
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Vendo as diversas entrevistas com os presidenciáveis, em vários meios de comunicação, fica perceptível que estão lá para falar não falando e não falar falando. O que quer dizer isso? Qual é o objetivo de ir dar uma entrevista e não responder às perguntas de forma clara e objetiva? Como as respostas aos temas levantados são tão cheias de curvas e de subterfúgios?
Os candidatos vão lá para se apresentar, se mostrar para a audiência e fazer de conta que possuem um plano de governo organizado, fechado, bem estruturado, mas, na verdade, somente falam aquilo que seus marqueteiros determinam, com o objetivo de angariar o máximo de eleitores para suas candidaturas.
Na verdade, o candidato não fala o que ele pensa, mas aquilo que é necessário falar para atingir um grupo grande de eleitores e fazer alavancar a candidatura. Ele não vai falar coisas que possam ter dubiedade, ou seja, coisas que podem ser interpretadas de forma errada ou que possam ser polêmicas.
Assuntos como religião e ideais políticos, como socialismo ou liberalismo, que são temas polarizados no país hoje, não são tocados. Somente tocam nos assuntos polarizados aqueles que se beneficiam da polarização, aqueles que já possuem “duas turmas” de soldados ideológicos. Os outros ficam tentando não participar de nenhuma corrente ideológica, se apresentando como neutros, na esperança de captar os votos indecisos e os votos da terceira via.
Essa tática de não responder, ou de responder de maneira evasiva, é muito difundida nos discursos de políticos profissionais para não criar animosidades e não ferir as crenças ou os dogmas de alguns eleitores.
Isso passa uma ideia de que os políticos são enrolões, não enfrentam os temas dos debates e entrevistas de forma verdadeira e com interesse de resolver os problemas.
Acontece que os temas que envolvem a economia, a indústria, o agronegócio, a educação, o saneamento básico e a segurança, entre outros, são temas bastante complexos, e a grande maioria da população não entende ou somente entende aquilo que o seu grupo, radicalizado, lhe explicou.
Falar em “ressocialização para criminoso”, que é o que determina a Constituição Federal, para alguns é tratar bandido a pão de ló; para outros, a frase “bandido bom é bandido morto” é um absurdo que atenta contra a dignidade da vida humana.
Qualquer candidato que defender uma ou outra posição vai estar “jogando para a sua torcida” e perdendo votos da outra torcida.
Assim, os debates, diálogos e planos de governo não são debatidos com os eleitores. Eles são feitos com o único objetivo de angariar votos. É por isso que muitos eleitores não sabem e nem acompanham seus deputados e senadores, suas votações ou suas posturas no Legislativo, pois não sabem, sequer, o que cobrar deles.
Se a população quer que os candidatos sejam mais francos e mais coerentes em suas campanhas, deve começar a cobrar que os debates e as entrevistas deixem de ser um teatro sem sentido e passem a entrar mais fundo nos reais problemas da nação.
Sensação
Vento
Umidade