Dando continuidade à série de entrevistas com profissionais e médicos do Hospital Santo Antônio (HSA), o Folha Popular entrevista, nesta edição, o médico Fabricio Luis Correa, ortopedista e traumatologista, especialista em cirurgia do joelho e coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da instituição.
Fabrício fala sobre sua trajetória profissional, a atuação da Ortopedia no HSA, os principais problemas atendidos, os avanços nos tratamentos e a importância da prevenção e da reabilitação.
Folha Popular – Para começar, gostaria que o senhor apresentasse um pouco da sua trajetória profissional e explicasse como chegou à Ortopedia, à especialização em cirurgia do joelho e à coordenação do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Santo Antônio.
Fabricio Luis Correa – Minha escolha pela Ortopedia começou ainda durante a faculdade. Sempre estive muito envolvido com esportes e via na especialidade uma ligação direta com atividade física, lesões e recuperação funcional. Já no terceiro ano eu havia decidido seguir essa área. Nesse período, fiz um estágio em trauma em um grande hospital na Europa, experiência que reforçou ainda mais essa escolha. Em 1998, também participei da fundação da Liga de Ortopedia e Traumatologia da minha faculdade.
Durante a residência, a cirurgia do joelho foi a área com que mais me identifiquei. Depois dos três anos de residência em Ortopedia e Traumatologia, fiz mais dois anos de especialização em cirurgia do joelho e um ano de fellow, totalizando cerca de seis anos de formação contínua na área.
Há cerca de dez anos, recebi uma proposta de trabalho da gestora Mirna e vim conhecer o Hospital Santo Antônio. Gostei muito do serviço, me adaptei rapidamente e acabei me encontrando profissionalmente aqui. Hoje, além da assistência aos pacientes e da cirurgia do joelho, exerço a coordenação do Serviço de Ortopedia e Traumatologia e participo da formação de novos especialistas.
FP – Quais são os principais problemas ortopédicos atendidos atualmente no Hospital Santo Antônio e quais situações chegam com maior frequência ao serviço?
Fabricio – Hoje, o serviço realiza em média cerca de mil atendimentos por mês e aproximadamente 120 cirurgias. Temos um grande volume de traumas, principalmente acidentes de trânsito e de trabalho, além de muitas lesões esportivas.
Também atendemos um número importante de pacientes em faixas etárias mais avançadas, o que faz com que doenças degenerativas das articulações, como artrose de joelho e quadril, sejam muito frequentes.
FP – Dentro da sua atuação como especialista em cirurgia do joelho, quais são as principais lesões e doenças que podem comprometer essa articulação? E em que momento o paciente deve procurar avaliação médica?
Fabricio – As principais afecções do joelho são as lesões meniscais, ligamentares e as doenças degenerativas, principalmente a artrose.
Os principais sinais de alerta são dor persistente e sensação de instabilidade, especialmente quando o paciente sente que o joelho falha ou não transmite segurança. Quando esses sintomas persistem, o ideal é procurar avaliação médica.
FP – Muitas pessoas convivem durante anos com dores no joelho, quadril, coluna ou outras articulações. Quando uma dor aparentemente comum deixa de ser algo normal e passa a exigir investigação?
Fabricio – Uma dor que persiste por mais de duas semanas merece atenção, principalmente quando melhora apenas parcialmente com analgésicos ou não melhora.
Quando começa a limitar atividades do dia a dia, como caminhar, trabalhar, dormir ou praticar exercícios, é importante investigar a causa. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as possibilidades de tratamento.
FP – Os acidentes e traumas também representam uma parte importante da Ortopedia. Quais são os principais tipos de fraturas e lesões atendidos pelo hospital e quais cuidados são fundamentais logo após um trauma?
Fabrício – Nós observamos dois grandes grupos de pacientes. Entre os mais jovens, predominam os acidentes de trânsito, principalmente com motocicletas, e são frequentes fraturas de fêmur e tíbia.
Entre os pacientes mais idosos, as quedas são uma causa importante de lesões, especialmente fraturas de quadril e de punho.
Após um trauma, é fundamental evitar movimentar excessivamente a região e não tentar colocar o membro ou a articulação “no lugar”. Nos casos mais graves, o ideal é aguardar o atendimento do SAMU ou de uma equipe de resgate treinada.
FP – Em relação às cirurgias ortopédicas, quais procedimentos são realizados atualmente no Hospital Santo Antônio e como a estrutura do hospital contribui para oferecer esse atendimento à população da região?
Fabricio – O Hospital Santo Antônio realiza praticamente toda a gama de cirurgias ortopédicas, desde procedimentos mais simples até cirurgias de alta complexidade, como próteses de joelho, cirurgias de coluna, cirurgia da mão e microcirurgia.
O hospital oferece excelente estrutura física, equipamentos adequados, equipe qualificada, UTI preparada para os casos mais graves, tomografia e, em breve, também ressonância magnética. Isso dá mais segurança, agilidade e qualidade ao atendimento.
FP – A recuperação depois de uma cirurgia ortopédica depende apenas do procedimento realizado ou a fisioterapia e a participação do paciente também são determinantes para o resultado?
Fabricio – A cirurgia é apenas uma parte do tratamento. Até a execução do procedimento, a responsabilidade é principalmente do médico. Depois disso, o resultado passa a depender de toda uma equipe multidisciplinar e também do próprio paciente.
A fisioterapia é fundamental, assim como os cuidados de enfermagem, curativos e acompanhamento pós-operatório. Além disso, o paciente precisa seguir corretamente as orientações médicas e participar ativamente da reabilitação.
FP – O HSA passou a contar com residência médica em Ortopedia e Traumatologia. O que representa para o hospital e para a região ter a formação de novos especialistas acontecendo dentro da instituição?
Fabricio – A residência médica representa um avanço muito importante para a qualidade do serviço. A presença dos residentes faz com que toda a equipe se mantenha constantemente atualizada, porque ensinar também exige estudar, revisar conceitos e discutir casos.
Isso gera crescimento coletivo, melhora a organização do serviço, qualifica a assistência e beneficia diretamente o paciente.
FP – Quais são os principais avanços nas técnicas e tratamentos da Ortopedia e da cirurgia do joelho que já estão disponíveis ou vêm sendo incorporados à prática do serviço?
Fabricio – Um dos principais avanços é o uso de técnicas menos invasivas e de cirurgias por vídeo. Hoje, as cirurgias ligamentares e meniscais do joelho são realizadas por artroscopia, o que reduz a agressão aos tecidos e favorece uma recuperação mais rápida.
Outro destaque é a evolução das próteses de joelho. Realizamos um grande número desses procedimentos e buscamos aperfeiçoar continuamente técnica, planejamento e recuperação pós-operatória. A participação em congressos e atividades de educação médica continuada também é fundamental para acompanhar os avanços da especialidade.
FP – Para encerrar, que orientação o senhor deixaria para a população sobre prevenção de lesões, cuidados com a saúde dos ossos e articulações e a importância de procurar atendimento antes que um problema ortopédico se agrave?
Fabricio – A principal orientação é manter atividade física regular, de preferência com acompanhamento adequado, investir em fortalecimento muscular, controlar o peso e ter atenção especial à prevenção de quedas.
Também é importante não normalizar a dor, principalmente quando ela é persistente. Procurar avaliação precocemente aumenta as chances de identificar o problema em uma fase inicial e tratá-lo antes que evolua para uma limitação maior.
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