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Na CAS, especialistas defendem investimentos e capacitação na radiologia

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) discutiu na terça-feira (10) os avanços e desafios da radiologia no Brasil, com ênfase na necessidade de mais ...

11/12/2024 22h47
Por: Júlio Santos
Fonte: Agência Senado
Pontes com Cibele Carvalho, do Colégio Brasileiro de Radiologia: profissionais são essenciais no diagnóstico - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Pontes com Cibele Carvalho, do Colégio Brasileiro de Radiologia: profissionais são essenciais no diagnóstico - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) discutiu na terça-feira (10) os avanços e desafios da radiologia no Brasil, com ênfase na necessidade de mais investimentos e na capacitação dos profissionais da área. Especialistas e representantes de entidades médicas participaram da audiência pública, destacando a importância da modernização tecnológica, valorização profissional e melhoria nas condições de trabalho.

A audiência foi realizada em atendimento a pedido do senador Dr. Hiran (PP-RR) ( REQ 97/2024 ), e foi presidida pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Pontes iniciou a reunião destacando a relevância do tema para o sistema de saúde brasileiro, enfatizando a logística e eficiência dos tratamentos.

— Tratar de saúde no Brasil tem uma importância primordial, considerando não só as nossas dimensões, mas também as nossas diferenças entre diversas regiões. Certamente a tecnologia pode ajudar, e ajuda, não só na maior eficiência dos tratamentos diagnósticos, mas também no próprio controle logístico de todo o setor de saúde.

Valorização profissional

Cibele Alves de Carvalho, representante do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), ressaltou a importância dos radiologistas para a medicina moderna e apontou desafios enfrentados pela categoria.

— Os profissionais enfrentam jornadas exaustivas, remuneração inadequada e falta de reconhecimento. É urgente que políticas públicas sejam implementadas para melhorar essas condições.

Ela também destacou que a radiologia não deve ser vista apenas como apoio à medicina, mas como elemento essencial para diagnósticos precoces e sustentáveis. Cibele mencionou ainda os esforços do CBR em defesa do ato médico, enfrentando desafios como a "invasão de prerrogativas" por outras categorias profissionais.

— Radiologia não é apoio, é essência. O diagnóstico precisa do tratamento precoce, do acompanhamento da doença. Isso traz vida, redução da morbidade e, principalmente, sustentabilidade para o sistema.

Leonardo José Macêdo, da Federação Médica Brasileira, reforçou os desafios trabalhistas enfrentados pelos radiologistas. Ele destacou que muitos profissionais atuam como prestadores de serviço terceirizados em condições vulneráveis.

— O radiologista enfrenta questões trabalhistas há muitos anos, como remuneração inadequada e falta de reajustes justos. Precisamos assegurar que a população seja atendida por profissionais capacitados e devidamente valorizados.

Ele também alertou para os riscos da simplificação do ato médico com o avanço da telemedicina e da telerradiologia, destacando a necessidade de personalização no atendimento.

— O ato do radiologista não se resume a emitir um laudo médico. Ele envolve todo o planejamento do procedimento, garantindo a segurança do paciente e a execução personalizada do exame.

Indústria nacional

O debate também abordou os desafios relacionados à modernização dos equipamentos e à infraestrutura necessária para diagnósticos precisos. Giovanni Guido Cerri, da Academia Nacional de Medicina, enfatizou que o Brasil precisa priorizar a produção nacional de equipamentos médicos para reduzir custos e aumentar o acesso em todas as regiões.

— O Brasil precisa priorizar a modernização dos equipamentos e garantir que estejam disponíveis em todas as regiões, especialmente nas mais carentes.

Cibele Alves chamou atenção para os altos custos de manutenção dos equipamentos importados e para a dependência tecnológica internacional. Ela defendeu incentivos à produção nacional como forma de garantir maior autonomia ao setor.

— Além do custo elevado dos equipamentos importados, enfrentamos dificuldades com contratos de manutenção. É fundamental incentivar a produção nacional para reduzir esses custos.

Giovanni Cerri reforçou a importância de combater as desigualdades regionais no acesso a diagnósticos.

— Não adianta termos dezenas de equipamentos concentrados em grandes centros urbanos enquanto regiões inteiras não têm acesso a exames básicos como ultrassonografia.

Formação e capacitação

Outro ponto foi a formação continuada dos profissionais e sua fixação em áreas remotas. Giovanni Cerri destacou que não basta a infraestrutura — é preciso garantir que os médicos estejam qualificados para operar os equipamentos e interpretar os exames com precisão. Já Leonardo Macêdo expressou preocupação com a disponibilidade de profissionais em todo o território nacional.

— É essencial criar carreiras consolidadas e bem remuneradas para atrair profissionais aos locais mais distantes. Isso é fundamental para garantir o acesso à saúde em todo o país.

Ao final da audiência, o senador Astronauta Marcos Pontes destacou a necessidade de desenvolvimento tecnológico nacional e mencionou a proposta de emenda à Constituição da sua autoria conhecida como PEC da Ciência ( PEC 31/2023 ), que estabelece investimentos mínimos obrigatórios em ciência e tecnologia.

— Precisamos acreditar na capacidade do Brasil. Investir em ciência e tecnologia é essencial para garantir autonomia no setor da saúde. Isso inclui a produção nacional de equipamentos médicos.

Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira

Leonardo José Macêdo, da Federação Médica Brasileira, citou desafios que impedem difusão da carreira - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Leonardo José Macêdo, da Federação Médica Brasileira, citou desafios que impedem difusão da carreira - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
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