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O fim da era dogmática

Artigo reflete sobre o declínio das verdades absolutas e o avanço do pensamento crítico na sociedade contemporânea

De Olho na Ideia

De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos

13/02/2026 08h51Atualizado há 7 meses
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ao longo da história, os dogmas exerceram papel decisivo na organização das sociedades. Surgiram como respostas prontas diante da complexidade do mundo, oferecendo segurança emocional, coesão social e legitimidade política.

Um dogma se consolida quando autoridades em determinados assuntos estabelecem aquilo que passa a ser tratado como verdade incontestável. Trata-se de uma construção baseada na aceitação coletiva de ideias que não admitem contestação.

Em períodos históricos nos quais o acesso ao conhecimento era restrito, os dogmas funcionavam como atalhos. Eles simplificavam explicações, estabeleciam normas e garantiam obediência sem a necessidade de fundamentações detalhadas. Essa lógica permaneceu por séculos, sustentando religiões, sistemas políticos e até paradigmas científicos.

Em muitos casos, especialistas que dominavam determinados temas criavam conceitos considerados absolutos para facilitar a transmissão do conhecimento. Embora essa prática tenha contribuído para a organização social, também reduziu a curiosidade e o questionamento, já que grande parte das pessoas passou a aceitar essas ideias como verdades fundamentadas na ciência, na lógica ou na filosofia.

Com o passar do tempo, entretanto, o uso dos dogmas também passou a ser associado à manipulação de informações e ao direcionamento de comportamentos sociais. A aceitação automática de determinadas ideias contribuiu para que muitas pessoas deixassem de questionar a coerência e os interesses por trás dessas construções.

Atualmente, a sociedade vive uma era marcada pela pluralidade de informações, pela valorização do pensamento crítico e pelo reconhecimento da dúvida como elemento essencial para o avanço do conhecimento. A ciência moderna, por exemplo, não se sustenta mais em certezas absolutas, mas em modelos passíveis de revisão. Da mesma forma, correntes filosóficas contemporâneas reconhecem que a verdade pode ser interpretada sob diferentes perspectivas.

Nesse contexto, os dogmas passam a perder espaço, já que sua rigidez contrasta com a complexidade e a dinâmica da vida moderna. A ampliação do acesso à educação e aos meios de comunicação contribui para que as pessoas busquem compreender a origem das ideias e desenvolvam maior autonomia intelectual.

“O senso crítico representa o principal instrumento de libertação do pensamento humano diante das verdades absolutas.”

A tendência, em médio prazo, é que os dogmas se tornem cada vez menos necessários como instrumentos de ensino e controle social. Quando o indivíduo passa a refletir sobre a origem das informações, tende a questionar conceitos estabelecidos e a compreender os interesses que podem estar associados a determinadas ideias.

Em uma perspectiva de longo prazo, é possível imaginar uma sociedade na qual os dogmas sejam substituídos por sistemas de pensamento mais flexíveis, que valorizem a diversidade, a crítica e a revisão constante do conhecimento. Isso não significa o desaparecimento das convicções, mas sim a transformação da forma como elas são construídas e compartilhadas.

O que antes foi indispensável para dar sentido e organização à existência humana pode, gradualmente, tornar-se obsoleto diante de uma sociedade mais consciente de sua capacidade de questionar, refletir e reconstruir saberes. O eventual fim dos dogmas não representaria o encerramento da busca por sentido, mas o início de uma nova etapa, na qual a verdade passa a ser compreendida como um processo contínuo e em constante transformação.

Advogado

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