Rádio Municipal
APPATA
Mecânica Jaime
Meganet
Tarzan
Portela FM
F&J Santos
Vento Sul
Sicoob
Pizzaria Alcapone
Sicredi
Ponto Grill
Niederle
Lazzaretti
Fitness
Unimed
Sala
Hospital Santo Antonio
Mercado do povo
Tenente Portela

Priscila Fochesatto destaca o papel do Serviço Social no acolhimento aos pacientes do HSA

Assistente social atua há dez anos no Hospital Santo Antônio e explica como funciona o atendimento a pacientes e familiares, a articulação com os municípios e o acompanhamento após a alta hospitalar

16/10/2026 12h59
Por: Júlio Santos
Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

Na série de entrevistas com os profissionais do Hospital Santo Antônio (HSA), o Folha Popular apresenta a trajetória de Priscila Fochesatto, assistente social que completa dez anos de atuação na instituição em novembro. Formada em Serviço Social pela URI, campus de Frederico Westphalen, ela soma 16 anos de experiência na área e atualmente lidera a equipe de Serviço Social do hospital. Na entrevista, Priscila explica como funciona o acolhimento de pacientes e familiares, a articulação com a rede de assistência dos municípios e o acompanhamento das situações de vulnerabilidade social. Ela também destaca a importância do trabalho integrado para garantir que o cuidado continue após a alta hospitalar.

Folha Popular - Para começar, conte um pouco sobre sua formação profissional, sua trajetória na área do Serviço Social e como chegou ao Hospital Santo Antônio.

Priscila Fochesatto - Sou formada em Serviço Social pela URI, campus de Frederico Westphalen, e atuo na área há 16 anos. Minha trajetória começou com uma experiência de dois anos na APAE de Tenente Portela. Também atuo como perita social no Poder Judiciário, elaborando laudos sociais para processos judiciais. Em novembro, completo dez anos aqui no Hospital Santo Antônio, onde atualmente lidero a equipe de Serviço Social. Foi aqui que encontrei meu espaço de verdade, cuidando de pessoas da nossa região.

FP - Qual é o papel da assistente social dentro de um hospital? Como funciona o trabalho junto aos pacientes, familiares e demais profissionais da equipe de saúde?

Priscila - Nosso papel é olhar para o paciente de forma integral. Não nos limitamos à doença, mas consideramos a pessoa como um todo: sua família, sua casa, sua história e suas necessidades. Acolhemos pacientes e familiares, ouvimos suas angústias e orientamos sobre seus direitos e as rotinas da instituição. Trabalhamos lado a lado com a equipe multiprofissional, pois cuidar de uma pessoa é uma ação conjunta, em que cada profissional tem um papel importante.

FP - Em quais situações os pacientes e seus familiares mais precisam do acompanhamento do Serviço Social durante a internação?

Priscila - As demandas mais frequentes são solicitações de declarações e atestados de acompanhante, além da disponibilização de refeições para quem acompanha o paciente. Também atuamos em situações de vulnerabilidade social, como quando o paciente chega sem documentos ou pertences pessoais, não tem um familiar para acompanhá-lo ou se encontra em situação de fragilidade. Quando a pessoa está sozinha, acionamos a rede assistencial do município para buscar familiares e garantir que ela não fique desamparada.

FP - Como é feito o acolhimento de famílias que enfrentam dificuldades financeiras, falta de apoio familiar ou outras vulnerabilidades durante o tratamento de um paciente?

Priscila - Primeiro, acolhemos sem julgar. Muitas vezes, a pessoa só precisa sentir que não está sozinha. Depois, ouvimos com atenção para identificar o que ela realmente precisa. Orientamos sobre seus direitos, explicamos quais benefícios pode acessar e fazemos a conexão com a rede de apoio do município. Quando necessário, acionamos os serviços de proteção social para que a família tenha suporte também após a alta hospitalar. O importante é que ela saia daqui sabendo que existe uma rede de cuidado à sua disposição.

FP - Muitas vezes, a alta hospitalar exige cuidados que vão além da assistência médica. Como o Serviço Social atua para organizar esse processo e garantir que o paciente tenha condições de continuar o tratamento em casa?

Priscila - A alta não acontece apenas quando o médico informa que o paciente pode ir para casa. Avaliamos antecipadamente se existe uma rede de apoio familiar, quem será responsável pelos cuidados, se o paciente consegue cuidar de si e se precisa de medicamentos, equipamentos ou transporte. Depois, entramos em contato com a rede assistencial do município, como a Unidade Básica de Saúde (UBS) e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), compartilhando a situação e solicitando o acompanhamento domiciliar necessário.

Também verificamos a disponibilidade de medicamentos. Quando o medicamento não está disponível no município ou não faz parte da lista padrão, orientamos a família sobre os caminhos legais para obtê-lo. Assim, buscamos garantir condições para que o paciente continue o tratamento em casa.

FP - Como funciona a articulação do hospital com as secretarias municipais de Saúde, os CRAS, os CREAS e outros serviços da rede de proteção?

Priscila - Não trabalhamos de forma isolada. Durante a internação, conseguimos acompanhar o paciente e a família de perto, mas, para que esse cuidado tenha continuidade após a alta, precisamos da rede assistencial. Por isso, entramos em contato por telefone ou WhatsApp e, quando necessário, enviamos um relatório social detalhado por e-mail, compartilhando a situação e solicitando que os serviços municipais deem continuidade ao acompanhamento. O cuidado não termina na porta do hospital, ele continua onde a pessoa vive.

FP - Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias para acessar direitos, benefícios sociais, transporte para consultas e outros recursos necessários ao tratamento?

Priscila - Muitas famílias simplesmente não conhecem seus direitos. Não sabem o que podem solicitar, onde procurar ou quais documentos precisam apresentar. Nosso papel é orientar e indicar os caminhos, mas os encaminhamentos são realizados pela rede assistencial de cada município. Nós direcionamos a família aos órgãos competentes. Em relação ao transporte, não temos encontrado dificuldades, nem na vinda nem no retorno dos pacientes, graças ao apoio e à parceria com as secretarias de Saúde da região.

FP - O trabalho do Serviço Social também envolve situações delicadas, como abandono, violência, negligência e ausência de vínculos familiares. Como esses casos são identificados e encaminhados, respeitando os direitos e a dignidade dos pacientes?

Priscila - Somos acionados principalmente pela equipe multiprofissional, especialmente pela enfermagem. Também identificamos situações durante as visitas aos leitos e por meio da confiança que construímos com pacientes e familiares. Quando percebemos alguma situação de risco ou vulnerabilidade, orientamos a pessoa sobre seus direitos e fazemos o encaminhamento à rede de proteção social competente, sempre com respeito, sigilo e prioridade à dignidade e à proteção do paciente.

FP - Por ser uma referência hospitalar para vários municípios da região, quais são os principais desafios do Serviço Social do HSA para atender pacientes com diferentes realidades sociais e familiares?

Priscila - Atendemos pacientes de vários municípios, e cada um tem sua realidade, sua rede de apoio e sua forma de funcionamento. Não temos como conhecer profundamente cada cidade. Por isso, quando precisamos dar continuidade ao cuidado, acionamos a rede do município, compartilhamos a situação e contamos com o acompanhamento desses serviços. Também atendemos uma população indígena significativa da região. Para isso, mantemos parceria com a equipe do Polo Base da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), buscando garantir um atendimento integrado e respeitoso às necessidades específicas desses pacientes.

FP - Como está organizada a equipe de Serviço Social do Hospital Santo Antônio?

Priscila - O HSA conta atualmente com seis assistentes sociais. Uma delas atua especificamente no Centro de Reabilitação, atendendo aos serviços de reabilitação física, auditiva e visual. As outras cinco profissionais trabalham no hospital, com cobertura das 5h às 23h. Após esse horário, o atendimento ocorre por meio de sobreaviso. Estamos distribuídas em diferentes horários para garantir acolhimento e acompanhamento aos pacientes e familiares de todos os setores.

FP - Para encerrar, qual é a importância do Serviço Social na recuperação e na qualidade de vida dos pacientes? Que orientação você deixa?

Priscila - O Serviço Social é fundamental porque cuida da pessoa como um todo, não apenas da doença. Quando o paciente se sente acolhido, orientado e amparado, consegue se concentrar melhor na recuperação. Nosso trabalho é mostrar que ninguém precisa passar pelo tratamento sozinho. Minha orientação é simples: não tenham vergonha de buscar ajuda. Estamos aqui para ouvir, orientar e caminhar junto com cada paciente e cada família. Cuidar faz toda a diferença.

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários