
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Aos poucos vai aparecendo a ponta do iceberg do caso do Banco Master. Vorcaro já era banqueiro e tinha um banco chamado Máxima. Era um banco menor, sem grande relevância no mercado, atuando de forma mais modesta. Em 2018, Vorcaro assumiu o Banco Máxima e começou a organizar a transição para o Banco Master, bem no período do governo de Michel Temer.
Em 2021, o banco já estava reestruturado e operando com o dobro de lucro, passando a usar o nome de Banco Master. A instituição bancária não parou de crescer até o ano de 2025, quando a fiscalização começou a apertar e foi revelada a fraude que estavam sustentando.
Através de uma engenharia financeira, os administradores do Banco Master fraudavam o sistema fazendo emissão de títulos de crédito sem lastro de garantia, realizando captação em massa de recursos através da relação com políticos que detinham contas de fundos de servidores de estados, estatais e municípios.
Não se sabe se eram dadas propinas aos gestores de fundos de pensão para colocarem os recursos no Master, isso ainda está em investigação. O que se sabe é que foram colocados cerca de 2 bilhões dos fundos de estados e prefeituras nas contas do Master e que esse dinheiro sumiu do mapa.
Daniel Vorcaro tinha um sócio, ou pode-se dizer, cúmplice. Seu cunhado Fabiano Zettel, pastor de uma Igreja Batista, ajudava na manutenção da fraude, fazendo relação com políticos e outras igrejas, principalmente evangélicas, para captar contas para o banco.
As propinas eram pagas diretamente para servidores do Banco Central, cerca de 1 milhão por mês, para que eles fechassem os olhos para a inconsistência entre as emissões de títulos e a falta de lastro das operações.
A estrutura organizacional do banco era baseada em uma hierarquia de poder parecida com as hierarquias do narcotráfico ou das milícias. Havia um setor de chantagem e de coerção, com pessoas que ajudavam a ameaçar jornalistas e perseguir eventuais desafetos do grupo.
O caso do Banco Master está demonstrando, mais uma vez, como funciona o coração do sistema financeiro. Uma corrupção imensurável com verniz de meritocracia, assim como no caso do escândalo de Epstein.
Chantagens e maracutaias de todos os lados, uso da religião e de subornos às instituições, bem como uso dos fundos de pensão para fraudar mais de 2 bilhões de reais que evaporaram das contas de municípios e estados.
Além disso, o Banco Master possuía uma espécie de milícia particular, que tinha até nome, chamada de “A Turma”. Essa turma fazia o papel sujo, agindo como força paramilitar, ameaçando pessoas e intimidando adversários.
Quando começaram a aparecer os primeiros sinais de investigação, o Banco Master já estava dissolvido, mas agora, nesta semana, um dos membros da Turma de Vorcaro teria cometido suicídio.
O nome do suicida era Luiz Philipe Mourão, popularmente chamado de “Sicário”. Na Roma antiga, a palavra sicário significava “homem da adaga”. No espanhol e no português, sicário quer dizer “matador de aluguel”.
Os sicários sempre pensam que são os perigosos, os matadores, os destemidos, mas, na verdade, são os “bodes expiatórios”, como PC Farias, Adriano da Nóbrega, entre outros.
Sensação
Vento
Umidade