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Frederico Westphalen

23º Domingo do Tempo Comum  Ciclo A

“Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”

Visão de Fé

Visão de FéPor: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocese de Frederico Westphalen

05/09/2026 15h48Atualizado há 3 semanas
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A liturgia deste 23º Domingo do Tempo Comum, Ano A, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a nossa responsabilidade fraterna e o modo como vivemos a comunhão na Igreja. As leituras de hoje formam um conjunto coerente que nos fala de vigilância, escuta, amor e reconciliação.

 Na primeira leitura (Ez 33,7-9), o profeta Ezequiel é constituído por Deus como “sentinela da casa de Israel”. A sua missão não é condenar, mas avisar. Se o ímpio não for advertido e morrer no seu pecado, a responsabilidade recai sobre a sentinela. Se, porém, a advertência for feita e o outro continuar no erro, a sentinela salvou a própria vida. Esta imagem é forte e atual: cada batizado é chamado a ser sentinela, não por curiosidade ou julgamento, mas por amor e responsabilidade.

 O Salmo responsorial (Sl 94/95) ecoa essa mesma urgência: “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”. O povo é convidado a entrar na presença de Deus com alegria e gratidão, mas também a lembrar-se da experiência do deserto, quando os antepassados endureceram o coração e se rebelaram. O salmo funciona como um apelo interior: a escuta de Deus e a correção fraterna só dão fruto quando o coração permanece aberto e dócil.

 São Paulo, na segunda leitura (Rm 13,8-10), resume toda a Lei num único mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O amor não faz mal ao próximo; pelo contrário, é o cumprimento perfeito da Lei. Não se trata de um sentimento vago, mas de uma atitude concreta que busca o bem do outro.

 O Evangelho (Mt 18,15-20) apresenta o caminho prático desse amor responsável. Jesus ensina o processo da correção fraterna: primeiro, a sós, com delicadeza e respeito; depois, com a ajuda de uma ou duas testemunhas; e, se necessário, levando o caso à comunidade. O objetivo nunca é excluir, mas “ganhar o irmão”. Só em último caso, quando todas as portas de diálogo se fecham, se trata a pessoa como distante. Mesmo assim, o desejo de reconciliação permanece. E Jesus garante: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”.

 A verdadeira comunhão cristã exige a coragem de corrigir com amor e a humildade de se deixar corrigir, porque onde dois ou três se reúnem em nome de Jesus, Ele está presente no meio deles.

 Esta presença de Cristo não é apenas consoladora; ela torna a comunidade responsável uns pelos outros. Não podemos ser indiferentes ao irmão que se perde. O silêncio cúmplice não é caridade. Tampouco a denúncia pública e humilhante o é. O caminho de Jesus é o do diálogo paciente, discreto e perseverante, movido pelo desejo de restaurar a relação e a vida em Deus.

 Neste domingo, somos interpelados: somos sentinelas atentas ou meros espectadores? Amamos de verdade, a ponto de arriscar uma conversa difícil, ou preferimos a comodidade da indiferença? A Igreja não é um clube de pessoas perfeitas, mas uma família que caminha unida, ajudando-se mutuamente a permanecer no caminho do Evangelho.

 Que a Eucaristia deste dia fortaleça em nós o amor responsável. Que saibamos, com a graça de Deus, ser irmãos que corrigem e se deixam corrigir, para que a comunidade cresça na unidade e na verdade. Porque, onde há reconciliação verdadeira, aí está Cristo no meio de nós.

 

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