
De Olho na IdeiaPor: Felipe J. dos Santos
Os ignorantes estão convictos. Essa é a conclusão mais precisa que podemos chegar quando passamos a perceber que o diálogo perde espaço e as certezas se sobrepõem uma acima da outra. As dúvidas acabaram, não há mais espaço para a pesquisa, tudo está definido, todos possuem a razão, não porque pensaram sobre ela, por terem debatido sobre a verdade ou terem trabalhado arduamente para separar o joio do trigo.
Todos possuem a razão por estarem cansados da dúvida e já não aguentam mais a incerteza, então passam a se agarrar nas suas convicções mais cômodas, nas verdades que lhes favorecem. Não há razão onde a humildade se perdeu e a arrogância roubou a cena. O secularismo, o acúmulo de conhecimento e sabedoria, já não faz diferença em um lugar onde a sabedoria é vista como uma velha metida, que quer prejudicar os planos dos jovens vaidosos.
O debate lúcido, que pressupõem honestidade intelectual, já não prospera, pois os desonestos não querem se curvar ao debate para não precisar ceder para a coerência. É melhor para um ignorante defender sua certeza insustentável, sua vontade de estar certo, mesmo sabendo que não há lógica que sustente seus argumentos.
O que está importando, hoje, é a vontade de estar certo, é a arrogância em “manter a posição” de vitorioso nem que seja com um argumento falso e mentiroso. Os grandes mentirosos estão calçados nos pequenos ignorantes que enxergam em seus líderes a maestria da enganação, a imposição de suas vontades, mesmo que acima do conhecimento científico, histórico ou econômico.
Estamos em um período da história que a conversa não prospera e que a paz social, na realidade, não existe, pois o que ocorre é um vácuo onde os que não sabem estão ganhando espaço, pois os que estudaram parecem estar cansados de explicar. A infantilização das pessoas transformou os adultos de hoje em crianças birrentas que ganham a maioria das disputas por teimosia. Já aqueles que deveriam ser os pais e professores de lógica, estão sendo omissos, estão muito cansados da tentativa de desmascarar legiões de arrogantes, multidões de vaidosos com razão.
E isso tudo não se trata da eleição, do adestramento que as mídias sociais estão fazendo, nem mesmo da opção de cada um, se trata de um período onde a sociedade está passando por um cansaço, um cansaço que Byung-Chul Han já vem apontando há alguns anos.
O cansaço humano está concentrado na incapacidade de pensar certo, nos desvios de atenção, no devaneio, no excesso de pensamento para a pouca eficiência deles. Pensamento eficiente é aquele que busca a coerência, a lógica e a verdade, o ineficiente é aquele que busca a justificação das próprias vontades.
Sensação
Vento
Umidade