
Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen
O 4º Domingo da Páscoa, conhecido como Domingo do Bom Pastor, marca o coração do Tempo Pascal. A liturgia convida-nos a contemplar Jesus Ressuscitado como o Pastor que conhece as suas ovelhas, as chama pelo nome e lhes oferece vida em abundância. Celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o domingo nos recorda que toda a Igreja é chamada a seguir a voz do único Pastor e a ser, ela mesma, sinal do seu cuidado no mundo. A cor branca da Páscoa continua a brilhar, e os textos litúrgicos nos orientam para uma vivência concreta da ressurreição: escutar, converter-se e seguir.
Na primeira Leitura (At 2,14a.36-41), vemos como Pedro, cheio do Espírito Santo, proclama com ousadia: “Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes”. A multidão, tocada no coração, pergunta: “Que havemos de fazer?”. O apóstolo responde com clareza: “Convertei-vos e recebei o batismo em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados; então recebereis o dom do Espírito Santo”. A leitura mostra o nascimento da Igreja: a pregação apostólica leva à conversão e à comunhão. Não é teoria, mas experiência transformadora. Pedro anuncia que a promessa é para todos – “para vós, para os vossos filhos e para quantos ouvirem o apelo do Senhor”.
No Salmo Responsorial deste Domingo (Sl 22[23]) ecoa a confiança absoluta do povo que se sabe cuidado. Pastagens verdejantes, águas tranquilas, mesa farta mesmo diante dos inimigos: tudo aponta para o Deus que caminha à frente, protege e sacia. Na liturgia, o refrão “O Senhor é meu pastor” ressoa como antífona de esperança pascal.
A segunda Leitura (1Pd 2,20b-25), São Pedro nos apresenta Cristo como modelo: “Ele suportou os nossos pecados no seu corpo sobre o madeiro da cruz, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça”. O sofrimento injusto, suportado com paciência, torna-se graça. Jesus, “como ovelha muda diante do tosquiador”, não revidou, mas entregou-se ao Pai justo. Agora, “pelas suas chagas fomos curados”. A leitura nos lembra que o Bom Pastor não foge do perigo; ele se entrega por nós, transformando-nos de ovelhas desgarradas em rebanho unido ao Pastor e guarda das nossas almas.
O Evangelho (Jo 10,1-10) deste Domingo nos apresenta Jesus usando a imagem do aprisco: “Eu sou a porta das ovelhas”. Quem entra por Ele será salvo e encontrará pastagem. O ladrão vem só para roubar, matar e destruir; Jesus, ao contrário, veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância. O verdadeiro pastor entra pela porta, o porteiro abre-lhe, as ovelhas conhecem a sua voz e o seguem. Não há vida cristã sem discernimento: saber distinguir a voz do Bom Pastor da voz dos estranhos que prometem, mas não dão vida.
Indicações para viver a Liturgia na prática
Neste domingo, a liturgia não nos deixa apenas admirar o Bom Pastor: ela nos chama a segui-lo. Quem escuta a sua voz e entra pela porta encontra pastagem verdejante e vida em abundância. Que o Ressuscitado nos guie e nos torne, a cada dia, ovelhas fiéis e pastores segundo o seu coração.
Sensação
Vento
Umidade