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Tenente Portela

Escolas indígenas destacam cultura local no desfile dos 70 anos de Tenente Portela

Semana da Pátria

08/09/2025 10h25
Por: Júlio Santos
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Na comemoração dos 70 anos do município de Tenente Portela, as escolas indígenas abriram o desfile apresentando ao público um pary, uma pequena rede de taquaras utilizada tradicionalmente para a pesca, que também foi a primeira denominação do local onde hoje se situa o município.

Tenente Portela abriga a Terra Indígena Guarita, a maior reserva do Rio Grande do Sul, que se estende ainda pelos municípios de Redentora e Erval Seco. A área, habitada pelos povos Kaingang e Guarani, abrange cerca de 23,4 mil hectares e representa um marco importante para a preservação da cultura e dos direitos indígenas na região.

O território indígena em Tenente Portela conta com três escolas que atendem alunos da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental:

  • Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Mukej – Localidade de Três Soitas, com 162 alunos, sob direção de Diva Cleci Claudino e vice-direção de Flávio Peni Ribeiro.

  • Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Bento Pi Gog – Localidade de Pedra Lisa, com 147 alunos, sob direção de Andreia Jacomini e vice-direção de Joanita Suelis Matias.

  • Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Gomercindo Jete Tenh Ribeiro – Localidade do KM-10, com 187 alunos, sob direção de Rosane Zwick Arnemann e vice-direção de Sara Cristiane Karigka Sales.

Historicamente, as primeiras escolas em Tenente Portela eram ministradas por professores não indígenas, com foco na alfabetização em português. A primeira iniciativa de educação indígena estruturada surgiu em 1976, como extensão do Setor Missão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, com o objetivo de formar professores indígenas bilíngues, no Centro de Treinamento Profissional Clara Camarão, sob responsabilidade da FUNAI.

A Constituição de 1988 representou um marco, garantindo o direito a uma educação escolar indígena diferenciada, intercultural e bilíngue. O Decreto 6.861/2009 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) reforçaram esses direitos, promovendo a organização territorial etnoeducacional e a afirmação das identidades étnicas.

Apesar dos avanços legais, a efetivação desses direitos ainda enfrenta desafios, refletindo a distância entre o que a lei prevê e a prática. Em Tenente Portela, a Escola Indígena Gomercindo Jete Tehn Ribeiro está atualmente em processo de construção, após espera de mais de 21 anos.

O processo de ensino-aprendizagem nas escolas indígenas envolve a interação entre a cultura indígena e a cultura nacional, a necessidade de materiais didáticos específicos e a valorização dos conhecimentos ancestrais, como a relação com a terra, a água e a floresta. A educação escolar indígena busca garantir a preservação das identidades, línguas, memórias históricas e tradições, ao mesmo tempo em que promove o acesso ao conhecimento técnico e científico.

Com informações da Rádio Planeta FM 102.7 

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