O juiz eleitoral Hugo Pastorio Pereira, responsável pela 101ª Zona Eleitoral de Tenente Portela, que abrange os municípios de Tenente Portela, Vista Gaúcha, Miraguaí, Derrubadas e Barra do Guarita, faz uma avaliação do trabalho realizado no primeiro turno das eleições de 2026.
Em entrevista à Folha Popular, ele detalha a preparação das equipes, as principais ocorrências registradas durante a votação, o funcionamento das urnas eletrônicas e a participação dos eleitores da região. Também reforça orientações para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, e destaca a importância da confiança no processo eleitoral e do exercício da cidadania.
Folha Popular - A 101ª Zona Eleitoral mobilizou centenas de pessoas, entre mesários, administradores de prédio e equipes de apoio. Como foi o trabalho de preparação e organização para garantir o funcionamento das 93 seções eleitorais?
Hugo - O processo eleitoral é de enorme complexidade e grandeza. Nos cinco municípios da Comarca, estão diretamente envolvidos 372 mesários, 14 administradores de prédio e 33 integrantes da Junta Eleitoral.
Todas as pessoas que colaboraram com os trabalhos eleitorais passaram por treinamento, presencial ou virtual, com prioridade para os presenciais, realizados nos cinco municípios da Comarca ao longo do ano.
Além disso, também foram disponibilizados materiais com instruções para o desenvolvimento das funções de cada pessoa convocada.
A serventia cartorária manteve uma rotina de contato com os mesários e administradores de prédios, a fim de reforçar as orientações.
No dia do pleito, contou-se com o apoio logístico dos integrantes da Junta Eleitoral, que circularam pelos cinco municípios, prestando orientações e solucionando ocorrências.
FP - Quais foram as principais ocorrências ou situações que exigiram maior atenção da Justiça Eleitoral durante o primeiro turno e como elas foram solucionadas?
Hugo - No dia do pleito, ainda havia propaganda eleitoral impressa, como banners, espalhada pelas ruas de Tenente Portela. O material foi recolhido pela equipe de apoio logístico da Justiça Eleitoral, pois a legislação eleitoral proíbe a distribuição de propaganda eleitoral impressa no dia da eleição.
Também houve apoio da Brigada Militar para impedir que veículos circulassem com bandeiras, prática igualmente vedada pela legislação eleitoral no dia da eleição.
Além disso, os integrantes da Junta Eleitoral, com apoio da Brigada Militar, estavam atentos ao trânsito e, sobretudo, à chegada recorrente de um mesmo veículo aos locais de votação, a fim de identificar eventual transporte irregular de eleitores, tanto para preveni-lo quanto para apurar a responsabilidade de quem tivesse realizado o transporte em violação à legislação eleitoral.
O deslocamento do eleitor até o local de votação somente pode ser feito em veículo próprio, tanto do eleitor quanto de sua família, por veículo coletivo de uso regular ou por veículo a serviço da Justiça Eleitoral, conforme define a Lei nº 6.091/1974. Realizar o transporte de eleitores fora dessas hipóteses configura crime eleitoral.
Também é permitida a utilização de serviços regulares de transporte individual, como táxis e transporte por aplicativo, desde que não haja condicionamento do voto ou uso do serviço como instrumento de pressão política.
Com relação às urnas eletrônicas, uma delas precisou ser substituída: a da seção 96, no Barreiro, em Vista Gaúcha, que apresentou defeito no teclado.
A troca foi rápida e eficiente e não causou qualquer atraso na votação.
Também houve necessidade de utilizar baterias externas em quatro urnas de Vista Gaúcha e em uma urna de Barra do Guarita, considerando que a tensão da rede elétrica estava alta. Esse problema também foi enfrentado por várias outras Zonas Eleitorais.
Em Tenente Portela, na seção 75, em Lajeado Leão, houve falta de energia elétrica. Por isso, também foi utilizada uma bateria externa, além da bateria interna que cada urna possui, mas que não é suficiente para longos períodos de interrupção no fornecimento de energia.
A queda de energia não acarreta o desligamento da urna, que continuará funcionando até que o fornecimento seja regularizado ou haja suprimento por bateria externa.
Não houve, porém, nenhuma interrupção nas votações em decorrência das falhas de energia.
FP - A Justiça Eleitoral tem reforçado a importância do respeito às regras de votação e do combate à desinformação. Qual é a orientação do senhor aos eleitores para o segundo turno, especialmente em relação às informações que circulam pelas redes sociais?
Hugo - Os eleitores devem acreditar no processo eleitoral e confiar na urna eletrônica.
O processo é transparente e auditável, e há um trabalho contínuo de desenvolvimento tecnológico e de transparência para tornar praticamente impossível a ocorrência de fraudes.
A apuração dos votos é realizada pela própria urna eletrônica, que funciona sem conexão com a internet.
Ao término da votação, o equipamento imprime o Boletim de Urna (BU), com os totais da seção, e grava os arquivos de resultado em uma mídia removível da Justiça Eleitoral.
Essa mídia é levada a um ponto de transmissão, onde os arquivos são enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uma rede de comunicação privada e criptografada, por um servidor público da Justiça Eleitoral, sob a vigilância do Ministério Público Eleitoral e do juiz eleitoral.
Antes de incorporar os resultados à totalização, o sistema verifica a autenticidade, a integridade e a identificação dos arquivos.
Os Boletins de Urna (BUs) são impressos antes do envio dos dados e podem ser comparados com os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Portanto, não há qualquer possibilidade de manipulação do resultado. Eventual paralisação na divulgação da totalização é natural, devido ao volume de dados. Exatamente pelo fato de o resultado de cada seção já ser público logo após o encerramento da votação, com a impressão do BU em papel, a totalização consiste em somar esses resultados, o que pode ser feito a todo momento.
Para isso, o TSE publica na internet cada boletim de urna assim que o recebe. Portanto, a interrupção na divulgação dos resultados não altera os resultados registrados pelas urnas.
Os resultados das urnas estão preservados e expressam fielmente a vontade das eleitoras e dos eleitores.
Assim, o eleitor deve ficar atento e desconfiar de qualquer notícia que tenha o intuito de enganar ou descredibilizar o processo eleitoral, pois o resultado reflete exatamente a vontade popular.
FP - Para finalizar, que avaliação o senhor faz da participação dos eleitores da 101ª Zona Eleitoral e quais são as principais recomendações para quem irá votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro?
Hugo - No dia da eleição, visitei todos os locais de votação na zona urbana de Tenente Portela e alguns locais no interior. Também estive em Vista Gaúcha e em Barra do Guarita. Somente não fui a Derrubadas e a Miraguaí porque não houve tempo hábil, mas irei neste segundo turno.
A avaliação que faço, a partir das visitas aos locais de votação e também da análise dos números, é que o comprometimento com o exercício da cidadania é uma qualidade notável do povo da região.
Em nível nacional, tivemos o comparecimento de 78,92% dos eleitores aptos à votação.
No Estado do Rio Grande do Sul, o comparecimento foi de 78,65% dos eleitores, ou seja, a abstenção foi ainda maior.
Na 101ª Zona Eleitoral, tivemos o comparecimento de 81% dos eleitores em Tenente Portela, 82,20% em Vista Gaúcha, 81,96% em Miraguaí, 81,97% em Derrubadas e 78,65% em Barra do Guarita.
Dos cinco municípios que integram a Zona Eleitoral, quatro tiveram comparecimento acima das médias estadual e nacional, o que revela o comprometimento do eleitorado e a confiança que deposita no processo eleitoral.
Para este segundo turno, haverá somente o voto para presidente da República. O ato de votar será mais simples e as filas serão naturalmente menores.
Por isso, é importante que todos os eleitores aptos compareçam e votem, pois, embora não seja apenas o voto de cada um que determine o destino da sociedade que queremos construir, ele é de extrema relevância e representa aquilo que cada eleitor e eleitora espera do futuro e dos agentes políticos eleitos.
Sensação
Vento
Umidade