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CASO BERNARDO: TRÊS TESTEMUNHAS SÃO INQUIRIDAS NO 2º DIA DE JULGAMENTO DE LEANDRO BOLDRINI

CASO BERNARDO: TRÊS TESTEMUNHAS SÃO INQUIRIDAS NO 2º DIA DE JULGAMENTO DE LEANDRO BOLDRINI

22/03/2023 09h31Atualizado há 4 anos
Por: Júlio Santos
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O segundo dia do julgamento de Leandro Boldrini começou com o depoimento da testemunha Cristiane Braucks, arrolada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A delegada regional de Três Passos participou, em 2014, das investigações sobre o assassinato de Bernardo, então com 11 anos. Também foram ouvidas nesta terça-feira, 21 de março, Andressa Wagner, ex-secretária do médico, e Juçara Petry, ex-vizinha de Bernardo. O vice-presidente Administrativo e Financeiro da Associação do MPRS (AMP/RS), Fernando Andrade Alves, esteve no plenário prestando apoio aos promotores de Justiça Lúcia Helena de Lima Callegari e Miguel Germano Podanosche.

O réu começou a ser julgado na segunda-feira, 20 de março, no Fórum de Três Passos, por matar o filho. Além de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação), Boldrini responde também por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O júri, que está sendo transmitido ao vivo pelo canal do TJRS no YouTube, será retomado às 9h desta quarta-feira.

O CASO - Bernardo desapareceu em 4 de abril de 2014. Seu corpo foi encontrado 10 dias depois, enterrado em uma cova vertical dentro de uma propriedade às margens de um riacho na cidade vizinha de Frederico Westphalen. No mesmo dia, o pai e a madrasta da criança, Graciele Ugulini, foram presos por serem, respectivamente, o mentor intelectual e a executora do crime. A amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, também foi presa por ajudar no assassinato. Dias depois, Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, foi preso por ser quem preparou a cova onde o menino foi enterrado. Os quatro réus foram condenados em 2019, mas o júri de Leandro foi anulado em dezembro de 2021.

COMO ACONTECEU - O assassinato de Bernardo teve início em Três Passos, por volta das  12h, e terminou com sua execução, às 15h do mesmo dia, em Frederico Westphalen. Graciele, a pretexto de agradar o menino, o conduziu até Frederico Westphalen. Ao iniciar a viagem, ainda em Três Passos, deu ao enteado midazolam – medicação de uso controlado – sob argumento de que era preciso evitar enjoos. Em seguida, já na cidade vizinha, Graciele e Bernardo se encontraram com Edelvânia, amiga da madrasta. Os três seguiram para local antecipadamente escolhido na Linha São Francisco, distrito de Castelinho, próximo a um riacho, onde a cova foi aberta dias antes por Evandro.

Dando sequência ao crime, Graciele, sempre com integral apoio moral e material de Edelvânia, mais uma vez enganando a vítima, agora a pretexto de lhe dar uma “picadinha”, para ser “benzida”, aplicou em Bernardo injeção de midazolam em quantidade suficiente para lhe causar a morte, conforme laudo pericial que atesta a presença do medicamento no estômago, rins e fígado da vítima. O menino acabou morto por uma superdosagem de medicamento.

Segundo a denúncia, o médico Leandro Boldrini, com amplo domínio do fato, interessado no desfecho da ação, concorreu para a prática do crime contra seu próprio filho como mentor e incentivador da atuação de Graciele. Ele participou “em todas as etapas da empreitada delituosa, inclusive no que diz respeito à arregimentação de colaboradores, à execução direta do homicídio, à criação de álibi, além de patrocinar despesas e recompensas, bem como ao fornecer meios para acesso à droga midazolam, utilizada para matar a vítima”. Depois de matar e enterrar o filho, Leandro fez um falso registro policial do desaparecimento de Bernardo para que ninguém descobrisse o crime.

A MOTIVAÇÃO - Leandro e Graciele não queriam dividir com Bernardo a herança deixada pela mãe dela, Odilaine (falecida em 2010), e o consideravam um estorvo para o novo núcleo familiar. O casal ofereceu dinheiro para Edelvânia ajudar a executar o crime. Bernardo, não sabendo do plano, aceitou, no dia em que foi morto, ir até Frederico Westphalen com a madrasta.

 

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Fonte: Ministério Público/RS - Fotos: Marcelo Kervalt e Michelle Teixeira/MP/RS

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