de engenheiros, elétrica, hidráulica e todos os setores envolvidos na obra para adequar o projeto às novas exigências.

Não vamos desistir. Vamos continuar tocando essa obra porque ela não é para nós. Ela não é para a direção e para a equipe do Santo Antônio. Ela é para a população de Tenente Portela, da região e também do Estado.

FP
- O hospital tem recebido investimentos mesmo em serviços que representam custos elevados. Por que manter essa postura?

Mirna - Nós não trabalhamos pensando somente no lucro. Uma UTI, por exemplo, gera um prejuízo mensal de aproximadamente R$ 450 mil. O recurso do SUS não cobre o custo real.

Uma endoscopia pode custar de R$ 150 a R$ 200 para o hospital, mas o SUS paga aproximadamente R$ 44. Então, se alguém perguntar por que não existem determinados serviços na região, muitas vezes é porque eles dão prejuízo.

Mas não é assim que trabalhamos aqui. Nós fomos ousados. Fazemos e corremos atrás para que a população tenha uma saúde digna.

FP - Qual é hoje a importância do Hospital Santo Antônio para Tenente Portela e para toda a região?

Mirna - Se procuramos todos esses serviços, é porque diariamente a direção e nossas equipes são cobradas pelo acolhimento e pela resolutividade para o paciente.

Nós, da direção, faturamento, agendamento, médicos e todos os setores, nos unimos em prol de dar uma solução ao paciente.

Se não tivéssemos todas essas especialidades aqui, muitas vezes não teríamos condições de resolver um caso que poderia ser solucionado por uma simples atitude de um médico que estivesse disponível naquele momento.

Por isso estamos sempre atentos às especialidades que o SUS proporciona. Uma hemodinâmica ou qualquer outro serviço pode estar disponível na hora certa e salvar um paciente.

Nosso objetivo é ter aqui pelo menos 80% daquilo que precisamos para dar resolutividade aos pacientes.

FP - A instituição também tem ampliado sua relação com universidades e a formação de novos profissionais. Como a senhora vê esse processo?

Mirna - Isso é muito importante. O Brasil inteiro está olhando para este hospital. Temos parcerias com hospitais grandes e com universidades.

A Universidade Federal de Santa Maria está vindo até aqui para discutir novas possibilidades, inclusive relacionadas à formação profissional e à Inteligência Artificial.

Também estamos ampliando a residência médica. Temos novas especialidades previstas e novas avaliações do Ministério da Educação.

Hoje já temos residentes aqui dentro e eles têm uma experiência muito grande porque participam de cirurgias, acompanham os pacientes e passam pelos diferentes setores do hospital.

Acredito que Tenente Portela, pelo tamanho menor do hospital e pela grande quantidade de profissionais e procedimentos, oferece uma formação muito qualificada.

FP - A senhora acredita que o hospital também contribui para o desenvolvimento de Tenente Portela?

Mirna - Com certeza. Tenente Portela se tornou grande, com uma população pequena, e o hospital faz parte desse desenvolvimento.

Nós trabalhamos como voluntários, praticamente 24 horas por dia, 365 dias por ano. É uma doação completa.

Hoje temos uma equipe muito forte ao nosso lado, que participa de tudo e está sempre buscando qualificação.

Se nós divulgássemos semanalmente tudo o que esse hospital faz e produz, acredito que muitas pessoas não acreditariam.

FP - Para finalizar, que mensagem a senhora deixa à população de Tenente Portela, da região e aos pacientes que procuram o Hospital Santo Antônio?

Mirna - Enquanto pudermos, vamos continuar atentos a todas as especialidades que o SUS proporciona. Se existe uma necessidade, nós vamos atrás.

Uma especialidade diferente, uma hemodinâmica, um novo equipamento ou qualquer serviço que possa salvar um paciente na hora certa faz diferença.

Nós não estamos aqui para fazer um SUS para dar lucro. Se tu fizer tudo o que precisa ser feito no SUS, ele vai dar prejuízo. Por isso precisamos correr atrás de emendas e recursos federais e estaduais.

Se avançamos como avançamos nos últimos anos, foi com o apoio dos governos, com os projetos Avançar e Assistir, com recursos estaduais e federais e também pela nossa produção.

Hoje somos um dos hospitais que mais produz no Rio Grande do Sul, e isso também nos permite buscar novos recursos.

O hospital não é da direção. É da comunidade. É da população de Tenente Portela, da região e do Estado.

Nós estamos muito felizes em entregar tudo isso para o Rio Grande do Sul. 

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