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Nossa Terra, Nossa Gente | Sérgio Antônio Marroni: uma vida marcada pelo empreendedorismo e pelas transformações de Tenente Portela

Morador de Tenente Portela desde os seis anos, Sérgio acompanhou o crescimento do município, participou do movimento de emancipação e construiu uma trajetória ligada à atividade madeireira, à política, ao tradicionalismo e ao turfe

23/08/2026 13h34
Por: Júlio Santos
Fotos: Júlio Santos/FP
Fotos: Júlio Santos/FP

Natural de Vespasiano Corrêa, então pertencente ao município de Guaporé, Sérgio Antônio Marroni nasceu em 20 de janeiro de 1939 e chegou a Tenente Portela em 1945, aos seis anos de idade, acompanhado dos pais, Rubino Marroni e Plácida Sandavalli Marroni, e dos irmãos Terezinha, Suely, Marlene e Luiz. Na época, o município ainda era conhecido como Pari e apresentava características muito diferentes das atuais.

Ainda menino, acompanhou o processo de desenvolvimento da então vila e o movimento pela emancipação, ajudando o pai, Rubino Marroni, que participou da mobilização emancipacionista. Ao longo da vida, também atuou na agricultura, na atividade madeireira e na política, além de participar da formação de Santa Izabel do Oeste, no Paraná.

De volta à região, manteve sua trajetória entre Tenente Portela e Redentora, onde viveu por 18 anos. Também participou da fundação de diferentes entidades esportivas, comunitárias e tradicionalistas e mantém, até hoje, sua ligação com o turfe. Atualmente, preside a Sociedade Hípica Capitão Tibúrcio, de Redentora.

Nesta edição da série Nossa Terra, Nossa Gente, Sérgio relembra a infância em uma Tenente Portela ainda em formação, a participação da família na emancipação, sua trajetória profissional, a paixão pelo turfe e deixa uma mensagem para as novas gerações.


Folha Popular - O senhor nasceu em Vespasiano Corrêa. Quando chegou a Tenente Portela?

Sérgio - Nasci no dia 20 de janeiro de 1939, em Vespasiano Corrêa, que naquela época pertencia a Guaporé. Vim para Tenente Portela em 1945, com seis anos de idade, junto com minha família.

FP - O que o senhor lembra da chegada a Tenente Portela?

Sérgio - Foi uma coisa surpreendente. Nós saímos de um lugar que era mais desenvolvido, uma vila pequena, mas muito bem planejada e socialmente desenvolvida. Quando chegamos aqui, era praticamente sertão. Havia algumas casas das famílias mais tradicionais.

FP - Naquele período, o município ainda não se chamava Tenente Portela?

Sérgio - Não. Era Pari. Tenente Portela veio depois, com a emancipação.

FP - Como era a estrutura da cidade naquela época?

Sérgio - Não era uma cidade, era um vilarejo. Não tinha luz, não tinha água, não tinha praticamente nada. No início, nós buscávamos água em uma fonte que era do seu José Borges, o Zequinha Borges. Depois, meu pai mandou perfurar um poço, que deu uma água muito boa. Nós inclusive passamos a fornecer água para os vizinhos.

FP - O senhor estudou em Tenente Portela?

Sérgio - Entrei no primário aqui e fiz até o quinto ano. Depois fui para Santo Ângelo, em um colégio dos Irmãos Maristas, onde fiz dois anos de ginásio. Depois fui para Cruz Alta e, posteriormente, para Ijuí.

FP - E aos 16 anos o senhor deixou os estudos?

Sérgio - Sim. Aos 16 anos deixei de estudar para trabalhar com meu pai, que tinha adquirido uma fazenda para plantar trigo em Palmeira das Missões. Naquela época ainda não havia soja. Plantávamos trigo e milho.

FP - Como foi sua trajetória profissional depois disso?

Sérgio - Fiquei dois anos em Palmeira das Missões administrando a fazenda. Depois fui para o quartel, em Santo Ângelo, voltei para Palmeira e, posteriormente, fui para Chapecó, onde ajudei a cuidar da serraria do meu pai. Depois fui para o Paraná.

FP - O senhor participou da formação de uma cidade no Paraná?

Sérgio - Sim. Fui para o Paraná em 1960, com meu cunhado Orlando Furini. Montamos uma serraria no meio do sertão e ajudei a fundar Santa Izabel do Oeste. A partir da atividade da serraria, começou a se desenvolver uma vila nas proximidades, que depois se transformou em cidade.

FP - E lá o senhor também entrou para a política?

Sérgio - Fui vereador em Santa Izabel do Oeste. Com 22 anos, fui eleito vereador e fui o vereador mais jovem da história política do Paraná naquela época.

FP - Quanto tempo permaneceu no Paraná?

Sérgio - Fiquei dez anos, de 1960 até 1970. Morei em Santa Izabel, depois fui para Foz do Iguaçu, por causa do mercado de madeira, que tinha ligação com a exportação para a Argentina. Depois fui para Realeza, que tinha uma estrutura melhor para a atividade comercial.

FP - E em 1970 o senhor retornou para Tenente Portela?

Sérgio - Voltei para Portela. Depois fui para Redentora, porque a área de terra que eu havia recebido de herança ficava naquele município. Lá, junto com meu irmão Luiz, montamos uma empresa de extração de madeira e uma serraria. Então fiquei nesse período entre Redentora e Portela. Redentora era o trabalho e Portela era a nossa casa.

FP - O senhor viveu 18 anos em Redentora e também foi vereador?

Sérgio - Sim. Casei em Redentora e morei lá durante 18 anos. Me elegi vereador e exerci o Legislativo por quatro anos. Depois voltei para Tenente Portela. Hoje moro aqui com meu filho, Paulo Marroni, e sua esposa, Rúbia Biguelini Marroni.

FP - O senhor tem quantos filhos?

Sérgio - Tenho cinco filhos: um homem e quatro mulheres.

FP - O que mais marcou o senhor durante a infância em Tenente Portela?

Sérgio - O movimento e o desenvolvimento da vila. Logo em seguida, ela se transformou em um vilarejo maior e passou a distrito, pertencendo a Três Passos. Isso marcou muito a gente, porque torcíamos para que aquilo acontecesse.

FP - Seu pai teve participação no movimento pela emancipação?

Sérgio - Meu pai era muito envolvido politicamente e socialmente. Ele fazia campanha pela emancipação. Eu era o recadeiro. Quando ele marcava uma reunião dos emancipacionistas, eu levava os bilhetes para convocar o pessoal. Minha participação era essa, ajudando meu pai, que era um dos líderes do movimento.

FP - Qual era o nome de seus pais?

Sérgio - Meu pai era Rubino Marroni e minha mãe, Plácida Sandavalli Marroni.

FP - O senhor também teve uma trajetória muito ligada à participação em entidades. Como isso começou?

Sérgio - Sempre tive esse interesse. Onde dava para organizar uma sociedade ou alguma coisa, eu procurava participar. Sou sócio fundador do Jockey Club de Carazinho, do Jockey Club de Palmeira das Missões, do Jockey Club de Santo Augusto e fundador da Sociedade Hípica Capitão Tibúrcio, de Redentora.

FP - O senhor continua ligado ao turfe?

Sérgio - Continuo. Sou sócio do Jockey Club do Rio Grande do Sul e sou turfista. Ainda disputo carreiras em toda a região.

FP - Quais são os principais desafios para manter uma sociedade hípica funcionando?

Sérgio - O maior desafio é conseguir manter a credibilidade. Para promover um evento turfístico, é preciso ter credibilidade para que os turfistas convidados venham até a sociedade. Eles precisam ter confiança de que será uma coisa honesta e bem desenvolvida.

FP - O senhor também participou da fundação de outras entidades em Tenente Portela?

Sérgio - Sim. Sou fundador do Rotary Clube de Tenente Portela e também sócio fundador do Ypiranga Futebol Clube. Sou fundador do CTG Sentinela da Fronteira e também participei da fundação de CTGs em Redentora e Realeza.

FP - Como o senhor avalia a transformação de Tenente Portela ao longo dessas décadas?

Sérgio - Acompanhei com muito entusiasmo, alegria e satisfação. Aquilo que semeamos desde o movimento de emancipação progrediu. Tenente Portela se transformou em um polo regional. Hoje é reconhecida, e o Hospital Santo Antônio é um grande puxador do desenvolvimento do município.

FP - Do que o senhor mais se orgulha em toda essa trajetória?

Sérgio - Tenho orgulho da credibilidade que nós construímos e que permaneceu durante todo esse período. Olho para trás e tenho orgulho dessa maneira de trabalhar e da credibilidade que nossa sociedade conquistou no meio turfístico.

FP - Que conselho o senhor deixaria para os jovens?

Sérgio - Uma das coisas mais importantes é respeitar a opinião dos amigos e das pessoas com quem convivemos. Tratem bem o amigo e o vizinho, independentemente de cor política ou religiosa. A boa convivência é muito importante.

FP - E quanto aos estudos?

Sérgio - Procurem estudar. A educação e o estudo ninguém tira de você. É o caminho mais curto para o sucesso. Tendo uma formação, você tem mais facilidade para conseguir um emprego e desenvolver uma atividade com maior chance de sucesso.

FP - Se pudesse voltar a algum momento da vida, o que faria diferente?

Sérgio - Eu não teria deixado de estudar aos 16 anos. Depois de mais velho, fiz o EJA e cursei Direito na Unijuí até o sexto semestre. Acabei não concluindo porque fiquei doente e a distância dificultava. Então, uma das coisas que eu faria seria continuar estudando.

FP - Que mensagem gostaria de deixar para encerrar?

Sérgio - Procurem cultivar a boa convivência e participar da comunidade. A troca de experiências com os outros é muito importante. Tenho orgulho de ter participado de tantas organizações ao longo da minha vida. Fui vereador em outras cidades e, agora, serei cand

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