
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
No universo da evolução, sempre existirá conflito. Na dialética, há a antítese; na democracia, surgem arroubos de totalitarismo; para a vanguarda, existem os movimentos de reação; para o ânimo, sempre haverá alguém desanimador; para contestar a coragem, existirá algum covarde, reverberando mantras de medo e terror, na tentativa de desestimular o avanço, enfraquecer a ação e, ao final, dizer: “eu avisei”, “eu já sabia”, “nada vai mudar”.
Mas e quando as coisas mudam? Quando o improvável vira realidade e bate à nossa porta como se fosse algo que sempre esteve ali, que não era tão difícil quanto os arautos do descrédito apontavam ou os céticos do conformismo declaravam? Quando se rompe a bolha do impossível e cai a máscara que denuncia a inércia, cria-se e se propaga uma nova energia, a energia do possível, do alvissareiro, da resolução e da conquista.
Vivemos, nesta semana, um momento ímpar na história do município de Tenente Portela. Tivemos mais do que uma boa notícia, mais do que um movimento de articulação exitoso; tivemos o coroamento de demandas fundamentais que podem se tornar a semente de um divisor de águas na economia e no posicionamento de Tenente Portela na Região Noroeste.
Quando, há cerca de 20 anos, lançou-se a semente para a criação da subseção da OAB Tenente Portela, o projeto parecia algo longínquo, pouco efetivo e sem grandes expectativas. No entanto, com a articulação dos atuais dirigentes da já implantada OAB local, vieram outras gratas surpresas para a comunidade.
Surpresas, sobretudo, para quem não acompanhou o périplo, as viagens, as buscas e os contatos em defesa tanto da criação da segunda Vara Judicial quanto da elevação da entrância do Fórum da Comarca. As surpresas são assim, aparecem como se, de repente, brotassem em um jardim as flores que se desejava colher, sem que se conhecessem as sementes, as terras férteis ou o tempo de plantio.
Para alguns, também podem parecer surpresa as verbas destinadas pelo governo à reconstrução do asfalto no centro da cidade, ou ainda os recursos para a construção de novas alas do Hospital Santo Antônio. Outros, porém, dirão que surpresa existe apenas para quem não acompanhou o périplo, as viagens e os contatos em busca das condições necessárias para viabilizar a obra. Entre tantos recursos e esforços, a destinação de R$ 10 milhões pelo Tribunal de Justiça ao Hospital Santo Antônio demonstra que é a união e o engajamento que promovem o avanço, o progresso e a concretização de projetos mais arrojados.
Outro exemplo é o projeto da Ponte sobre o Rio Uruguai, que ligará Barra do Guarita a Itapiranga. A grandeza da proposta, a complexidade logística e o desafio crescem na mesma proporção da ambição. Essa grandeza do projeto carrega consigo, também, uma enorme força reativa. Isso se explica porque muitas pessoas preferem apostar se dará certo ou se dará errado. Quanto maior o projeto, maior a aposta e, na certeza de acertar o palpite, muitos acabam sempre apostando contra.
Os palpiteiros são aqueles que não querem se engajar e, ao mesmo tempo, desejam se eximir da responsabilidade de não estarem envolvidos, justificando previamente que é perda de tempo e energia apoiar determinada proposta. Assim, permanecem confortáveis, torcendo para que as coisas não avancem e, ao final, possam dizer: “viram? Eu tinha razão”.
Os fatos não mentem. As transformações só acontecem com força coletiva, união de esforços e interesse genuíno no desenvolvimento, independentemente de conflitos ideológicos, vaidades ou divergências de personalidade. Saber separar e superar diferenças pessoais para construir convergência coletiva continua sendo o principal aprendizado para que qualquer associação, bairro, região, município, estado ou nação se torne forte e coeso.
Quando a cultura de uma comunidade passa a ser marcada pelo engajamento, nasce um polo de proatividade, uma verdadeira associação de transformadores de realidades.
Sensação
Vento
Umidade