
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Nos últimos dez anos, o Brasil tem atravessado um processo contínuo de fragilização institucional. O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, foi um marco decisivo nesse percurso, inaugurando uma era de desconfiança generalizada. A partir desse momento, a judicialização da política e a percepção de que decisões jurídicas eram instrumentalizadas por disputas partidárias abriram espaço para uma crise que se estendeu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional.
O STF, guardião da Constituição, vive hoje sua pior marca histórica de desaprovação, com índices próximos a 50%. Essa perda de credibilidade compromete não apenas sua autoridade moral, mas também o equilíbrio entre os poderes. Em um contexto de ataques às soberanias nacionais, a fragilização da Corte pode ser explorada por forças externas ou internas que questionam a legitimidade das decisões constitucionais, abrindo espaço para discursos autoritários. Por outro lado, a pressão social pode estimular reformas institucionais, como mandatos para ministros, códigos de ética mais rígidos e maior transparência, recolocando o Supremo em seu papel original de guardião da Constituição.
O parlamento também não escapa à crise. O Congresso Nacional é visto pela população como uma das instituições menos confiáveis, em grande parte devido à sensação de fisiologismo que permeia a política. O fisiologismo, entendido como a prática de trocas de favores, distribuição de cargos e emendas em troca de apoio, reforça a percepção de que o Legislativo atua mais como espaço de barganha do que como representante legítimo da sociedade. Esse ciclo vicioso perpetua desigualdades e distorce a função legislativa, embora, na visão pragmática, garanta alguma governabilidade em um sistema fragmentado.
Assim, tanto o STF quanto o Congresso enfrentam crises de credibilidade que fragilizam a República. O Supremo é acusado de protagonismo político, enquanto o parlamento é marcado pelo fisiologismo. Ambos sofrem com a desconfiança popular, o que compromete a soberania nacional e a estabilidade democrática. O desafio é transformar a crítica em oportunidade: reformar sem destruir, fortalecer a legitimidade sem comprometer a função essencial de cada poder. Sem instituições sólidas, não há soberania que resista.
As águias e os gaviões estão à espreita, esperando a fragilização da presa. Mas o problema mais grave está na desorganização e na falta de sincronia interna entre os poderes. As fraturas e os erros estratégicos, nas instituições que defendem a República, são tudo o que os algozes externos desejam e esperam.
Sensação
Vento
Umidade