Nesta edição, o Folha Popular inicia uma série de entrevistas com médicos e profissionais de saúde do Hospital Santo Antônio (HSA), de Tenente Portela, com o objetivo de apresentar as especialidades, os serviços e as diferentes áreas de atendimento oferecidas pelo hospital à comunidade regional. Para abrir a série, a pediatra Isabella Teixeira de Oliveira, responsável pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança na instituição, fala sobre o cuidado materno-infantil, o atendimento humanizado, a importância da amamentação e da rede de apoio às mães.
Folha Popular – O que significa, na prática, o Hospital Santo Antônio ser reconhecido pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança?
Isabella Teixeira de Oliveira – A Iniciativa Hospital Amigo da Criança é um selo de qualidade da Organização Mundial da Saúde e do Unicef, concedido aos hospitais que cumprem critérios rigorosos relacionados ao cuidado amigo da mulher, apoio e incentivo ao aleitamento materno, à presença de acompanhante e ao alojamento conjunto durante 24 horas.
Também envolve o cumprimento da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras.
Para receber o reconhecimento, o hospital passa por avaliações do Estado e do Governo Federal, com visitas, questionários e análise das rotinas e indicadores.
É uma grande alegria para nós, porque somos o primeiro e único hospital da nossa região com esse selo de qualidade. Na prática, ser um hospital com esse reconhecimento garante que as melhores práticas em relação ao cuidado da mulher e do recém-nascido sejam cumpridas, aumentando as taxas de sucesso da amamentação.
FP – Quando o Hospital Santo Antônio recebeu esse reconhecimento?
Isabella – O hospital foi contemplado com o selo em 11 de julho de 2023. Naquele período, recebemos a visita de avaliação para confirmar que cumpríamos todos os critérios exigidos pela iniciativa.
FP – Como esse atendimento humanizado acontece na prática?
Isabella – Existem critérios que precisamos cumprir, entre eles os dez passos para o sucesso do aleitamento materno. Um deles está relacionado à ambiência e à necessidade de oferecer à mulher um ambiente tranquilo e acolhedor.
Buscamos permitir a livre movimentação da mulher, a escolha da posição para o parto e a presença de acompanhante durante todo o período de internação, no pré-parto, parto e puerpério.
Também utilizamos medidas não farmacológicas para o alívio da dor, como banheira, chuveiro, bola, massagens, aromaterapia e cromoterapia. Tudo isso para que a mulher se sinta acolhida e protagonista do seu parto.
E garantimos que, se o binômio estiver bem, a hora de ouro seja garantida e respeitada, independentemente da via de parto, pois o contato pele a pele é comprovadamente uma das melhores práticas de cuidado ao nascimento.
FP – Quantos nascimentos são realizados mensalmente no Hospital Santo Antônio?
Isabella – Temos uma média de 60 a 80 nascimentos por mês. Todos esses pacientes recebem as práticas recomendadas para o cuidado da mãe e do bebê.
FP – Entre essas práticas está a chamada “hora de ouro”. Qual é a importância desse momento?
Isabella – A hora de ouro é considerada a primeira hora de vida do bebê e representa um período muito importante de transição da vida intrauterina para a vida fora do útero.
Independentemente da via de parto, seja normal ou cesariana, buscamos proporcionar o contato pele a pele entre mãe e bebê. Durante esse período, o bebê permanece junto à mãe, envolvido por campos aquecidos.
Esse contato traz inúmeros benefícios. A mãe tende a ficar mais calma e segura, além de liberar hormônios importantes para a amamentação e para a recuperação após o parto.
Para o bebê, o contato pele a pele contribui para o controle da temperatura, da frequência cardíaca, da frequência respiratória e da glicemia. Além disso, o bebê tende a ficar mais calmo, e esse momento favorece o início da amamentação.
FP – Por que o leite materno é tão importante nos primeiros meses de vida?
Isabella – Os benefícios são inúmeros. O leite materno é o alimento mais completo para o bebê e é o único alimento necessário nos primeiros seis meses de vida.
A recomendação é que a amamentação comece na primeira hora de vida, seja exclusiva até os seis meses e continue, junto com a introdução da alimentação complementar, por dois anos ou mais, conforme for confortável para a mãe e o bebê.
O leite materno é produzido especificamente para as necessidades daquela criança. Ele fornece nutrientes, proteção imunológica e elementos importantes para o crescimento e o desenvolvimento.
Além disso, é um alimento vivo, que sofre modificações de acordo com as necessidades do bebê. O leite de uma mãe de bebê prematuro, por exemplo, apresenta características diferentes para atender às necessidades daquela criança.
A amamentação também está associada à proteção contra doenças e pode contribuir para a saúde da criança ao longo da vida.
FP – Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas mães no início da amamentação?
Isabella – Acredito que uma das maiores dificuldades seja a falta de informação. Ainda existem muitos mitos relacionados à amamentação, que acabam sendo transmitidos de geração em geração e podem fazer com que a mulher duvide da sua própria capacidade.
O principal é buscar informação ainda durante o pré-natal e contar com uma rede de apoio. Quanto mais o bebê suga, maior é o estímulo para a produção de leite.
Também podem surgir dificuldades, como problemas na pega, lesões nas mamas ou ingurgitamento mamário. Mas, para esses desafios, existem orientações e formas de tratamento. O importante é que a mulher saiba que pode buscar ajuda.
O Hospital Santo Antônio é porta aberta 24 horas. Orientamos as mães que tiveram seus bebês aqui que, mesmo após receberem alta, podem retornar ao hospital em caso de dúvidas ou dificuldades relacionadas à amamentação.
FP – Como identificar se existe realmente um problema na produção de leite?
Isabella – Amamentar é um exercício de fé. A gente não precisa ver a quantidade de leite que está sendo produzida, mas existem critérios que utilizamos na avaliação do recém-nascido para identificar se existe alguma situação que precisa ser corrigida ou acompanhada, como observar a diurese, o peso e os sinais de saciedade. Por isso, o acompanhamento com o pediatra é fundamental.
FP – Qual é o papel do pai e da família nesse período?
Isabella – É essencial. A rede de apoio, formada pela família e pelos profissionais de saúde, precisa estar alinhada para dar suporte à mãe.
Muitas vezes, ajudar significa assumir tarefas da casa, preparar uma refeição, garantir que a mãe esteja hidratada ou simplesmente proporcionar um ambiente tranquilo.
Também é importante evitar comentários que gerem insegurança ou desestimulem a amamentação. A família pode fazer uma grande diferença para que essa mãe se sinta segura e consiga seguir amamentando.
FP – Quantos profissionais estão envolvidos na Iniciativa Hospital Amigo da Criança?
Isabella – Todos os profissionais do hospital. A Iniciativa Hospital Amigo da Criança não é um setor específico. Quando uma instituição recebe esse selo, todo o hospital precisa estar alinhado com as recomendações.
Desde a portaria até a administração e as equipes assistenciais, todos precisam conhecer e seguir os princípios da iniciativa. É um trabalho que envolve toda a instituição.
FP – Para finalizar, que mensagem você deixa às mães que enfrentam dificuldades para amamentar?
Isabella – A primeira coisa é acreditar e confiar que o corpo é capaz. E, principalmente, buscar uma rede de apoio, tanto dentro de casa quanto entre os profissionais de saúde.
O hospital está de portas abertas para acolher, orientar e auxiliar essas mães. Queremos que elas se sintam seguras, tranquilas e confiantes para seguir amamentando, sabendo que não precisam enfrentar as dificuldades sozinhas.
Folha Popular
Sensação
Vento
Umidade