
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
A polêmica do carnaval foi a homenagem a Lula pela escola Acadêmicos de Niterói. As manchetes na grande imprensa foram unânimes em afirmar que “A escola de samba que homenageou Lula foi rebaixada”.
A polêmica não acaba e a polarização continua até no carnaval. Por outro lado, famílias que se dizem conservadoras colocaram suas fotos em latas de conserva, se autointitulando conservadoras, em uma polêmica parecida com a das sandálias Havaianas e os respectivos pés esquerdo ou direito.
Uns reclamando da homenagem e das caricaturas apresentadas na passarela, outros reclamando que a emissora responsável pela transmissão teria boicotado a apresentação, não apresentando o samba-enredo e fazendo comentários superficiais sobre as alas e as fantasias.
A escola, que recentemente havia atingido o Grupo Principal, fez uma aposta arriscada, trazendo para a avenida uma narrativa baseada na opinião popular e na trajetória de um dos políticos mais influentes da história do país.
Obviamente, a “petulância” ou a “atitude arrojada” dos diretores da escola não ficaria impune, e alguma medida deveria ser tomada pelos coordenadores da festa, onde a elite lucra e o povo faz, de graça, “O Maior Espetáculo da Terra”.
De qualquer forma, foi interessante acompanhar esse momento histórico em que toda uma comunidade furou a bolha e encarou de frente os juízes, mesmo sabendo que a recepção seria bem amarga e o castigo quase inevitável.
O mais importante, em tudo isso, não foi o rebaixamento e nem mesmo os boicotes midiáticos, mas a coragem da escola de samba de reivindicar o seu direito de expor a versão da história que considerou mais coerente e mais parecida com o interesse e a visão da comunidade.
Pode-se dizer que a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói não teve dúvidas e, quando subiu para o “Grupo Especial”, foi logo queimando o cartucho. Não deixou para depois, não pediu clemência. Chegou apresentando as armas, rangendo os dentes e demonstrando que não é feita por cordeiros adestrados, não possui carnavalescos que fazem parte da curriola da cultura da indústria do carnaval.
Olhando de fora, como quem não entende bem o que acontece nas altas rodas do carnaval carioca, parece que o tema foi uma transgressão, uma blasfêmia contra os deuses do carnaval. Como toda insurreição deve ser castigada, o castigo veio, mas “A arte foi feita”.
Os conservadores querem conservar o morro no seu lugar, esperando para descer, uma vez por ano, e fazer o carnaval. Dessa vez, o morro veio, literalmente, bagunçar o coreto, se divertir e pular o carnaval na Sapucaí, dando risada daqueles que levam o “Maior Espetáculo da Terra” a sério.
Sensação
Vento
Umidade